Caso de sucesso de português no Luxemburgo

Português ajuda a desenvolver novo sistema de localização aérea

Chama-se Sérgio Amado e é um dos engenheiros envolvidos no novo sistema de localização aérea da empresa líder mundial de satélites, a Sociedade Europeia de Satélites (SES). O projecto está em fase final e promete evitar casos como o desaparecimento do avião da Malaysain Airlines.

Sérgio Amado é engenheiro de software e trabalha na empresa luxemburguesa Sociedade Europeia de Satélites (SES) há três anos. Antes de chegar ao Luxemburgo com a família, trabalhava já como especialista em robótica em Portugal.
Sérgio Amado é engenheiro de software e trabalha na empresa luxemburguesa Sociedade Europeia de Satélites (SES) há três anos. Antes de chegar ao Luxemburgo com a família, trabalhava já como especialista em robótica em Portugal.
Foto: Anouk Antony

À chegada às instalações da empresa luxemburguesa SES, no castelo de Betzdorf, o CONTACTO foi recebido não por um, mas por dois portugueses. O anfitrião Sérgio Amado fazia-se acompanhar pela relações públicas Carolina Thiede. A jovem de origem portuguesa começou imediatamente a contar a história do castelo de Betzdorf, onde nasceu o Grão-Duque Henri.

Sérgio Amado é formado em Engenheira Industrial pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa. Em 2010, o engenheiro encontrou na internet uma proposta de trabalho e não hesitou em candidatar-se, mesmo sem saber que o Luxemburgo era o destino final. Na bagagem trazia dez anos de experiência em robótica.

“O salto para o Luxemburgo deve-se a um conjunto de eventos. Comecei a trabalhar na área da Defesa e passei depois para o ramo aeroespacial onde fazia controlo de satélites. Tinha já dez anos de experiência. Depois vi um anúncio na internet com uma oferta semelhante ao que estava a fazer, numa empresa que eu conhecia e que era uma das três líderes mundiais nesta área. Não sabia ao certo que vinha para o Luxemburgo, mas candidatei-me”, conta Sérgio, logo no início da conversa.

O processo de candidatura demorou perto de um ano e depois de vários testes e entrevistas, Sérgio chegou com a família ao Grão-ducado. Actualmente, o engenheiro está a desenvolver um sistema que permite localizar todos os voos via satélite, mesmo aqueles que fogem do alcance dos radares terrestres.

“Actualmente os aviões comerciais, na sua maioria, já têm um emissor de dados a cada minuto. Emitem a velocidade, a posição, a altitude, etc. A questão é que o planeta não está todo coberto de estações que consigam captar essas informações. Neste momento, quando um avião comercial passa sobre um oceano, como por exemplo a área transatlântica, ou sobre uma área desértica, deixa de ser controlado porque não há capacidade tecnológica para captar o sinal nessas zonas. O que este projecto traz de novo é que, com este sistema ADS-B, o avião passa a ser sempre controlado. Os satélites vão passar a receber sempre estas informações e a emiti-las para o solo para se poder controlar o avião a todo o momento e em todo o seu percurso“, garante o engenheiro de software.

Mas as vantagens deste novo sistema de localização aérea não se ficam só pela cobertura das áreas até agora sem captação de sinais. As companhias aéreas podem até mesmo poupar combustível.

“Este novo sistema pode reduzir o custo das infra-estruturas, porque os satélites tendem a ser mais eficientes que as estruturas dos aeroportos, que são limitadas geograficamente e que não cobrem todo o percurso de voo. Pode ser também uma segunda fonte de informação, de acordo com as necessidades. Pode permitir ainda, por via indirecta, às companhias aéreas fazerem uma optimização das suas rotas de voo, da subida do avião ou da maneira como fazem a abordagem à pista. Essa recolha de dados pode ajudar a optimizar o consumo de combustível”.

E os clientes interessados nos dados recolhidos pelo novo sistema não faltam.

“Há uma multitude de utilizadores que têm interesse em ter uma fonte única de velocidade, altitude, orientação e posição, e isto a emitir a cada segundo. As companhias aéreas têm interesse na recolha desses dados, mas também outras entidades. Falamos de entidades de controlo aéreo que poderão vir a passar a controlar os aviões em zonas que não têm controlo neste momento, e outras entidades ligadas ao tráfico aéreo que têm interesse nessas informações, nem que sejam para estatística“.

Depois do estudo inicial e da fase de testes, o projecto está agora em fase de conclusão. Os dados já estão a ser recolhidos pelo satélite de teste, faltando apenas definir qual o melhor posicionamento dos satélites a serem lançados para o espaço. Com essa constelação de satélites em órbita vai ser então possível a cobertura total do globo.

Henrique de Burgo