Escolha as suas informações

Brexit. Portuguesa desesperada interrompe entrevista
Sociedade 4 min. 29.08.2019

Brexit. Portuguesa desesperada interrompe entrevista

Brexit. Portuguesa desesperada interrompe entrevista

Foto: Sky News
Sociedade 4 min. 29.08.2019

Brexit. Portuguesa desesperada interrompe entrevista

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
“O que vou fazer? Como vou ficar? Quais são os meus direitos?” disse ao canal de televisão Sky News.

Na quarta-feira passada, 28, a Rainha Isabel II aprovou a suspensão do Parlamento britânico a pedido do pedido-ministro Boris Johnson. 

O pedido entra em vigor a partir da segunda semana de setembro até 14 de outubro. A medida foi fortemente criticada pela oposição, que vê nela uma tentativa de limitar significativamente o tempo para os deputados apresentarem medidas para impedir uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo.

Apenas um dia depois, o jornal britânico The Guardian afirma que a petição para travar a suspensão já atingiu mais de um milhão de assinaturas. Nas ruas, houve vários protestos contra a suspensão e o Brexit e um testemunho, em particular, chamou a atenção. 

A mulher portuguesa que não se identificou interrompeu a entrevista para falar sobre o seu caso. A emigrante está no país há 20 anos. “Sou portuguesa, trabalhei aqui 20 anos e não tenho voz. O processo de pedido de residência não está a funcionar. Protesto porque eu preciso de uma voz." 

Visivelmente transtornada, afirmou que deu ao Reino Unido toda a sua juventude. “Estou muito grata por aquilo que me ensinaram. Mas devem integrar-me em todo este processo. Não posso simplesmente ser chutada daqui para fora. Eu construí coisas para vocês, tomei conta dos vossos filhos e tratei dos mais idosos deste país. Agora expulsam-me com o quê? Com o quê? Sinto-me muito magoada com o que eles [os apoiantes do Brexit no Parlamento] fizeram com Inglaterra. Eu vim para aqui e juntei-me à força de trabalho. E estou muito orgulhosa”, disse.

O jornalista perguntou-lhe como estava o processo de pedido residência e esta respondeu que lhe foi dito que "o meu número de seguro nacional não correspondia ao que devia ser. Agora dizem que têm de parar o processo porque 31 de outubro [a data prevista para a saída do Reino Unido da União Europeia] está a chegar.” 

Como ficar no Reino Unido "pós-Brexit"? 

Desde 2015 que, para ganhar a nacionalidade britânica, os cidadãos europeus precisam de apresentar a prova de residência permanente no Reino Unido, procedimento que também aumentou significativamente nos últimos anos. De acordo com dados da Lusa, no início deste ano, 58.364 portugueses tinham pedido este documento, dos quais 46.052 (79%) foram bem-sucedidos, enquanto os restantes foram recusados ou invalidados. Segundo a INews, apenas um terço dos três milhões de cidadãos da UE no Reino Unido solicitaram o estatuto de residente permanente ao abrigo do regime do Governo.

O estatuto de residente permanente, o "settled status", é atribuído àqueles com cinco anos consecutivos a viver no Reino Unido, enquanto os que estão há menos de cinco anos no país terão um título provisório (pre-settled status) até completarem o tempo necessário. 

O procedimento, gratuito e feito exclusivamente através da Internet, foi oficialmente aberto em 30 de março após vários testes, e pretende fazer regularizar o estatuto migratório dos cidadãos que vão perder o direito à liberdade de circulação devido à saída do Reino Unido da UE. Este não é um direito automático, mas tem de ser solicitado e concedido pelas autoridades britânicas, o que terá de ser feito no mínimo até ao final de 2020.

 Até junho, 69.200 portugueses já pediram residência no Reino Unido. Até ao final de maio candidataram-se ao estatuto de residente cerca de 788.200 pessoas, das quais 668 mil já têm os processos concluídos, 66% com o estatuto de residente permanente e 34% com o estatuto de residente temporário, disse o Ministério do Interior britânico. Destes, 750 mil pessoas são cidadãos dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE), 33.400 familiares não europeus e 4.500 nacionais da Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas