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Cabo-verdianos no Luxemburgo financiam consulta a 100 crianças na ilha de Maio

Cabo-verdianos no Luxemburgo financiam consulta a 100 crianças na ilha de Maio

Foto: Pierre Matge
Sociedade 29.08.2018

Cabo-verdianos no Luxemburgo financiam consulta a 100 crianças na ilha de Maio

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
Cem crianças da cidade de Maio, em Cabo Verde, vão poder ter consultas gratuitas entre esta quarta-feira, 29 de agosto, e 5 de setembro, graças a um projeto solidário que nasceu no Luxemburgo.

Os irmãos Jailson e Nelson Melício, mentores do projeto, financiam o transporte de um médico pediatra do hospital Dr. Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, a autarquia da ilha de Maio ocupa-se da estadia e alimentação, enquanto a delegação local de saúde cede o espaço e organiza as consultas.

“Na ilha de Maio queriam marcar consulta para 200 crianças, mas o médico não vai poder atender esse número só numa semana. Por isso, a consulta é para 100 crianças”, disse, ao Contacto, Jailson Melício.

O médico José Luís Spencer trabalha desde 2003 no serviço de pediatria do hospital Dr. Baptista de Sousa, tendo sido também diretor deste serviço. Durante as suas férias, este pediatra com especialidade em pneumologia vai dedicar uma semana de trabalho pro-bono (serviço público sem remuneração).

“Ele abdicou do honorário e assim ficamos só com as despesas de transporte de duas pessoas, já que ele vai acompanhado pela mulher, que é técnica de análises clínicas”, explica Jailson Melício, natural da ilha de Santo Antão e residente em Diekirch.

O Centro de Saúde do Maio conta atualmente com um médico generalista, o que é apontado como um dos muitos problemas da ilha. “Eu não conheço a ilha de Maio, nunca estive lá, mas sei que é uma das ilhas mais isoladas, com menos apoios, menos ligação aérea e marítima. Acho que é um dos locais que mais precisam de apoio. Este projeto pode ser um pontapé de saída e espero que possa incentivar outros médicos especialistas a fazer este tipo de trabalho solidário, por exemplo, no Maio, Boavista, Brava, São Nicolau ou Santo Antão, onde não há especialidades”, augura o imigrante.

“Futuramente pode ser que consigamos levar especialistas de cá, mas a prioridade é trabalhar com os profissionais em Cabo Verde”, conclui.