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Centrais nucleares belgas vulneráveis em caso de acidente de aviação
Sociedade 3 min. 24.06.2020

Centrais nucleares belgas vulneráveis em caso de acidente de aviação

Centrais nucleares belgas vulneráveis em caso de acidente de aviação

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 24.06.2020

Centrais nucleares belgas vulneráveis em caso de acidente de aviação

Max HELLEFF
Max HELLEFF
Eurodeputados alertam para o perigo que representam as grandes aeronaves.

É a última controvérsia no que toca à energia nuclear: se um avião colidir com uma central nuclear belga, há uma forte probabilidade de assistirmos a uma catástrofe. Esta é a conclusão dos eurodeputados do partido ecologista os Verdes Samuel Cogolati e Tinne Van der Straeten. Segundo os Verdes, que se opõem ferozmente à energia nuclear, as centrais mais antigas da Bélgica - Tihange 1 (em Huy) e Doel 1 e 2 (em Antuérpia), com cerca de 45 anos - seriam particularmente vulneráveis em caso de queda de uma grande aeronave.

Não só porque a estrutura de betão seria afetada, mas sobretudo porque o incêndio com querosene elevaria a temperatura das instalações para um nível perigoso. Enquanto as centrais elétricas mais antigas são suscetíveis de resistir à queda de um avião de passageiros, o mesmo não se pode dizer dos voos comerciais e dos navios de carga. E mesmo o aumento das medidas de segurança na sequência da catástrofe de Fukushima em 2011 seria, em alguns casos, insuficiente. 

Ambas as centrais de Tihange (2 e 3), mas também Doel (3 e 4), foram concebidas para resistir à queda de um avião civil ou militar de médio porte, como um Boeing 767. Os Verdes salientam, contudo, que os aviões de carga que utilizam o aeroporto de Bierset podem pesar mais de 400 toneladas e transportar 192 toneladas de querosene. Desta forma, o sobrevoo de instalações nucleares deve ser proibido, defendem. 

Em França, atualmente é proibido o voo destas aeronaves abaixo dos mil metros de altitude e num raio de cinco quilómetros. Mas há um problema na Bélgica: o céu está muito povoado. E a situação não deve melhorar. Pelo contrário. A próxima chegada do gigante chinês do comércio online Ali Baba a Bierset, vai trazer maior tráfego de mercadorias sobre a região de Liège. Ora menos de 20 km separam Tihange de Bierset em linha reta. 


Parlamento aprova lei sobre proteção jurídica de vítimas de acidentes nucleares
Xavier Bettel disse em 2016 que o medo do Luxemburgo é a central nuclear de Cattenom e, recentemente, a Bélgica voltou a fazer referência a um futuro depósito de lixo radioativo junto à fronteira com o norte do Luxemburgo.

Más notícias nos caso das centrais nucleares belgas. E mais um fator a ter em consideração para os que apostaram em prolongar as suas atividades para além de 2025, quando o país se comprometeu oficialmente a abandonar a energia nuclear. Em maio passado, o Ministro do Interior belga, Pieter De Crem, salientou que tal prorrogação não poderia ter lugar sem satisfazer os novos requisitos de segurança.

Tudo isto surge na consequência da recente entrada em vigor das normas de segurança revistas, baseadas na transposição para o direito belga das recomendações da Associação das Autoridades de Segurança Nuclear dos Países da Europa Ocidental (WENRA). Medidas que implicam grandes investimentos de forma a permitir que os reatores mais antigos resistam a um desastre aéreo.

Electrabel em espera

"Aguardamos a análise do operador das medidas de segurança existentes em caso de queda de uma aeronave. O que podemos dizer é que os reatores terão de cumprir a próxima revisão decenal", explicou à L'Echo a Agência Federal de Controlo Nuclear (FANC). Recorde-se também que as duas centrais elétricas - Doel 3 e Tihange 2 - estiveram encerradas durante vários meses no passado devido à presença de micro-bolhas nos reatores. 


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In a handout picture released by Greenpeace and taken on March 27, 2011 shows Greenpeace members monitoring contamination levels at Iitate village, 40km northwest of the crisis-stricken Fukushima Daiichi nuclear plant, and 20km beyond the official evacuation zone. According to Greenpeace, radiation levels found by their monitoring team are far above safe limits, with people living in the area receiving the yearly maximum dose of radioactivity within a few days, yet many have not left the area.    AFP PHOTO / GREEENPEACE / CHRISTIAN ASLUND
População revoltada com lixo radioativo belga às portas do Luxemburgo
O governo do Grão-Ducado foi apanhado de surpresa e a ministra do ambiente apela à população para se manifestar contra. Governo, autarcas e Greenpeace mostram a sua revolta ao Contacto e apontam riscos sérios.

Acrescenta-se a isto a incerteza em torno da formação do próximo governo federal e é compreensível que o fornecedor de energia belga Electrabel pense duas vezes antes de investir novamente na segurança dos seus dispositivos nucleares. Se o N-VA (partido conservador belga) de Bart De Wever parece apoiar, ainda que com meias palavras, a manutenção do nuclear, os ambientalistas condenaram-no de uma vez por todas à morte.

(Max Helleff, correspondente em Bruxelas. Artigo original publicado na edição francesa do Luxemburger Wort. Tradução e edição de Catarina Osório.)  

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