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Bruxelas prepara-se para três grandes ameaças globais à saúde
Sociedade 5 min. 13.07.2022 Do nosso arquivo online
Saúde global

Bruxelas prepara-se para três grandes ameaças globais à saúde

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Bruxelas prepara-se para três grandes ameaças globais à saúde

Foto: Getty Images/iStockphoto
Sociedade 5 min. 13.07.2022 Do nosso arquivo online
Saúde global

Bruxelas prepara-se para três grandes ameaças globais à saúde

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Novos vírus que poderão provocar pandemias, ameaças biológicas, químicas e nucleares provocadas por entidades criminosas e resistência aos antibióticos conhecidos. Além disso, no outono a covid voltará em força ao centro das notícias.

A Comissão Europeia apresentou esta terça-feira as três grandes ameaças à saúde dos cidadãos da UE que vão exigir coordenação ao nível centralizado, e através da nova autoridade HERA de prevenção e resposta sanitária.

As grandes ameaças que foram identificadas pela HERA (Health Emergency Preparedness and Response Authority, na denominação em inglês) estão incluídas em três categorias de eventos que podem provocar risco de vida ou perigos graves para a saúde com potencial de se espalhar através das fronteiras dos países – como aconteceu com o caso da covid-19.

As três ameaças são 1) agentes patogénicos com alto potencial pandémico 2)ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares e 3) ameaças resultantes de resistência aos antibióticos.

A comissária europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, salientou que “pela primeira vez apresentamos as três maiores ameaças para as quais temos que nos preparar. Este exercício é o primeiro passo para assegurar que as contra medidas médicas podem ficar disponíveis e acessíveis para todos os países rapidamente quando necessário. A HERA é o nosso farol de observação para futuras emergências e está agora a começar a responder por essa missão”.

A identificação das próximas grandes ameaças foi feita em colaboração com agências da UE e com parceiros e peritos internacionais. E a resposta a estas ameaças sanitárias de alto impacto será dada também em colaboração e alinhamento com outras entidades responsáveis pela saúde global, nomeadamente com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os três riscos sérios

Em relação aos agentes patogénicos com potencial pandémico, há famílias de vírus de risco acrescido, tendo em conta sobretudo a sua origem zoonótica (de origem em outras espécies de animais). Segundo a HERA, esta categoria inclui sobretudo vírus de infeções respiratórias (do tipo dos coronavírus). 

As ameaças biológicas, químicas, radiológicas e nucleares podem ser causadas acidentalmente ou de propósito, e, tendo em conta as tensões geopolíticas existentes, prevê-se que possam ser causadas por atores ou Estados criminosos e no âmbito dos novos ataques bélicos - chamados ameaças híbridas - que podem dispensar as armas convencionais, mas serem uma ameaça altamente eficaz contra populações. 

As ameaças resultantes da resistência aos antibióticos poderá ser um enorme perigo para a saúde humana, e as cada vezes mais difíceis de combater infeções hospitalares são um exemplo da ineficácia crescente dos antibióticos que os médicos têm à disposição . Esta ameaça é desde há muitos anos identificada pela OMS como um dos maiores riscos mundiais para a saúde humana podendo reverter décadas de progresso no tratamento de doenças que agora temos como quase inofensivas. 

Estima-se que atualmente a resistência aos antibióticos provoque mais de 1.2 milhões de mortes no mundo inteiro. O excesso de uso e sobretudo a sua aplicação na grande indústria de produção de carne é um dos motivos pelos quais os antibióticos que conhecemos estão a revelar-se incapazes de lutar contra grande parte das bactérias.

A partir de agora, segundo anunciou a Comissão, vai ser iniciado o desenvolvimento de medicamentos e tratamentos e várias medidas médicas, incluindo o armazenamento de material de diagnósticos e medicamentos para responder a estas três grandes famílias de ameaças, quando ocorrerem.

O regresso da covid em força no outono, como já é costume

Esta quarta-feira, Andrea Ammon, a diretora do Centro Europeu de Prevenção de Doenças (ECDC), disse numa sessão de perguntas dos eurodeputados da comissão de Saúde que “estamos a assistir a uma nova vaga de covid-19 através de toda a União Europeia correspondente à que Portugal viveu há umas semanas”.

Ammon sublinhou que, neste momento, “não há dúvida nenhuma que a pandemia ainda não acabou . E não é momento para complacência porque há ainda muita gente em risco de doença grave.” Em compensação, disse, há provas de que as vacinas ainda são eficazes a prevenir doença grave e morte, mas a recente extrapolação de dados levou o ECDC e a agência europeia do medicamento, EMA, a emitir a recomendação , na passada segunda-feira de que a população com mais de 60 anos deverá receber um novo reforço (a quarta dose) da vacina o mais depressa possível, “para diminuir significativamente o risco de doença grave e morte”.

O outono avizinha-se complicado – como já vem sendo habitual – após o relaxamento das medidas no verão e o intenso período de viagens. Ammon disse ainda que os especialistas “não sabem qual será a situação epidemiológica no outono ou que variante será a dominante”. E pediu que os países se comecem a preparar para a nova vaga de covid, mas também para a gripe e para os outros vírus respiratórios. Na próxima semana, em conjunto com a OMS serão emitidas as linhas de orientação.

A estirpe dominante do outono ainda é desconhecida

Na mesma sessão com os deputados, Pierre Delsaux, diretor-geral da HERA, salientou que as vacinas continuam a ser eficazes, embora menos do que para as estirpes originais, e que a campanha de vacinação mundial permitiu evitar no mundo inteiro 20 milhões de mortes. Também ele avisou que depois do verão “vai haver uma nova vaga e não sabemos qual será a estirpe dominante”. 

As boas notícias, disse, é que a UE tem garantidas as vacinas suficientes com a Moderna e a Pfizer para voltar a imunizar a população. Segundo Delsaux, há ainda duas vacinas a serem negociadas, com a francesa Sanofi e com um a farmacêutica espanhola, que estão neste momento à espera de autorização da EMA. Delsaux sublinhou que quando mais cedo se começar a fazer o reforço de vacinas melhor, e que as novas campanhas deveriam começar já em setembro.

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