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Apartamento barato no Luxemburgo anunciado na internet? Pode ser fraude
Sociedade 5 min. 08.08.2022
Habitação

Apartamento barato no Luxemburgo anunciado na internet? Pode ser fraude

No caso de apartamentos para arrendar, não só alguns pormenores podem induzir em erro, como por vezes todo o anúncio é falso.
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Apartamento barato no Luxemburgo anunciado na internet? Pode ser fraude

No caso de apartamentos para arrendar, não só alguns pormenores podem induzir em erro, como por vezes todo o anúncio é falso.
Photo: Shutterstock
Sociedade 5 min. 08.08.2022
Habitação

Apartamento barato no Luxemburgo anunciado na internet? Pode ser fraude

Frederik WEMBER
Frederik WEMBER
Golpes fraudulentos estão a ocorrer com frequência no mercado imobiliário do Grão-Ducado. Uma quase vítima e o representante da defesa do consumidor deixam alertas.

Quem quer comprar algo pela internet deve estar sempre preparado para possíveis tentativas de fraude. O mercado imobiliário não foge à regra. Que o diga um cidadão alemão que foi alvo de uma tentativa de golpe fraudulento quando procurava um apartamento para arrendar na capital do Luxemburgo. O caso aconteceu há umas semanas.

Num testemunho em exclusivo ao Luxemburger Wort, o jovem adulto relatou que tinha visto um apartamento barato para arrendar na internet, localizado a nordeste do centro da capital. A casa estava a ser oferecida por um particular que a descrevia como um “flat share”, ou seja, um quarto individual, num apartamento com cozinha, casa de banho e sala compartilhadas. 

O particular dizia ser uma mulher chamada Kim e definia-se como uma jovem simpática que tinha um quarto para arrendar na sua casa, o qual poderia ser fechado à chave.

No anúncio - onde era publicado o endereço da casa -  a descrição do apartamento condizia com as fotografias publicadas. A proximidade de lojas e de um ginásio foi verificada pelo jovem alemão, bem como as boas ligações da casa no que diz respeito ao acesso rápido a transportes públicos. Por esta altura, tentativas de fraude menos complexas poderiam já ter sido descobertas na verificação da localização e morada, mas este não foi o caso.

Sinais de fraude ignoradas

A mulher, Kim, insistiu que o contrato fosse celebrado rapidamente e que o futuro inquilino pagasse já uma caução de dois meses de renda, além da primeira prestação mensal.

"Este tipo de coisas é típico dos golpistas", diz Pascal Koehnen, da União de Consumidores do Luxemburgo (ULC). "Se discutir com estes malfeitores eles vão dizer-lhe que há muitos candidatos interessados e, por isso, terá de transferir o dinheiro rapidamente para garantir que fica com a habitação”. 

Pascal Koehnen continua: "O preço atrativo do apartamento faz-nos esquecer os cuidados a ter, especialmente se tivermos pouco dinheiro e precisarmos de um lugar para viver rapidamente. Um verdadeiro proprietário não quererá necessariamente o dinheiro rapidamente, mas estará mais interessado em saber se o potencial inquilino é digno de confiança e com situação solvente”.

Numa primeira fase e para redigir o contrato com o jovem alemão, Kim pediu-lhe uma fotografia da frente do cartão de cidadão e o seu endereço atual completo. No entanto, nesta fase, não é de todo necessário enviar as fotos do bilhete de identidade.

De seguida, a suposta proprietária enviaria o documento do contrato para o futuro inquilino assinar. O alemão teria de assinar o contrato e fazer logo o pagamento do valor combinado e, só depois, é que a suposta proprietária colocaria a sua assinatura no contrato.

Primeiro o contrato, depois o pagamento

Pascal Koehnen não recomenda tal pagamento adiantado sem que primeiro seja celebrardo um contrato sólido: "É absolutamente invulgar o pagamento em dinheiro antes de um contrato estar concluído. Uma vez efetuado o pagamento, o contrato assinado é enviado, mas com uma assinatura que provavelmente não tem nada a ver com o nome completo dado por Kim”.

O alemão suspeitou de algo e não enviou as fotografias do seu documento de identificação. Decidiu, primeiro, contactar um conhecido seu luxemburguês que nessa altura estava no Grão-Ducado. Essa pessoa deslocou-se ao apartamento, de acordo com o endereço publicado no anúncio, e descobriu que nem o apartamento estava para arrendar nem a alegada proprietária Kim vivia lá, aliás, tal pessoa nunca tinha lá morado. Mais: o número pessoal que Kim dera dificilmente poderia ser verdadeiro, como declarou o conhecido ao alemão.

"Se possível, deve-se fazer sempre uma visita ao local, se necessário por uma pessoa de confiança. As pessoas que vêm do estrangeiro são frequentemente alvo de burlas, uma vez que é difícil deslocarem-se ao país só para visitar a habitação. No entanto, deve-se sempre marcar uma visita prévia. É precisamente quando são exigidos pagamentos em dinheiro, sem uma visita, que se deve ficar alerta. Mesmo que o apartamento exista realmente, é preciso ver se existem quaisquer danos que precisem de ser mencionados num contrato", explica Pascal Koehnen.


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Obter o máximo de garantias

Há sites na internet, como o roomlala, que oferecem uma segurança suplementar aos inquilinos, ao reterem como fiduciários a renda do primeiro mês, assim como outros eventuais pagamentos suplementares. Apenas no dia seguinte ao primeiro dia da mudança do inquilino para a nova habitação é que o pagamento é transferido, se nenhuma queixa por fraude for colocada até lá.

Logo que seja detetado um esquema fraudulento, a polícia luxemburguesa aconselha que se contacte de imediato as autoridades competentes e se apresente uma queixa criminal. No caso de fraude na internet, a pessoa deve dirigir-se às autoridades da jurisdição da sua residência. É que um potencial roubo de identidade pode ter consequências mais graves do que apenas a perda de dinheiro, o que por si só já é suficientemente mau.

Os dados pessoais não devem nunca ser fornecidos de ânimo leve, especialmente a digitalização de bilhetes de identidade. A proteção contra o uso indevido de dados pode ser dispendiosa e pode até chegar demasiado tarde. Se já tiver sido efetuada uma transferência de dinheiro no momento em que a fraude é detetada, é possível recuperar o montante, solicitando ao banco que utilize o procedimento de recuperação. No entanto, isto nem sempre é bem sucedido.

Este artigo foi traduzido do Wort edição francesa, sendo publicado originalmente no Wort.lu/de

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