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Amizades Portugal-Luxemburgo celebra 45º aniversário: APL promove há 45 anos a integração dos imigrantes e dos luxemburgueses
Sociedade 6 4 min. 09.11.2014

Amizades Portugal-Luxemburgo celebra 45º aniversário: APL promove há 45 anos a integração dos imigrantes e dos luxemburgueses

Sociedade 6 4 min. 09.11.2014

Amizades Portugal-Luxemburgo celebra 45º aniversário: APL promove há 45 anos a integração dos imigrantes e dos luxemburgueses

A mais antiga associação portuguesa do Luxemburgo, a Amizade Portugal-Luxemburgo (APL), celebrou os seus 45 anos no sábado à noite com um programa cultural que encheu o auditório Krieps, na Abadia Néimënster, no Grund.

A mais antiga associação portuguesa do Luxemburgo, a Amizade Portugal-Luxemburgo (APL), celebrou os seus 45 anos no sábado à noite com um programa cultural que encheu o auditório Krieps, na Abadia Néimënster, no Grund.

“Desde a fundação da APL em 1969, época da primeira grande vaga de imigração portuguesa para o Luxemburgo, a realidade dos imigrantes e da imigração mudou. Os primeiros imigrantes portugueses foram recrutados através de acordos entre os Estados luxemburguês e português, bem como por empresas luxemburguesas, para responder às necessidades da economia do Luxemburgo. Foi assim que, durante muitos anos, estes imigrantes foram destinados ao trabalho manual, como a construção e a limpeza. Esta imagem, este ‘cliché’ do português emigrante permanece até hoje. Enquanto isso, Portugal e muitos outros países integraram a UE e hoje a imigração já não tem a mesma cara que há 45 anos, pois chegam-nos agora pessoas com um ou mais diplomas” referiu Guy Reger, presidente da APL, salientando que “as realidades políticas, culturais e sociais mudaram mas que o saldo migratório português permanece contínuo”.

Guy Reger recorda também que a imigração lusófona se diversificou: os recém-chegados chegam hoje também de Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé, assim como do Brasil. Segundo Reger, “cerca de 40% da população imigrante no Luxemburgo é lusófona, o que significa que 60% tem uma origem diferente”.

Em 1969, a APL foi a primeira associação portuguesa no Grão-Ducado, fundada por luxemburgueses, portugueses e uma brasileira. “A APL foi criada para responder às diferentes necessidades da população, na sua maioria pobre. O Luxemburgo procurava sobretudo trabalhadores manuais, motivo pelo qual chegavam sobretudo imigrantes com um nível escolar baixo. Hoje, em tempos de mudança, o nosso objectivo é encontrar novas vias visando a integração e a inclusão de imigrantes e de luxemburgueses num mesmo espírito colectivo”, salientou Guy Reger.

O presidente da APL contou também como o jornal CONTACTO nasceu no seio da associação. “Para estabelecer um órgão de comunicação, a APL criou o CONTACTO em 1970, folha de contacto e de integração e, em 1987, o comité da época passou o CONTACTO para a alçada do grupo Saint Paul. Hoje, o jornal CONTACTO é um jornal destinado à comunidade lusófona e todos o conhecem bem”.

Segundo Guy Reger, ao longo dos anos, a APL ajudou os portugueses no Luxemburgo na sua integração, trabalhou a favor de um melhor diálogo intercultural e de um maior bem-estar entre portugueses, lusófonos, luxemburgueses, mas também entre pessoas de outras nacionalidades e origens. Actualmente, a APL é uma associação com inúmeras amizades que trabalha no domínio linguístico, intercultural e intergeracional, colaborando ainda com outras associações em numerosos projectos como, por exemplo, na “Maison des Associations” (Casa das Associações), da qual é membro.

Para 2015, a APL quer prosseguir “a sua dedicação e envolvimento junto dos imigrantes investindo na plataforma Migrações e Integração [www.minte.lu], com outros parceiros, como a ASTI [Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes] e a Maison des Associations”.

O serão foi animado pelas intervenções de várias pessoas que não quiseram deixar de prestar o seu testemunho e contar a sua “história” de imigração, como Jaime Baião e Marylène Firme.

A ministra da Família e da Integração, Corinne Cahen, interveio igualmente, assim como o cônsul de Portugal, Rui Monteiro. O diplomata recordou Carlos Bernardino, fundador e vice-presidente da APL, falecido este ano e que a associação quis homenagear neste aniversário.

Os intervalos musicais foram assegurados pelo grupo musical “Ensemble de Jazz” e pelo coro multicultural composto exclusivamente para o evento pelo director do Instituto Europeu de Canto Coral, Camille Kerger.

São inúmeros os projectos que a APL desenvolve actualmente tais como o projecto “Séniores Imigrantes”, “Interculturando” (Biblioteca e livraria associativa), a exposição cruzada entre a cidade do Luxemburgo e a cidade de Guimarães (projecto que se prolonga em 2015), viagens culturais organizadas com a “Maison des Volontaires” em Beggen, entre outros projectos.

Patrícia Marques


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