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Cartoon de artista português retirado do The New York Times por ser "antissemita"

Cartoon de artista português retirado do The New York Times por ser "antissemita"

Foto: António
Sociedade 2 min. 30.04.2019

Cartoon de artista português retirado do The New York Times por ser "antissemita"

Cartoonista disse ao jornal Expresso que lamenta que o jornal tenha cedido à pressão.

O jornal americano The New York Times esteve recentemente envolvido em polémca devido à publicação de um cartoon, desenhado pelo artista português António Moreira Antunes, - que assina como António - que foi considerado antissemita. O caso aconteceu há vários dias quando o jornal publicou na edição internacional impressa a imagem onde o presidente dos EUA, Donald Trump, aparece a usar uma 'kipá '(adereço judeu) e a segurar numa trela com a estrela judaica um cão com o rosto do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.

Após várias críticas de internautas e da comunidade israelita a publicação decidiu retirar o cartoon e escreveu uma nota editorial aos leitores a justificar a decisão. A imagem era "ofensiva" e "foi um erro de julgamento decidir publicá-la", consideraram os editores na nota publicada na secção de opinião.

Como habitualmente, Trump usou o Twitter para falar sobre o assunto e exigir um pedido de desculpas por parte do jornal. "O The New York Times pediu desculpas pelo terrível cartoon anti-semita, mas não pediram desculpas a mim por isto e por todas as notícias falsas e corruptas que publicam diariamente. Atingiram o nível mais baixo do 'jornalismo' e, certamente, um ponto baixo na história do New York Times", escreveu o presidente.

Em declarações ao jornal português Expresso, Antunes referiu que a imagem não tem uma conotação anti-semita e que lamenta que a publicação tenha cedido à pressão. "É uma crítica à política de Israel, que tem uma conduta criminosa na Palestina, ao arrepio da ONU, e não aos judeus. O The New York Times ser vulnerável a grupos de pressão é uma coisa que não gostaria de ouvir. Provavelmente tem a ver com as suas linhas de financiamento, não sei. É um espetáculo triste", afirmou.

O cartoon foi originalmente publicado no Expresso, que integra uma plataforma que distribui cartoons para fins jornalísticos, a  CartoonArts International. Representa mais de 550 artistas de mais de 75 países.

Segundo o jornal israelita The Jerusalem Post, há mais de 35 anos, António Antunes passou por um episódio semelhante quando desenhou uma caricatura relacionada com a guerra israelo-libanesa, que retratava soldados das forças armadas israelitas como nazis. Apesar do descontentamento da comunidade judaica, a imageu valeu ao artista português um prémio internacional em 1983. 

Já em 1992, um outro cartoon de António, desta vez publicado no jornal Expresso, causou controvérsia, desta vez envolvendo o Papa João Paulo II. Na imagem o sumo pontífice aparecia com um preservativo no nariz

Ana Patrícia Cardoso