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Cientistas chineses descobrem a porta de entrada do coronavírus nas células humanas
Sociedade 2 min. 05.03.2020 Do nosso arquivo online

Cientistas chineses descobrem a porta de entrada do coronavírus nas células humanas

Cientistas chineses descobrem a porta de entrada do coronavírus nas células humanas

Foto: AFP
Sociedade 2 min. 05.03.2020 Do nosso arquivo online

Cientistas chineses descobrem a porta de entrada do coronavírus nas células humanas

A descoberta abre a possibilidade de produzir anticorpos para parar a infeção.

Um grupo de cientistas chineses acaba de publicar um retrato mais detalhado da porta de entrada do coronavírus nas células humanas. Para o alcance deste estudo, publicado na revista Science, há que entender que se fala em escalas 2,9 armtrongs, equivalentes a dez mil milionésimas de metro, para estudar a ACE2, uma proteína humana fundamental para que o novo coronavírus possa causar uma infeção.

Até agora sabia-se que o novo coronavírus usa uma proteína em forma de agulha que encaixa na ACE2 como uma chave numa fechadura. Esta ligação abre literalmente a porta da célula humana para que o vírus introduza o seu material genético. A máquina que produz as células humanas confunde esse material - ácido ribonucleico (ARN) viral - com seu próprio ARN, e começa a seguir as instruções que ele contém para fazer proteínas virais. Em questão de horas, há milhões de cópias de ARN viral das quais são reunidas cópias do vírus que irrompem na célula para infetar outras pessoas.

Até agora, a estrutura desta proteína humana ainda tinha sido totalmente descrita. E isto representa para os investigadores uma surpresa. De acordo com o El País, os vírus têm evoluído entre nós durante milhares de anos e muitas vezes escolhem portas de entrada nas célula que são difíceis de fechar ou eliminar porque sem essas entradas o ser humano morreria. A proteína ACE2 desempenha um papel fundamental na produção de angiotensina, uma molécula que controla a pressão arterial. Esta proteína está nos pulmões, coração, rins e intestinos e a sua ausência causa doenças cardiovasculares. Desta forma, o vírus garante que a sua porta estará sempre aberta.

A equipa de cientistas chineses que assinaram o artigo, do Westlake Institute for Advanced Studies em Hangzhou e da Universidade de Tsinghua, em Pequim, foram os primeiros a descrever a forma exata desta proteína humana. Os resultados atingem um nível de detalhe em algumas áreas equivalente a 0,00000000035 metros. Além desse trabalho, outro foi publicado em fevereiro passado por uma equipe norte-americana que forneceu um retrato comparável da proteína S, a chave viral que cabe na ACE2. Juntos, os dois trabalhos fornecem a descrição mais detalhada a nível molecular do primeiro passo de uma infeção e mostram como desenvolver anticorpos que se podem ligar tanto à proteína S do vírus como à proteína ACE2 das células humanas e assim bloquear a infecção.

"O nosso trabalho não só ilumina a nossa compreensão do processo infeccioso", escrevem os responsáveis pelo trabalho, "como também facilita o desenvolvimento de novas técnicas de deteção do vírus e possíveis compostos terapêuticos antivirais", acrescentam.

O trabalho descreve várias mutações - alterações na sequência de unidades que compõem as proteínas do vírus - que aumentam a capacidade e força com que o vírus se liga às células humanas e outras que o diminuem, um conhecimento básico para compreender a natureza do novo vírus e como se compara a outros semelhantes, como o SARS.

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