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Aviões a hidrogénio? Necessários mas insuficientes para descarbonizar a aviação
Sociedade 2 min. 26.01.2022
Ambiente

Aviões a hidrogénio? Necessários mas insuficientes para descarbonizar a aviação

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Aviões a hidrogénio? Necessários mas insuficientes para descarbonizar a aviação

Foto: DPA
Sociedade 2 min. 26.01.2022
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Aviões a hidrogénio? Necessários mas insuficientes para descarbonizar a aviação

AFP
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Segundo as contas de uma ONG ambiental, se todas as rotas aéreas elegíveis fossem servidas por aeronaves movidas a hidrogénio em 2050, reduziriam as emissões do transporte aéreo em 31%.

A introdução de aviões movidos a hidrogénio a partir de 2035 vai ajudar a limitar as emissões de CO2 mas não vai reduzir por si só a pegada de carbono do setor. Esta é a principal conclusão de um estudo da organização não-governamental International Council on Clean Transportation (ICCT) publicado estaquarta-feira. 

Embora os voos de longo curso não possam ser alimentados a hidrogénio, em particular devido ao volume desta fonte de energia que seria necessário para o armazenar a bordo, "as aeronaves alimentadas a hidrogénio são viáveis para voos de curto e médio curso e poderiam virtualmente eliminar as emissões de CO2", refere o ICCT no documento.

De acordo com as contas da organização, se todas as rotas aéreas elegíveis fossem servidas por aeronaves movidas a hidrogénio em 2050, reduziriam as emissões do transporte aéreo em 31%, o equivalente a 628 milhões de toneladas de CO2. Isto traria a pegada de carbono do setor aos níveis esperados para 2035, data previsto para o início do hidrogénio nos aviões. 


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Estas aeronaves, que teriam um alcance mais curto do que as alimentadas a querosene, poderiam representar quase um terço do tráfego global de passageiros a partir de 2035, quando se espera que entrem em serviço pelo fabricante de aeronaves Airbus. A fabricante de aviões considera o hidrogénio o "grande foco estratégico". 

O motor a hidrogénio não emite gases com efeito de estufa, uma vez que produz vapor de água. Daí ser considerado um combustível "limpo" quando produzido por eletrólise da água utilizando eletricidade de fontes renováveis (hidrogénio verde).   

"Um cenário menos ambicioso envolvendo a adopção de 20-40% de aviões movidos a hidrogénio nestas rotas evitaria 126-251 milhões de toneladas do equivalente a CO2 em 2050, o que representa 6-12% das emissões do transporte aéreo de passageiros", observa o ICCT.   

No estudo, a ONG analisou dois projetos de aviões a hidrogénio: um bimotor da classe A320 e um turbopropulsor regional do tipo ATR-72. O avião bimotor poderia transportar 165 passageiros ao longo de 3.400 quilómetros, cobrindo 71% da viagem; já o turboélice poderia transportar 70 passageiros ao longo de 1.400 quilómetros, representando 97% da viagem. 


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O setor da aviação transportou 4,5 mil milhões de passageiros em 2019, produzindo 900 milhões de toneladas de CO2, quase 3% das emissões globais. Espera-se que o valor duplique até 2050. 

O estudo da ICCT não inclui, no entanto, outras medidas previstas para reduzir a pegada do setor (desenvolvimentos tecnológicos nas aeronaves, melhor gestão do sistema de controlo do tráfego aéreo, introdução de combustíveis de aviação sustentáveis). 

Os especialistas prevêem que o hidrogénio verde será mais barato do que os futuros combustíveis sintéticos sustentáveis, mas custará mais do que a parafina utilizada na aviação. Consequência: as empresas vão provavelmente necessitar de apoio financeiro dos governos. 

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