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Bélgica. Tribunal obriga rei Alberto a fazer teste de ADN pedido por filha ilegítima
Delphine Böel (à esquerda), artista belga, luta desde 2018 nos tribunais para que Alberto II reconheça a paternidade.

Bélgica. Tribunal obriga rei Alberto a fazer teste de ADN pedido por filha ilegítima

Foto: AFP
Delphine Böel (à esquerda), artista belga, luta desde 2018 nos tribunais para que Alberto II reconheça a paternidade.
Sociedade 4 min. 28.05.2019

Bélgica. Tribunal obriga rei Alberto a fazer teste de ADN pedido por filha ilegítima

Alegada relação extra-conjugal do rei emérito foi tornada pública em 1999.

O rei emérito da Bélgica, Alberto II, foi na semana passada obrigado a fazer um teste de paternidade para confirmar se é pai de Delphine Böel, alegadamente fruto de uma relação extra-conjugal do monarca. A decisão partiu de um tribunal de Bruxelas, na capital belga. 

Alberto II foi também condenado a pagar uma multa de 5000 euros por dia à belga de 51 anos que diz ser sua filha, até realizar o teste de ADN. A história já se contava pela Bélgica desde 1999, mas só quando o Rei Alberto II abdicou do trono por motivos de saúde, em 2013, é que a baronesa Selys Longhcamps contou que manteve uma relação com o rei durante os anos 60. E desta relação nasceu Delphine Böel, hoje com 51 anos.

Desde esse ano que Delphine Böel luta em tribunal para que o rei emérito, de 84 anos, faça um teste de ADN para provar que é o seu pai biológico. Até agora, Alberto II conseguiu sempre escapar à derradeira prova de paternidade. Já no ano passado, ficou provado que o marido da baronesa, Jacques Boël, até aí considerado o pai de Delphine, não era o seu pai biológico. No passado dia 23 de maio, o Tribunal de Apelação de Bruxelas deu a conhecer a sua sentença e que à primeira vista parece favorável a Delphine Böel.

O juiz decidiu que Alberto II, que está a sofrer de problemas de saúde, terá de realizar o teste de paternidade e enquanto se recusar a fazê-lo será obrigado a pagar a Delphine 5000 euros por cada dia de adiamento. A sentença da semana passada vem no seguimento de uma anterior dada também pelo mesmo tribunal, em outubro de 2018, na qual o rei tinha três meses para realizar as provas de ADN. Só que não as fez, daí a multa instaurada agora pelo tribunal. 

Mesmo assim, é possível que o pai do rei Felipe da Bélgica consiga mais uma vez contornar a decisão judicial. De acordo com o advogado do monarca, Alberto II não irá cumprir a sentença. Segundo Alain Berenboom, a defesa vai apresentar recurso o mais rápido possível com o objetivo de interromper o processo de forma a que o rei não tenha de realizar o exame genético. Desta forma, a decisão final só deverá ser conhecida daqui a uns meses. Um dos conselheiros do rei, Guy Hiernaux, acredita que o monarca "poderá aceitar fazer o teste de ADN", segundo declarou à agência Belga. Guy frisou também que Alberto tem "sofrido imenso" com todo o caso.

Multa de 5000 euros 'só para disfarçar'

Ao mesmo tempo, um dos assessores de Delphine Böel, Marc Uyttendaele, mostrou-se muito satisfeito com a sentença recente. "O tribunal ouviu a nossa mensagem de que não é preciso esperar mais para recolher as amostras de ADN, dada a idade do rei Alberto, 84 anos". Marc considerou também que a multa de 5000 euros diários "é irrelevante" e não parece ser o único.

Segundo a imprensa belga, a multa aplicada ao rei pelo tribunal não passa de uma forma de "com sentença firme, se negar a fazer as provas" de ADN, cita o site espanhol Vanitatis. O economista flamengo Thierry Debels, conhecido crítico das finanças da casa real belga, afirma que a fortuna do rei Alberto é de cerca de 200 a 300 milhões de euros. Por isso, pagar 5000 euros diários, se chegar a pagar, não será significativo, refere o Vanitatis que cita Debels. O crítico lembra ainda que este é um valor mantido em secretismo, já que a fortuna publicamente anunciada do soberano não é mais do que 12,4 milhões de euros.

Paixão proibida

Foi em 1999 que se ouviu falar pela primeira vez na alegada filha ilegítima de Alberto II. Na altura, a informação foi divulgada numa biografia não autorizada da rainha Paola, mulher do rei emérito. Também a mãe de Delphine, a baronesa Sybille de Selys Longchamps, chegou a contar detalhes sobre a relação extra-conjugal com o rei, que durou entre 1966 e 1984 . E sempre apoiou a luta da filha.

"Eu pensava que não podia ter filhos por causa de uma infeção que tive", contou a baronesa citada pelo The Guardian, quando o seu 'caso' com o rei foi tornado público. "Por isso, não tomei precauções", frisou. E continuou: "Foram tempos muito bonitos, Delphine era uma criança linda. Albert não era a figura normal do pai, mas era muito querido com ela".

Numa entrevista à RTL, o monarca chegou a admitir que o seu casamento com a rainha Paola esteve em crise, mas sem nunca mencionar o seu relacionamento com a baronesa nem a filha alegadamente nascida dessa relação.

Se se comprovar a paternidade de Alberto II, Delphine Böel poderá passar a usar o apelido da família real e o título de princesa, através de um decreto real. Segundo a VTM Belgium., será "Princesa Delphine Van België" e terá ainda direito a uma parte da fortuna do monarca emérito. 

Paula Santos Ferreira 

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