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Canalizadores e eletricistas vão sobreviver aos robôs
Sociedade 4 min. 23.05.2019

Canalizadores e eletricistas vão sobreviver aos robôs

Canalizadores e eletricistas vão sobreviver aos robôs

Foto: DR
Sociedade 4 min. 23.05.2019

Canalizadores e eletricistas vão sobreviver aos robôs

Daqui a 20, 30 anos muitos trabalhadores com curso superior, nas mais diversas profissões, serão substituídos por robôs. Mas trabalhos onde é necessário ter destreza manual e técnica, e capacidade de improviso são profissões de aposta segura. “O robô canalizador ainda vai demorar muito, muito tempo a chegar”, considera o cientista Andrew McAfee do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

A robotização é imparável, mas ninguém sabe ainda muito bem para onde vai. Há uns anos o jornalista Paul Mason escreveu o livro "Pós-Capitalismo", em que se citavam um conjunto de estudos da OCDE que previam para 2060 a perda de cerca de 50% dos empregos, sobrevivendo sobretudo os empregos mais mal pagos e os mais bem pagos. Apenas se safavam a ser substituídos por máquinas as profissões que precisavam de interagir com o público, como as do setor do turísmo, e aquelas que exigiam muita formação e criatividade. 

Nos últimos tempos multiplicam-se estudos sobre o impacto da inteligência artificial no trabalho, e as mudanças que as novas tecnologias irão trazer na realidade laboral e os resultados são diferentes, sem deixar de ser assustadores.

Em Portugal, e num futuro que está já ao virar da esquina, ou seja, daqui a 10 anos, mais de um milhão de postos de trabalhos poderão ser eliminados pela automação e pela robótica, isto no comércio e indústria, de acordo com o estudo “O futuro do Trabalho em Portugal”, apresentado pela CIP. E todas estas perdas acontecem com tecnologias já desenvolvidas. Imagine-se se somarmos àquelas que ainda irão surgir.

Este cenário de mudança dramática tem sido previsto pelos especialistas em inteligência artificial. Em particular por Martin Ford, da Universidade de Michigan, EUA, cujo seu livro ‘Robôs: a ameaça de um futuro sem emprego’, de 2015, recebeu o prémio do melhor livro de negócio do ano do Finantial Time e McKinsey Business.

Por isso, este norte-americano tido como “futurista” e uma referência na temática do impacto da robótica e inteligência artificial no trabalho e economia aconselha os pais a mudarem de estratégia quanto à educação dos filhos.

As profissões de “colarinho branco” serão as primeiras a desaparecer, isto daqui a vinte anos, contou em entrevista ao Observador.

As profissões com mais futuro? Canalizador e eletricista, são duas delas. E enfermeira, também.

Porque explica Martin Ford, há que apostar em profissões que “envolvam mais criatividade e que envolvam interação direta com outras pessoas. E, também, trabalhos técnicos, que implicam alguma qualificação, mas não necessariamente universidade, como eletricista e canalizador”.

Estes, diz em entrevista ao Observador, “são trabalhos que tão cedo não irão ser substituídos por máquinas, porque envolvem muita destreza de mãos, perceção visual em ambientes imprevisíveis”.

“Criar um robô que seja capaz de fazer este trabalho envolveria algo como o ‘C3PO’ de Star Wars. Isso ainda está muito distante, não temos nada que se assemelhe minimamente a isso”, garante este especialista.

Por outro lado, muitas dos profissionais com curso superior, como por exemplo, radiologistas, informáticos ou até mesmo advogados, segundo este autor, irão ser mais facilmente substituídos por robôs ou sistemas de inteligência artificial. Todos aqueles em que predominam as tarefas “rotineiras, repetitivas, previsíveis”. Embora seja difícil de perceber em que medida a admnistração de justiça possa ser apenas uma mera consulta a uma base de dados com lei, e não precise de um contexto e uma ponderação humana, mas é bom de ver que toda a previsão tem as suas lacunas. 

“Todos os empregos onde a pessoa chega, todos os dias, e faz as mesmas coisas, estão em perigo. Isso inclui muitos chamados empregos de colarinho branco”, defende Martin Ford que aconselha as pessoas, na medida do possível, a afastarem-se, “em termos de carreira dessas tarefas e empregos”.

E, nem é possível fugir de uma carreira destas para outra. Será praticamente tudo tomado pela robótica à exceção de algumas profissões. Como explicou Martin Ford ao The New York Times, a evolução da automatização e da robótica irá criar “máquinas novas mais sofisticadas não só para substituir as antigas”, como máquinas novas em setores até então salvos da robótica que substituirão trabalhadores. “Máquinas que irão empurrar os humanos de área para área e segui-los para praticamente qualquer nova área para onde fujamos”, vinca este autor.

Na altura da entrevista a este jornal norte-americano, 2017, os três filhos de Martin Ford, Tristan, 22 anos, Colin, 17 anos, e Elaine, 10 anos, ainda estudavam todos. O jornalista perguntou-lhe se os seus filhos seguiram os conselhos do pai. E de facto, seguiram. O mais velho estava a frequentar uma pós-graduação de engenharia biomédica, uma das profissões que depende do pensamento criativo e o seu filho do meio, desejava seguir psicologia, uma ciência onde a empatia e comunicação interpessoal é muito importante. Profissões, supostamente, com futuro, portanto.

Também o cientista Andrew McAfee do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em declarações àquele jornal norte-americano, partilha da opinião de Martin Ford.

“Acho que o coach será uma das profissões do futuro”, e os “restaurantes que tiverem uma equipa que saiba receber os clientes, que prima pela hospitalidade também irão sobreviver, apesar do menu online ter mais opções de escolha”, perspetivou McAfee.

“As pessoas interessadas em trabalhar com as mãos irão ficar muito bem. O robô canalizador ainda vai demorar, muito, muito tempo a chegar”, vincou.

Paula Santos Ferreira

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