AstraZeneca. Esta vacina não é para velhos
AstraZeneca. Esta vacina não é para velhos
França, Alemanha, Polónia, Áustria, Suécia, Itália e Holanda, que representam ao todo quase dois terços da população da UE, já limitaram o uso da vacina AstraZeneca a menores de 65, justificando com a falta de evidências científicas da eficácia nos idosos. Corrente, aliás, contrária à campanha de vacinação do Reino Unido que começou a 4 de janeiro.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) deixou espaço para interpretação quando autorizou o uso da vacina da AstraZeneca - a terceira, após a autorização às desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e pela Moderna - a maiores de 18 anos, sem indicar limite máximo de idade. Cabe agora a cada estado definir o seu plano de vacinação.
O primeiro país a limitar a toma da vacina aos mais de 65 anos foi a Alemanha que, no dia seguinte ao aval da EMA, mostrou-se apreensiva, garatindo que "não existem dados suficientes para fazer uma declaração sobre a eficácia". No Luxemburgo, o Partido Cristão Social (CSV) questionou a ministra da Saúde, Paulette Lenert, sobre esta tendência europeia e se o Grão-Ducado também ia seguir as recomendações alemãs. Lenert ainda não deu o parecer oficial.
Em França, esta quarta-feira a Autoridade Nacional para a Saúde (HAS, na sigla francesa) também já fez saber que "há falta de dados para doentes com mais de 65 anos. Estes dados chegarão nas próximas semanas, entretanto, recomendamos a sua utilização em doentes com menos de 65 anos". França está igualmente a realizar mais ensaios clínicos e uma decisão final deverá ser conhecida nos próximos dias.
A AstraZeneca está, assim, reservada a "todos os profissionais de saúde e médico-sociais, onde quer que trabalhem, incluindo nas cidades, essencialmente porque são necessários na linha da frente e estão particularmente expostos", disse a porta-voz da HAS, Dominique Le Guludec, citada pela AFP. "Em segundo lugar, a pessoas entre os 50 e 65 anos. Esperamos que nos próximos três meses sejam administradas cerca de 10 milhões de doses (desta vacina), o que nos permitirá vacinar mais 5 milhões de pessoas".
Na Aústria, a falta de informação ditou o mesmo veredito. "Os dados de imunidade e segurança são comparáveis aos de pessoas mais jovens. Mas devido ao pequeno tamanho da amostra de estudos anteriores não é possível afirmar com certeza a sua eficácia para essa faixa etária", afirmou o Conselho Nacional de Vacinação do país.
Do mesmo modo, a Suécia seguiu a tendência e as autoridades sanitárias anunciaram esta terça-feira que "em primeira instância", a AstraZeneca deverá ser administrada a pessoas entre os 18 e os 65. De acordo com a AFP, também a vizinha Noruega já fez saber que está "a ir nessa direção", afirmou a presidente do Instituto Norueguês de Saúde Pública (FHI), Camilla Stoltenberg.
Em Espanha, o Conselho Interterritorial do Sistema Único de Saúde (CISNS) reúne-se esta quarta-feira para discutir o assunto e tudo indica que irá também limitar a idade recomendada da vacina.
A vacina da AstraZeneca tem a vantagem de poder ser armazenada a longo prazo em frigoríficos convencionais, ao contrário das duas outras vacinas já disponíveis, as da Pfizer/BioNTech e Moderna, que precisam de ser armazenadas a temperaturas muito baixas (-70°C para a primeira e -20°C para a segunda).
Nos últimos dias, a AstraZeneca tem estado debaixo de fogo por parte dos líderes europeus devido a sérios atrasos nas entregas. Mas no fim de semana, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen anunciou que a farmacêutica iria fornecer à UE nove milhões de doses adicionais da vacina, num total de 40 milhões de doses, um aumento de 30%. Ursula von der Leyen também reiterou o objetivo de vacinar 70% dos adultos do espaço comunitário "até ao final do verão", uma estratégia que poderá não ser atingida em vários países europeus, segundo um estudo do site de notícias Politico.eu.
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