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Bilhete. O sexo "nem-nem"
Editorial Sociedade 14.03.2019

Bilhete. O sexo "nem-nem"

Bilhete. O sexo "nem-nem"

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Editorial Sociedade 14.03.2019

Bilhete. O sexo "nem-nem"

Gaston CARRE
Gaston CARRE
Pensávamos que Adão e Eva eram a expressão única da harmonia. Ora eis que um terceiro sexo vem quebrar esta convicção.

A política, em França, sobretudo, introduziu o "nem esquerda, nem direita", a bioética concebeu o "nem morto, nem vivo", e eis que o direito instaura o princípio "nem homem, nem mulher", espécie de sexo "neutro" que a Alemanha inscreveu na sua legislação e que no Luxemburgo está em estudo.

O princípio do "sexo neutro" ou "terceiro sexo" é característico de uma modernidade que, na senda de um igualitarismo que se tornou obsoleto, faz a apologia da particularidade e da singularidade, instituindo o paradoxo de uma coletividade como agregado de exceções, e de uma norma definida a partir dos seus desvios, mais do que do seu enunciado. É legítimo, no entanto, na sua aspiração, visando uma revisão tal que o estado civil de um indivíduo dê conta da sua realidade anatómica, e não o inverso, sendo o inverso uma situação em que o indivíduo em causa se submete a operações cirúrgicas destinadas a fazer coincidir a sua realidade corporal com a sua identificação administrativa, correndo o risco de uma bricolagem morfológica cujo resultado não corresponderá à sua identidade íntima.

Este sexo "nem-nem" inflige no entanto um rude desengano àqueles que creem que homem e mulher, pelo menos desde Adão e Eva, constituíam a expressão final da Simetria, esta magnífica e inquietante concordância que os naturalistas veem como o produto de uma Necessidade e os espiritualistas como manifestação de uma Harmonia.

Enquanto se aguarda a elucidação filosófica deste avanço no campo da anatomia, temos um pensamento comovido para com o corpo docente. Não lhe bastava ter de explicar aos jovens que a canábis, que as suas fichas "Vida e Sociedade" consideram uma droga, poderá vir a estar disponível nas "coffee-shops", e de ensinar que a medicina já não sabe onde acaba a vida e onde começa a morte, ainda vai ser incumbido, este corpo docente, de explicar que homens e mulheres não correspondem necessariamente às descrições divulgadas nos manuais.

(Tradução: Paula Telo Alves)

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