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China admite dar doses de vacina diferentes para tornar mais eficaz imunização contra a covid-19
Sociedade 4 min. 12.04.2021

China admite dar doses de vacina diferentes para tornar mais eficaz imunização contra a covid-19

China admite dar doses de vacina diferentes para tornar mais eficaz imunização contra a covid-19

Foto: AFP
Sociedade 4 min. 12.04.2021

China admite dar doses de vacina diferentes para tornar mais eficaz imunização contra a covid-19

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Melhorar a eficácia das vacinas atuais usando diferentes marcas, nas doses prescritas, é uma hipótese que está a ser considerada no país. Na Europa, vários estados vão avançar com vacina de outra farmacêutica para substituir segunda dose da AstraZeneca.

A China admite inocular a população com doses de vacinas diferentes contra a covid-19. 

Segundo avança a agência Reuters, o principal responsável chinês pelo controlo de doenças disse que o país está a considerar, formalmente, misturar vacinas covid-19 como uma forma de potencializar mais a eficácia das tomas.


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A variante sul-africana "tem a capacidade, até certo ponto, de penetrar a proteção da vacina", segundo um estudo realizado em Israel. Mais do que a variante britânica.

Dar às pessoas doses de diferentes vacinas é uma forma de melhorar as vacinas que "não têm taxas de proteção muito elevadas", afirmou, no sábado, Gao Fu, o diretor dos Centros Chineses de Controlo e Prevenção de Doenças, numa conferência na cidade chinesa de Chengdu. Sem especificar se se referia a vacinas estrangeiras ou nacionais, o responsável confirmou que "a inoculação utilizando vacinas de diferentes linhas técnicas está a ser considerada" pelas autoridades chinesas.   

De acordo com  a agência, os dados disponíveis mostram que as vacinas chinesas ficam atrás de outras, como a Pfizer ou a Moderna, em termos de eficácia. Por outro lado, têm a vantagem de requerer controlos de temperatura menos rigorosos durante o armazenamento. Uma combinação dos pontos fortes de cada uma, nas diferentes doses administradas à população pode aumentar a eficácia na proteção contra a covid-19.

Alterar número de doses e intervalos 

O responsável chinês acrescentou também que é necessário tomar medidas para "otimizar" o processo de vacinação e que estas podem passar pela alteração do número de doses e o período de tempo de toma entre doses.

Os dados de um ensaio da Fase III, no Brasil, publicado domingo, antes da revisão pelos pares, indica que duas injeções de uma das vacinas desenvolvida pelo Sinovac Biotech da China, quando dadas com menos de três semanas de intervalo, são 49,1% eficazes, abaixo do limiar de 50% estabelecido pela Organização Mundial de Saúde. Mas os dados de um pequeno subgrupo mostraram que a taxa de eficácia aumentou para 62,3% quando as doses foram dadas com intervalos de três semanas e mais longos. A taxa de eficácia global da vacina foi ligeiramente superior a 50% no ensaio. 


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 A China desenvolveu quatro vacinas domésticas, aprovadas para uso público, e uma quinta, para uso de emergência em menor escala. 

O Governo chinês afirma que duas vacinas desenvolvidas pelas suas unidades são 79,4% e 72,5% eficazes, respetivamente, com base em resultados provisórios. Ambos os fabricantes de vacinas apresentaram dados sobre as suas vacinas covid-19 indicando níveis de eficácia em linha com os exigidos pela OMS, garantiu um painel da Organização Mundial de Saúde, em março. 

"A taxa global de proteção de vacinas é alta e baixa", disse Gao ao jornal estatal Global Times, este domingo, defendendo que os cientistas, em todo o mundo, devem considerar "como melhorar a taxa de proteção das vacinas" e acrescentando que misturar vacinas e ajustar os métodos de imunização são soluções que podem contribuir para isso e que propôs que fosse feito no país.

Problemas com AstraZeneca levam à substituição por outra marca na segunda dose 

A suspensão da recomendação da AstraZeneca, em vários países, para pessoas com idades abaixo dos 55 anos levou a que alguns estados, como a França, já avançassem que as que tomaram a primeira dose daquela farmacêutica recebam a segunda de uma marca diferente.


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Para esses casos a segunda dose administrada será de outra marca. No país vizinho, a vacina da AstraZeneca passou a estar apenas recomendada para pessoas acima dessa idade.

Portugal, que entretanto também reviu a recomendação da AstraZeneca, retirando-a para pessoas com menos de 60 anos, admitiu a possibilidade de substituir a segunda dose se não houver dados novos em relação à vacina, na altura de a administrar.

A vacina da Johnson & Johnson, a Janssen, vacina de unidose, que deverá entrar em breve no mercado europeu, poderá ser candidata a substituir a AstraZeneca para as pessoas que ficaram sem a sua segunda dose, devido à restrições etárias entretanto impostas. 

Contudo, também a Janssen está a ser analisada pela Autoridade Europeia do Medicamento (EMA) por ligações entre a vacina e casos de coágulos sanguíneos. Foram detetados quatro casos, um durante um ensaio clínico e três no quadro da vacinação nos Estados Unidos, tendo um deles sido mortal.

Independentemente da marca da vacina que vier a ser usada  para substituir a segunda dose da da AstraZeneca, é possível garantir que não há perda de proteção imunitária.

Segundo os especialistas, as vacinas usam a mesma proteína para combater a covid-19, por isso, do ponto de vista imunológico, à partida, a resposta imunitária será equivalente, apesar da marca da vacina ser diferente.

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