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António Vitorino: "Temos cerca de três milhões de migrantes bloqueados por medidas contra covid-19"
Sociedade 3 min. 20.01.2021

António Vitorino: "Temos cerca de três milhões de migrantes bloqueados por medidas contra covid-19"

António Vitorino: "Temos cerca de três milhões de migrantes bloqueados por medidas contra covid-19"

Foto: OIM
Sociedade 3 min. 20.01.2021

António Vitorino: "Temos cerca de três milhões de migrantes bloqueados por medidas contra covid-19"

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
O Diretor-geral da Organização Internacional para Migrações, António Vitorino, sublinhou a necessidade de vacinar os migrantes como parte dos planos nacionais de imunização, relembrando o apelo do secretário-geral da ONU de que "ninguém estará seguro até que todos estejam seguros".

Em entrevista à ONU News, de Genebra, António Vitorino  afirmou que a pandemia teve um "impacto enorme junto dos migrantes", não apenas do ponto de vista da saúde, porque muitas vezes vivem em ambientes, em casas, em zonas do país extremamente povoadas, mas também do ponto de vista da sua mobilidade. "Nós temos cerca de 3 milhões de migrantes bloqueados em virtude  do fecho das fronteiras e das restrições impostas à movimentação e aos processos de confinamento. Portanto, a pandemia veio sublinhar vulnerabilidades dos imigrantes que são específicas e que exigem soluções adequadas", assertiu.

A propósito da abertura da 148.ª sessão do Conselho Executivo da OMS, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o mundo "está à beira de um fracasso moral catastrófico" se os países ricos não partilharem vacinas contra a covid-19 com os mais pobres.

Mas mesmo dentro dos países ricos, nem todas as pessoas têm acesso à vacinação. Apesar de não se tratarem de migrantes, um claro sinal de descriminação no acesso à vacina para a covid-19 passa-se em Israel, que se tem gabado da velocidade do seu processo de vacinação,  mas está a ser acusado por diversos grupos de direitos humanos de se esquivar às obrigações de vacinar milhões de palestinianos nos territórios que ocupa na Cisjordânia e Gaza, que podem vir a esperar meses pela vacinação. 


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No que aos migrantes diz respeito, para António Vitorino, é claro que as doses de vacina, num primeiro momento, não devem ser suficientes para todos, mas menciona "que o princípio básico é de acesso universal aos cuidados de saúde incluindo as vacinas". "O que nós defendemos é que os governos devem incluir os imigrantes nos seus planos nacionais de vacinação. E não discriminar, mas também não criar nenhum sistema de privilégio em relação aos imigrantes. Trata-se de aplicar aos imigrantes presentes no seu território os mesmos critérios, que são usados a nível nacional para os seus próprios cidadãos, em termos de riscos, de idade, de vulnerabilidades médicas, para garantir que o conjunto da comunidade é protegido", explicou. 

Vitorino relembrou ainda as palavras do secretário-geral das Nações Unidas, "ninguém está seguro enquanto todos não estiverem seguros" e deu como exemplo países que já adotaram medidas no sentido de incluir, independentemente de seu estatuto legal, na cobertura de saúde inclusivamente nos planos de vacinação todas as pessoas que nele se encontram. É o caso de Portugal, Alemanha, o estado do Texas, nos Estados Unidos, ou o caso do Chade e do Equador. 

"Em vários países do mundo, essas decisões já foram tomadas. Mas nós reconhecemos também que ainda há países que não se compenetraram da importância que têm em incluir os imigrantes na proteção de saúde e na vacinação. Não apenas porque se trata do interesse fundamental da pessoa, mas também porque é do interesse do conjunto da comunidade que toda a gente esteja segura para que o conjunto da população esteja também seguro", declarou.

Segundo as Nações Unidas, o mundo tem atualmente 281 milhões de pessoas que vivem ou trabalham fora de seus países de origem e são reconhecidas como migrantes. 

O maior destino é os Estados Unidos com 51 milhões de migrantes, seguido pela Alemanha com 16 milhões e Arábia Saudita com 13 milhões. Rússia e Reino Unidos aparecem em seguida na lista com 12 milhões e 9 milhões, respetivamente.

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