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Alemanha testa autoestrada elétrica desde 2019
Sociedade 4 min. 04.08.2021
Ambiente

Alemanha testa autoestrada elétrica desde 2019

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Alemanha testa autoestrada elétrica desde 2019

Sociedade 4 min. 04.08.2021
Ambiente

Alemanha testa autoestrada elétrica desde 2019

Descobrir como tornar os camiões livres de emissões é uma parte crucial da luta contra as alterações climáticas e poluição atmosférica.

Graças ao tempo que passam na estrada, os camiões a diesel de longo curso produzem uma percentagem desproporcionada de gases e outros poluentes com efeito de estufa.    

Vários especialistas  debruçam-se sobre formas de tornar os transportes pesados livre de emissões, ou se alternativas como as baterias ou o hidrogénio são a melhor forma alimentar veículos elétricos pesados. 

Desde 2019 que a Alemanha testa uma terceira alternativa: um sistema de fornecimento de eletricidade aos camiões enquanto conduzem, utilizando uma rede de cabos pendurados acima da estrada e um pantógrafo montado na cabina. 

O troço de cinco quilómetros da "eHighway" está em teste desde 2019 e prolonga-se até 2022 em ambos os sentidos. De acordo com o departamento de transportes do estado de Hesse, utiliza eletricidade de fontes renováveis.   

Através de um botão situado dentro da cabina do veículo uma engenhoca desdobra-se do tejadilho dos veículos. O condutor tem acesso a um ecrã que transmite em vídeo os "patins" metálicos que sobem e empurram suavemente os fios elétricos que acompanham a estrada. Nesta visão, o motor a diesel dá lugar a um motor elétrico, e o veículo move-se à semelhança de um comboio ou elétrico de rua.


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Entre os financiadores da eHighway (auto-estrada elétrica) a sul de Frankfurt, está a Traton, empresa proprietária dos fabricantes de camiões Scania, MAN e Navistar, que defende que o hidrogénio é demasiado caro e ineficiente devido à energia necessária para o produzir. Maioritariamente propriedade da Volkswagen, tem apostado em baterias cada vez melhores, mas também em auto-estradas eletrificadas. 

Ao grupo de financiadores junta-se a Autobahn GmbH, a agência governamental que supervisiona as autoestradas alemãs, e a gigante alemã da eletrónica Siemens. Esta última forneceu ainda o equipamento para a experiência, adaptando equipamento que tem sido utilizado durante décadas para conduzir comboios e elétricos urbanos. 

Para já, os troços de autoestrada equipados com cabos aéreos no estudo são curtos - cerca de cinco quilómetros de comprimento em ambos os sentidos, perto de Frankfurt. Mas existem ainda outros estudos em pequenos segmentos de estradas eletrificadas nos estados de Schleswig-Holstein e Baden-Württemberg. 

O objetivo da experiência é testar o desempenho do sistema na utilização diária por empresas de camionagem reais que transportam bens reais. No final do ano, os investigadores estimam que mais de 20 camiões estarão a utilizar este  sistema na Alemanha. Uma tecnologia semelhante já foi experimentada na Suécia e, em 2017, nos EUA. 

Ótima ideia, mas...

Segundo o The New York Times, o sistema é eficiente em termos energéticos porque fornece energia diretamente da rede elétrica para os motores. "O sistema é relativamente simples. A tecnologia poupa peso e dinheiro porque as baterias tendem a ser pesadas e caras, e um camião que utiliza cabos aéreos necessita apenas de uma bateria suficientemente grande para ir desde o arranque até ao  destino final", lê-se na reportagem sobre o estudo.

Mas levanta-se uma questão fundamental a esta alternativa: como será financiada a instalação de milhares de quilómetros de cabos elétricos de alta tensão acima das principais autoestradas do mundo?

No caso alemão, seria o governo a financiar os cabos aéreos, que custariam cerca de 2,5 milhões de euros por quilómetro? O Ministério do Ambiente - que está atualmente a financiar as três autoestradas eletrificadas no país, está a comparar os resultados com estudos de camiões que utilizam células de combustível de hidrogénio e camiões que utilizam baterias. 


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A Daimler e a Volvo, os dois maiores fabricantes mundiais de camiões, estão a apostar em células de  hidrogénio para as plataformas de longo curso. Citadas pelo jornal norte-americano, ambas as empresas argumentam que as baterias pesadas necessárias para fornecer um alcance aceitável são impraticáveis para os camiões, porque subtraem demasiada capacidade à carga útil. 

Mas, respondendo a perguntas do The New York Times, o ministério observou que as baterias estão a ficar cada vez mais baratas e melhores, e que os tempos de carregamento estão a diminuir. 

Segundo a tutela alemã do Ambiente só dentro de três ou quatro anos será tomada uma decisão sobre qual tecnologia a apoiar. "Numerosos estudos chegaram à conclusão de que os camiões com cabos aéreos, apesar dos elevados custos de infra-estruturas, são a opção mais rentável", apontou o governo alemão.

"Em última análise, o custo total das infraestruturas, veículos e energia irá decidir que tecnologia ou combinação de tecnologias prevalece", respondeu o ministério. O executivo está a ser cauteloso devido ao risco de os contribuintes pagarem por autoestradas eletrificadas apenas para que a tecnologia seja evitada pela indústria dos camiões ou tornada obsoleta por outra tecnologia. 

"Em teoria é a melhor ideia", considerou Geert De Cock, especialista em eletricidade e energia da Transport & Environment, grupo que defende sistemas de mobilidade com emissões zero em Bruxelas. No entanto, apontou que os obstáculos políticos, por exemplo conseguir que os governos europeus cheguem a acordo sobre normas técnicas, são demasiado assustadores. "É uma questão de coordenação mais do que uma questão tecnológica", disse De Cock. "Não a apoiamos porque prevemos que não vai acontecer", defendeu.

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