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Antuérpia retira estátua do rei Leopoldo II e Londres reavalia retirada de símbolos esclavagistas
Sociedade 3 min. 09.06.2020

Antuérpia retira estátua do rei Leopoldo II e Londres reavalia retirada de símbolos esclavagistas

Antuérpia retira estátua do rei Leopoldo II e Londres reavalia retirada de símbolos esclavagistas

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 09.06.2020

Antuérpia retira estátua do rei Leopoldo II e Londres reavalia retirada de símbolos esclavagistas

Protestos recentes contra o racismo relançaram a discussão sobre a remoção de símbolos coloniais de repressão e escravatura de outros povos das cidades.

Uma estátua do rei Leopoldo II (1835-1909), figura controversa do passado colonial da Bélgica, foi retirada esta terça-feira, 9 de junho, de uma praça pública em Antuérpia.

A retirada, noticiada pela agência AFP, citando fontes do município, ocorre depois das manifestações que juntaram milhares de pessoas em várias cidades belgas contra o racismo e em homenagem a George Floyd, o norte-americano negro morto em maio por um polícia branco nos Estados Unidos. 

Situada perto de uma igreja em Ekeren, a estátua em causa foi vandalizada na semana passada. Mas em paralelo decorreu uma petição online, apoiada por figuras públicas, como o ator Matthias Schoenaerts, a pedir a sua retirada, devido às atrocidades cometidas pelo monarca no Congo, quando o país estava sob domínio belga.

As autoridades da cidade do norte do país atribuem a retirada da estátua de Leopoldo II à remodelação da praça, prevista para daqui a alguns anos. Apesar disso reconhecem que os recentes acontecimentos anteciparam a sua remoção.

Segundo Johan Vermant, porta-voz do burgomestre (presidente da câmara) de Antuérpia, Bart De Wever, a sua retirada do local já estava prevista no âmbito das obras programadas para 2023. Porém, a transferência para o Museu Middelheim foi antecipada depois de ter sido "seriamente vandalizada na semana passada".

"Devido à renovação da praça, a estátua não voltará a ser lá colocada e continuará provavelmente a fazer parte da coleção do museu", afirmou Vermant à AFP.

A polémica em torno dos símbolos do antigo monarca, a quem alguns historiadores atribuem a responsabilidade pela morte de cerca de 10 milhões de congoleses, não é nova, mas ganhou uma visibilidade maior com a morte de George Floyd e os protestos contra o racismo.

Este mês, os partidos maioritários no parlamento belga pediram ao executivo a criação de um grupo de trabalho para a "descolonização" do espaço público, através da revisão e remoção dos nomes de ruas e praças relativos à história colonial do país, adianta a agência Lusa.

O Congo (atual República Democrática do Congo) foi declarado colónia da Bélgica em 1885, durante a Conferência de Berlim, que dividiu África entre as potências coloniais europeias. A colonização do Congo permitiu a Leopoldo II transformar a Bélgica numa potência mundial, através da exploração dos recursos congoleses, nomeadamente a borracha.

Para competir com os países que exploravam as vastas plantações de borracha da América Latina e Sudeste da Ásia, o monarca escravizou a população congolesa e submeteu-a a grande violência, com historiadores a estimarem que, durante o seu domínio, a população do país tenha sido reduzida a metade, em consequência da violência, fome, exaustão e doenças.

A violência sobre os naturais daquele país ficou retratada na Exposição Universal de Bruxelas em 1897. Leopoldo II aprovou uma espécie de jardim "zoológico humano", onde homens, mulheres e crianças congoleses foram exibidos durante dos dias de feira. Um ato que se tornou num símbolo da desumanização dos congoleses promovida pelo monarca.

  Autarca de Londres admite reavaliar permanência de estátuas de esclavagistas

O mayor de Londres, Sadiq Khan afirmou que todas as estátuas da cidade, assim como nomes de ruas ou de edifícios públicos, serão reavaliados por uma comissão e removidos aqueles que tenham ligações à escravatura e que não reflitam a diversidade étnica da cidade, afirmou o autarca esta terça-feira.

A decisão é tomada depois dos protestos #Black Live Matters que aconteceram repetidamente na capital britânica, na sequência da morte de George Floyd. Tal como aconteceu na Bélgica também no Reino Unido houve símbolos vandalizados, neste caso em Bristol, onde foi derrubada a estátua do traficante de escravos Edward Colstoin.


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