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Às máscaras cidadãos?
Opinião Sociedade 3 min. 18.11.2020

Às máscaras cidadãos?

Às máscaras cidadãos?

Foto: AFP
Opinião Sociedade 3 min. 18.11.2020

Às máscaras cidadãos?

Sérgio FERREIRA
Sérgio FERREIRA
Tenho evitado pronunciar-me sobre a pandemia do novo coronavírus... Não sou cientista nem médico e tenho muito pouca pachorra para andar a escalpelizar números sobre infeções, taxas de transmissão, taxas disto e daquilo.

 Tenho feito como a generalidade dos cidadãos: confio nas instituições e acredito na boa fé dos decisores, certamente melhor aconselhados que eu e em conhecimento de causa. Respeito (quase) escrupulosamente as medidas sanitárias decretadas e esforço-me por fazer respeitá-las no local de trabalho e em casa, onde tenho responsabilidades de codecisão. Como é evidente, sem fundamentalismos alarmistas ou laxistas, até porque, como dirá a sabedoria popular daqui a alguns anos, “quem nunca se esqueceu da máscara, que atire o primeiro frasco de álcool-gel”!

Não quero com isto dizer que me abstenho de ter uma visão crítica quanto às decisões das autoridades... Na altura do primeiro confinamento (repare-se que se escrevo “primeiro” pressuponho que aí venha outro ou outros) achei completamente despropositada a cedência da maioria dos governos ao medo das populações. Sempre achei que, entre a histeria e o laxismo é capaz de haver um meio termo chamado “bom senso”! Mas não foi bem assim que as coisas se passaram...

Primeiro veio a histeria: confinamento total, encerramento de tudo e todos e o quase pavor de nos cruzarmos com o vizinho. Os números das infecções reduziram drasticamente, como não podia deixar de ser: se eu passar a andar a pé, o risco de atropelar alguém desce drasticamente!

Seguiu-se a fase do laxismo no verão, com ministros e afins a mostrarem-se nas esplanadas e fazerem apelos ao consumo desenfreado, o Estado a dar vales para estadias em hotéis, as comunas para consumir local e era “vá p’ra fora cá dentro” por todo o lado! E foi aqui que o sacana do bicho nos pregou uma rasteira e voltou a atacar em força. Nada que não se imaginasse possível mas queríamos acreditar que “vai ficar tudo bem”! Mas não ficou e até piorou, como não podia deixar de ser: se eu andar à chuva o risco de me molhar é grande!

Mas dirá agora o leitor: “Atão mas oh chico-esperto o que é que tu fazias diferente?”.

Mais ou menos o que fiz desde o início da crise: continuar a trabalhar respeitando as medidas de segurança, evitando contactos inúteis e tentando viver com a maior normalidade possível. Até porque estamos todos a perceber que nem a solução da Suécia com o relaxamento total, nem a solução do confinamento total seguido do relaxamento resultaram!

O que também não resultou nem está a resultar é a comunicação em torno da pandemia. Entre o extremo do “temos tudo controlado” durante o confinamento (até porque é fácil controlar quando está toda a gente em casa) e o assumir de que não conseguimos controlar nada, mais recente, poder-se-ia ter apostado logo na transparência. Assumindo que o pouco que se sabia e ainda sabe nem sequer é 100 por cento certo. É assim que funciona a ciência e é assim que se vive a vida: sem certezas.

Só que, nestes tempos de especialistas desencartados em tudo e alguma coisa, a malta quer certezas, quer estar certa e não está disposta a acolher a incerteza da vida com um sorriso nos lábios... até porque de máscara na cara não serve de muito sorrir!

Costumo dizer que, com a pandemia pelo menos as pessoas aprenderam duas coisas: a lavar as mãos e a saber que vão morrer. Não querendo ser melhor que o leitor, tive a sorte de o meu Pai me ter ensinado a lavar as mãos (antes e depois de urinar – até para não contaminar o apêndice) e tive a oportunidade de, graças a um AVC com 41 anos, perceber que podia ir desta p’ra pior com a maior das facilidades! Se ainda não me caiu o apêndice e ainda cá ando é porque me adaptei!

Fica por isso o apelo revolucionário... Às mascaras cidadãos! E lavem as mãos  

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