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Óbito. João da Luz vai ter última homenagem no sábado, em Betzdorf
João da Luz.

Óbito. João da Luz vai ter última homenagem no sábado, em Betzdorf

Foto: Rui Melo
João da Luz.
Sociedade 8 2 min. 02.07.2018

Óbito. João da Luz vai ter última homenagem no sábado, em Betzdorf

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
O corpo do radialista, jornalista, político e dirigente associativo cabo-verdiano João da Luz, que faleceu na segunda-feira, vai ser cremado esta quarta-feira em Hamm, às 13h20, numa cerimónia reservada à família. No entanto, a última homenagem ao carismático líder comunitário, que faleceu aos 62 anos, vítima de doença prolongada, vai ser aberta à comunidade, mas no sábado.

Às 15h, parte um cortejo do cemitério de Rood-sur-Syre (rue Hiel) com as cinzas em direção a uma pequena capela local. Os interessados poderão acompanhar o cortejo até ao local onde depois só a família poderá passar com as cinzas. Depois, terá lugar uma cerimónia de homenagem no centro cultural Syrkus, em Roodt-sur-Syre, que vai contar com intervenções de responsáveis da comuna de Betzdorf, do embaixador de Cabo Verde, Carlos Semedo, familiares e amigos.

João da Luz, conhecido na comunidade como Djony, afastou-se no último ano da vida associativa e dos microfones do programa Morabeza por razões de saúde.

Reações da comunidade

Depois da notícia da morte de João da Luz, avançada pelo Contacto, a comunidade inundou as redes sociais com mensagens de homenagem. Já o embaixador de Cabo Verde no Luxemburgo, Carlos Semedo, lembrou esta terça-feira “a vida dedicada às causas da diáspora cabo-verdiana” e “os princípios de tolerância, solidariedade e respeito pelos outros”.

O sucessor de Djony à frente da Federação das Associações Cabo-verdianas (FACVL), Pedro Santos, destaca num comunicado conjunto com a Maison des Associatons, “a figura emblemática e incontornável da comunidade (...) marcada pela sua maneira de juntar pessoas de todas as origens”.

Várias associações manifestaram o voto de pesar, com algumas delas a anular alguns eventos festivos, como o caso da APADOC.

De Cabo Verde, o ex-primeiro-ministro José Maria Neves reagiu à morte de João da Luz dizendo-se "consternado".

A antiga ministra das Comunidades, Fernanda Fernandes, lembra a “generosidade e dedicação às boas causas, a favor da comunidade cabo-verdiana, de Cabo Verde e da sociedade luxemburguesa”.

A anterior encarregada de negócios da embaixada de Cabo Verde, Clara Delgado, endereçou as condolências à família e a toda a comunidade no Luxemburgo.

Referência dos cabo-verdianos em várias áreas

Djony trocou a ilha cabo-verdiana do Sal pelo Luxemburgo em 1974, com 18 anos. Filho de José da Luz (fundador da primeira associação cabo-verdiana no país), esteve ligado desde cedo ao mundo associativo.

Foi membro fundador de diversas associações e formalmente presidente da Federação das Associações Cabo-verdianas no Luxemburgo até março deste ano, quando foi substituído pelo seu vice-presidente Pedro Santos.

Em 1978, participou no primeiro encontro da Diáspora Cabo-verdiana, em Mindelo, e em 1986 organizou a primeira visita a Cabo Verde de um grupo de dirigentes associativos luxemburgueses, que esteve na origem da cooperação Luxemburgo-Cabo Verde.

Djony foi desde há largos anos o principal dinamizador do programa Morabeza, da Rádio Latina, tendo sido também correspondente do jornal Contacto e do programa Nação Global, da Rádio Nacional de Cabo Verde.

Na vida política, além de destacado ativista, foi representante do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) no Luxemburgo, tendo sido sucedido no cargo por Antão Freitas, em 2011. No Luxemburgo, foi candidato pelo partido déi Greng às últimas eleições comunais (2017) na sua comuna de residência, em Betzdorf.

João da Luz foi homenageado ainda em vida pela comunidade, pelo primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Comunidade, Luís Filipe Tavares, em 2016, no Dia Nacional da Cultura e das Comunidades, na cidade do Luxemburgo.


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