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Casos de sarampo no Grão-Ducado já são 17
Sociedade 4 min. 03.04.2019

Casos de sarampo no Grão-Ducado já são 17

Casos de sarampo no Grão-Ducado já são 17

Foto: Shutterstock
Sociedade 4 min. 03.04.2019

Casos de sarampo no Grão-Ducado já são 17

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Uma das duas vacinas contra a doença - a quadrivalente - , administrada às crianças entre os 12 e os 23 meses, está atualmente esgotada no país.

O número de casos de sarampo no país subiu para 17. Em menos de uma semana registaram-se cinco novas infeções do vírus. Em resposta ao Contacto, o ministério da Saúde luxemburguês acrescenta que a maioria dos casos continuam ligados à Escola Europeia de Mamer. Na origem do surto estará uma criança que passou recentemente férias numa estância de inverno em Val Thorens, em França, onde vários jovens foram esquiar. 

Ainda ontem o Contacto noticiou que uma das duas vacinas contra a doença - a vacina quadrivalente contra o sarampo, rubéola, papeira e varicela (RORV, na sigla francesa) - administrada aos bebés entre os 12 e os 23 meses se encontra esgotada no país. A vacina deverá voltar a estar disponível a 15 de abril. 

No quadro do plano nacional de vacinação, a imunização contra o sarampo e as outras doenças acima referidas já é gratuita para as crianças, mas o governo estendeu-a na semana passada aos adultos devido ao surto, sobretudo os nascidos após 1980 que não tenham tomado as duas doses da vacina na infãncia. Para estes é recomendada a toma da vacina tripla (imunização contra o sarampo, rubéola e papeira), imunização que continua disponível no país.

 Apesar de a vacinação não ser obrigatória no país, as autoridades de saúde recomendam a imunização das crianças até aos 23 meses de idade com as duas doses da vacina única contra o sarampo, a papeira, a rubéola e a varicela (RORV), uma dose aos 12 meses e outra entre os 15 e os 23Os adultos nascidos depois de 1980 que não tomaram esta vacina são também aconselhados a fazê-lo (neste caso apenas a ROR), agora também de forma gratuita.   

Ministério quer "luta firme contra campanhas de desinformação"

Há várias semanas, o Contacto noticiou a existência de um movimento antivacinação no Luxemburgo que refere existirem cada vez mais pais interessados em não vacinar os filhos. Questionado sobre esta associação em concreto, o ministro da Saúde, Étienne Schneider, recusou-se, na altura, a fazer qualquer comentário. Hoje, apesar de não referir nenhum movimento em concreto, o Ministério da Saúde fala na necessidade de "lutar firmemente contra campanhas de desinformação que põem em causa a eficácia e segurança e destabilizam pais". 

Desta forma, o executivo vai continuar a promover a necessidade da vacinação através de campanhas de sensibilização e "argumentos que combatem preconceitos e falsas opiniões", refere em resposta escrita ao Contacto. 

Étienne Schneider salienta também os esforços da comunidade médica, incluindo pediatras e médicos de família, e das escolas na sinalização imediata de casos relacionados com estas doenças infeciosas. 

Governo que não quer tornar vacina obrigatória  

Questionado há duas semanas pelo Contacto sobre este surto, o ministro Étienne Schneider referiu que não considerava necessário tornar a vacinação obrigatória, tal como o fizeram recentemente França e Itália devido ao aumentos exponencial de casos de sarampo. A Alemanha pondera fazer o mesmo. O ministro justifica que nos casos francês e italiano as taxas de cobertura da vacina tinham caído de forma abrupta em 2018, o que originou os surtos da doença.     

Em 2018, o Luxemburgo registou apenas quatro casos de sarampo. Em abril de 2019, com 17 casos já identificados, o balanço vai certamente ser mais elevado no final deste ano. 

Segundo os dados disponibilizados pelo Ministério, em 2018, a primeira dose tinha uma taxa de cobertura de 98,7% (apesar de em 2012 ser de 99%), sendo que na segunda dose a taxa baixa era de 90% (ainda assim mais elevada do que em 2012 - 87,2%). Esta última está abaixo da taxa de cobertura mínima necessária para aasegurar a "proteção coletiva" a longo prazo contra o sarampo. 

Tal como explicou recentemente ao Contacto a diretora-adjunta da Direção da Saúde do Grão-Ducado, Françoise Berthet: "No caso do sarampo, se 95% da população é vacinada, a transmissão dos vírus é interrompida visto que as pessoas vacinadas constituem uma ‘barreira’ mesmo para quem não está vacinado", explicou. Caso contrário, o vírus continua 'em circulação' com o potencial risco de causar surtos. 

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