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Cabo-verdianos do Luxemburgo vão ter voz nos congressos do partido PAICV
Jaílson Melício foi eleito primeiro secretário do PAICV-Luxemburgo.

Cabo-verdianos do Luxemburgo vão ter voz nos congressos do partido PAICV

Foto: Anouk Antony
Jaílson Melício foi eleito primeiro secretário do PAICV-Luxemburgo.
Sociedade 4 min. 04.12.2017

Cabo-verdianos do Luxemburgo vão ter voz nos congressos do partido PAICV

A representação do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV) no Luxemburgo passou de núcleo a setor, ou seja, vai poder ter voz nas eleições internas do partido.

A representação do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV) no Luxemburgo passou de núcleo a setor, ou seja, vai poder ter voz nas eleições internas do partido.

A transição foi feita a 26 de novembro numa cerimónia presidida pela líder parlamentar e presidente do maior partido de oposição de Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, no salão nobre da comuna de Ettelbruck.

“A nossa presidente Janira Hopffer Almada veio para presidir este ato, em que foi instituído o setor do PAICV do Luxemburgo. Agora, passamos a ter uma representação oficial, o que implica que passamos a ter um peso nos congressos do nosso partido. Antes não tínhamos voz e voto nos congressos, mas a partir de agora vão dar-nos outra atenção”, disse ao Contacto o novo primeiro secretário do setor luxemburguês, Jaílson Melício, eleito na mesma cerimónia, sucedendo a Antão Freitas.

A prioridade do novo líder do PAICV-Luxemburgo passa agora por unir o partido no Grão-Ducado. “A prioridade é ter um partido cada vez mais unido no Luxemburgo para ajudar o nosso partido em Cabo Verde a ter uma boa participação nas próximas eleições [eleições autárquicas em 2020, legislativas e presidenciais em 2021] e alcançar uma vitória, porque é a vitória de cada setor no estrangeiro ou em Cabo Verde que leva a uma vitória final do partido em Cabo Verde”, refere Jaílson Melício, que foi candidato pelos socialistas do LSAP nas recentes eleições comunais luxemburguesas em Mersch.

Foto Anouk Antony

Depois de alguns anos de militância partidária esta é a primeira vez que o imigrante cabo-verdiano assume um cargo dentro do PAICV. “Encaro este desafio com muita responsabilidade e força de vontade. Defendo um partido honesto, coerente, coeso e com objetivos. Temos uma situação difícil em Cabo Verde e não podemos estar a criticar uma coisa e estar a fazer outra coisa.”

Esta eleição acabou por não ser nenhuma surpresa já que apenas uma lista apresentou a sua candidatura. “Não houve nenhuma surpresa. As candidaturas foram lançadas, mas não apareceu mais nenhuma lista. Fizemos então uma lista de união com pessoas de todas as gerações e sensibilidades dentro do partido aqui no Luxemburgo. O partido é apenas um instrumento para ajudar o bem comum e a sua razão de existência, que é Cabo Verde”, refere Jaílson Melício.

A equipa liderada por Jaílson Melício é composta por Orlanda Monteiro, Ângela Mota, António Lima, Artur Teixeira, César Gomes, Francelino Gonçalves, Ilídio Medina, José Lopes da Veiga, Lucas Correia, Ludmila Pires, Maria Rodrigues Coelho, Nilsa Fonseca, Outelindo Monteiro, Paulo Santos, Romilton Rodrigues, Vicente Lima e Victor da Veiga. A comissão jurídica e de fiscalização é composta por Amilton Fonseca, Alcides Nobre pires, Autelindo do rosário, João Baptista Delgado e Vicente Lima.

O antigo núcleo do PAICV no Luxemburgo foi presidido anteriormente por João da Luz, Presidente da Federação das Associações Cabo-verdianas no Luxemburgo, e por António Freitas, pai de Antão Freitas.

Foto: Anouk Antony

“Governo faz silêncio absurdo sobre os TACV”

Questionado sobre a atualidade política do arquipélago, Jaílson Melício destaca a polémica questão dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV).

Luxemburgo, Portugal, União Europeia, Banco Mundial e outros parceiros de Cabo Verde vêm há largos anos a alertar para os riscos fiscais dos TACV e de outras empresas sobre-endividadas.

Como resposta a esta pressão, o executivo do primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, do Movimento para a Democracia (MpD), está a levar a cabo uma restruturação com vista à privatização da companhia área pública, que deverá despedir mais de 200 trabalhadores.

A reestruturação passa pela cedência das rotas domésticas dos TACV à companhia Binter CV, empresa subsidiária da Binter Canárias, e da gestão da parte internacional à companhia Icelandair. Mas até agora o Governo teima em não tornar públicos os referidos contratos.

“Um problema complexo”, refere Jaílson Melício, que acusa o executivo cabo-verdiano de fazer “um silêncio absurdo de confidencialidade com a coisa pública, como se de um negócio de família se tratasse. O Governo destruiu uma empresa nacional para dar a estrangeiros, quando poderia subsidiar os TACV Inter-Ilhas para servir os cabo-verdianos”.

Foto: Anouk Antony

O novo líder do PAICV-Luxemburgo aponta ainda o dedo à questão da segurança, que “tem estado a agravar-se, com assassinatos mais frequentes e mais ousados, e assaltos à mão armada em plena luz do dia”.

Sobre a política dirigida à diáspora, diz que nada mudou. “É mais do mesmo: promessas e nada de concreto. Nas alfândegas é o saque do costume aos emigrantes. As taxas de despacho são elevadas e não há uma tabela de preços preconcebida. Os emigrantes continuam a ser apenas um abono para a economia de Cabo Verde e sem nenhuma proteção”, sublinha.

Questionado sobre o apoio à líder parlamentar, presidente do PAICV e vice-presidente da Internacional Socialista, Janira Hopffer Almada, Jaílson Melício diz que vai continuar a apoiá-la.

"Apoiei a Janira nas últimas eleições internas, quando havia três candidatos, e vou continuar a apoiá-la. É a nossa presidente e nas próximas eleições internas, marcadas para daqui a dois anos, vai merecer o meu voto de confiança. Ainda é cedo e não vejo ninguém a posicionar-se como oposição dentro do partido, mas espero que ela seja a nossa candidata para as eleições legislativas daqui a quatro anos", conclui.

Henrique de Burgo

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