Escolha as suas informações

Casos de sarampo no Luxemburgo já são 12. Ministro fala em "pequena epidemia"

Casos de sarampo no Luxemburgo já são 12. Ministro fala em "pequena epidemia"

Foto: Shutterstock
Sociedade 5 min. 29.03.2019

Casos de sarampo no Luxemburgo já são 12. Ministro fala em "pequena epidemia"

Catarina OSÓRIO
Vacina já é gratuita para crianças, mas passa a sê-lo também para adultos, informou hoje o governo.

Eram cinco, passaram para sete, e agora já são 12. Em resposta a uma pergunta da deputada Nancy Arendt (CSV), o ministro da Saúde, Étienne Schneider informou hoje que o Luxemburgo já contabiliza 12 casos de sarampo. "O Luxemburgo está efetivamente a ser afetado por uma pequena epidemia de sarampo neste momento", referiu Schneider na resposta à pergunta da deputada sobre o número atualizado de casos no país.

Schneider anunciu ao mesmo tempo que a vacina contra o vírus será disponibilizada de forma gratuita para os adultos, tal como já o é para as crianças. Em 2018, o Luxemburgo registou apenas quatro casos de sarampo. Em março de 2019, com 12 casos identificados, o balanço vai certamente ser mais elevado no final deste ano.   

O ministro afirma que a maioria dos casos detetados são crianças e jovens e que, por sua vez, não foram vacinadas com a dosagem recomendada contra o vírus. Relembra-se que até aos dois anos de idade é recomendada a toma de duas doses da vacina de forma a obter a imunidade completa. Segundo os dados disponibilizados pelo Ministério, a primeira dose tinha uma taxa de cobertura de 98,7% em 2018 (apesar de em 2012 ser de 99%), sendo que na segunda dose a taxa baixa para 90% (ainda assim mais elevada do que em 2012 - 87,2%). 

Segundo explica o ministro, o primeiro caso de sarampo aconteceu com uma criança que passou recentemente férias numa estância de inverno em Val Thorens, em França, onde vários jovens foram esquiar. Os restantes casos são o resultado do contágio do primeiro caso e aconteceram já na Escola Europeia de Mamer.

Governo reitera que não quer tornar vacina obrigatória

Na resposta enviada a Nancy Arendt, o governante refere que não considera necessário tornar a vacinação obrigatória, tal como já tinha afirmado ao Contacto esta semana. Recentemente, França e Itália tornaram a vacinação obrigatória devido a surtos da doença nos dois países e a Alemanha pondera fazer o mesmo. O ministro justifica que nestes dois casos as taxas de cobertura da vacina tinham caído de forma abrupta em 2018, originando surtos da doença. 

Contudo, admite agora que o governo luxemburguês possa "tomar medidas futuras ou alterar políticas consoante o desenrolar da situação". 

Apesar de a vacinação não ser obrigatória no país, as autoridades de saúde recomendam a imunização das crianças até aos dois anos com as duas doses da vacina única contra o sarampo, a papeira, a rubéola e a varicela (MMRV). A vacina pode ser tomada a partir dos 12 meses. Os adultos nascidos depois de 1980 que não tomaram esta vacina são também aconselhados a fazê-lo, agora também de forma gratuita. 


Paranóia antivacinas chega ao Luxemburgo
Movimento contra a vacinação diz que há cada vez mais pessoas que recusam imunizar os filhos contra doenças infecciosas.

Os surtos de sarampo atingiram valores recorde em 2018. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), houve mais de 82 mil casos que resultaram em 36 mortes, um aumento de 50% em relação a 2017. Países como França, Grécia, Itália, Rússia, Sérvia, Geórgia e Ucrânia registaram milhares de infetados só neste ano, sendo que os surtos não parecem abrandar. Na Ucrânia, só em 2019 quase 25 mil pessoas foram infetadas com sarampo e 11 morreram, de acordo com os números do governo.    

Em entrevista recente ao Contacto, a diretora-adjunta da Direção da Saúde do Grão-Ducado, Françoise Berthet, alertava para a importância da "proteção coletiva da vacinação" que no caso do sarampo só é assegurada se, no mínimo, 95% da população for vacinada. "No caso do sarampo, se 95% da população é vacinada, a transmissão dos vírus é interrompida visto que as pessoas vacinadas constituem uma ‘barreira’ mesmo para quem não está vacinado", explicou. Caso contrário, o vírus continua 'em circulação' com o potencial risco de causar surtos. 

Recentemente, o Contacto noticiou também a existência de um movimento antivacinação no Luxemburgo que refere existirem cada vez mais pais interessados em não vacinar os filhos. Questionado sobre esta associação pelo jornal, o Ministério da Saúde recusou-se a fazer qualquer comentário, apesar de referir agora a existência de "desinformação nas redes sociais" sobre a vacinação, na resposta enviada à deputada.


Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas