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Bélgica sem perspetiva de um "Natal normal"
Sociedade 3 min. 09.12.2020 Do nosso arquivo online

Bélgica sem perspetiva de um "Natal normal"

Bélgica sem perspetiva de um "Natal normal"

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 09.12.2020 Do nosso arquivo online

Bélgica sem perspetiva de um "Natal normal"

Max HELLEFF
Max HELLEFF
As autoridades ameaçam reprimir com mais firmeza o não cumprimento das medidas de contenção à covid-19.

Para quem espera que o Natal seja um momento de relaxamento nas medidas de restrição da pandemia na Bélgica, pode ter uma surpresa. Os números estagnaram naquilo que parece ser uma "estabilidade preocupante", e continuam a gerar inquietação. Esta estagnação é observada nos internamentos hospitalares diárias, que estão a aumentar ligeiramente em lugares como a província do Luxemburgo, que registou um aumento de 19% do número de novos casos diagnosticados. 

A taxa de positividade, que tinha subido para 30% no início de novembro, caiu nos últimos dias para 9% e aí se tem mantido, um valor ainda alto. As contaminações afetam na grande maioria os maiores de 80 anos e menores de 20 anos, um facto que pode ter várias explicações.

A primeira razão é a reabertura das escolas após o feriado de Todos os Santos, reacendendo o debate sobre a capacidade das crianças em espalhar o novo coronavírus. Há ainda a registar um aumento de contaminações entre os 0 e os 9 anos, bem como entre os adolescentes. 


Fronteiriços belgas também podem ficar em teletrabalho até ao fim de março
Depois de França, a Bélgica também decidiu prolongar o acordo que permite ao trabalhadores fronteiriços belgas permanecer em teletrabalho até 31 de março de 2021 sem qualquer prejuízo na declaração de impostos.

Há ainda um desrespeito pelo teletrabalho que, embora seja obrigatório, não é seguido em muitos casos. Como o aumento de casos na província do Luxemburgo, que pode ser explicado pela mobilidade dos trabalhadores transfronteiriços que se deslocam ao Grão-Ducado para trabalhar. Isto apesar da Bélgica ter decidido prolongar o acordo que permite ao trabalhadores fronteiriços belgas permanecer em teletrabalho até 31 de março de 2021, sem qualquer prejuízo na declaração de impostos. 

Um terceiro ponto que poderá estar a manter as infeções altas é o relaxamento da população em relação ao cumprimento das medidas. Para o virologista Emmanuel André, "semanas como esta, em que voltamos a ficar na incerteza, são cruciais porque a nossa capacidade de antecipar será decisiva". A declaração dirige-se claramente ao "aos tranquilizadores de serviço", os políticos que defendem a flexibilização do confinamento no Natal. 

Medidas mais relaxadas para as festas 

Na Bélgica, as famílias só poderão convidar para as noites de Natal e de Ano Novo uma pessoa que não viva na mesma casa. As pessoas que vivem sós poderão convidar duas no máximo. O recolher obrigatório, que começa atualmente às 22:00, será prolongado até à meia-noite de 24 de dezembro. Quando à noite de Ano Novo, o Governo belga ainda não definiu horários.

A tendência de subida dos números dá razão ao primeiro-ministro Alexander De Croo, que pede aos belgas que se mantenham unidos até meados de janeiro. Se as regras de confinamento não forem respeitadas, "estaremos assim até a Páscoa", acrescentou recentemente a ministra do Interior, Annelies Verlinden. 

O ministro-presidente da Valônia, Elio Di Rupo, quer no entanto ir mais longe e permitir que a polícia tenha acesso à lista de pessoas que regressam dos países na lista "vermelha"  das autoridades para melhor garantir o respeito à quarentena, obrigatória por 10 dias a partir de 18 de dezembro. A polícia pode mesmo ir ao ponto de bater às portas para encorajar as pessoas a permanecerem nas suas casas.

Também no caso das compras de Natal, as autoridades poderão vir a controlar ainda mais os clientes que não respeitem as instruções, onde se incluem fazer compras sozinho. A regra tem, aliás, suscitado algumas críticas de que representa um entraves às liberdades individuais.  




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