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Alimentação forçada e fraldas reutilizadas. Funcionárias de creche denunciam maus-tratos
Sociedade 4 min. 07.12.2022
Bous

Alimentação forçada e fraldas reutilizadas. Funcionárias de creche denunciam maus-tratos

A maioria das 29 testemunhas chamadas já falaram em tribunal.
Bous

Alimentação forçada e fraldas reutilizadas. Funcionárias de creche denunciam maus-tratos

A maioria das 29 testemunhas chamadas já falaram em tribunal.
Foto: Steve Remesch
Sociedade 4 min. 07.12.2022
Bous

Alimentação forçada e fraldas reutilizadas. Funcionárias de creche denunciam maus-tratos

Maximilian RICHARD
Maximilian RICHARD
Maria N. dirigia a sua creche com "mão de ferro". Em tribunal, antigas funcionárias afirmaram que tanto o pessoal como as crianças foram vítimas de abusos.

A justiça nem sempre é célere. Mas no caso do julgamento da diretora de uma creche em Bous por agressões a crianças, a sentença pode chegar mais rápido do que o esperado. Em vez dos 21 dias de audiências planeados, o julgamento poderá ser concluído em menos de dez. No final desta semana, ou no início da próxima, o mais tardar, os juízes deverão anunciar o veredito.

A maioria das 29 testemunhas chamadas já falaram em tribunal. Na sessão de terça-feira, três antigas funcionárias da creche "Léiwen Léiw", em Bous, tomaram a palavra. As mulheres trabalharam em alturas diferentes - duas delas até ao encerramento da creche pelo Ministério da Educação, em outubro de 2017, a outra um ano antes. Todas confirmaram os abusos. 

A inscrição "Léiwen Léiw" tinha desaparecido alguns meses após o encerramento da creche. Até outubro de 2017, o estabelecimento cuidou de cerca de 20 crianças de até quatro anos.
A inscrição "Léiwen Léiw" tinha desaparecido alguns meses após o encerramento da creche. Até outubro de 2017, o estabelecimento cuidou de cerca de 20 crianças de até quatro anos.
Foto: Volker Bingenheimer

Alimentação forçada e fraldas reutilizadas

Segundo as testemunhas, a proprietária, de 53 anos, terá alegadamente forçado as crianças a comer. Maria N. segurava as cabeças das crianças com força e depois colocava a comida na boca dos menores usando uma colher. As antigas funcionárias contaram que as crianças por vezes vomitavam. No entanto, nem isso impedia a acusada de voltar a fazê-lo.


Diretora de antiga creche em Bous responde em tribunal por agressões a crianças
O caso recua a 2017 e chega esta terça-feira aos tribunais.

Duas funcionárias também descreveram o manuseamento não higiénico das fraldas. Terão recebido instruções de Maria N. para reutilizar fraldas. Às crianças mais velhas que se encontravam na fase de transição retiravam as fraldas quando chegavam à creche. Se não estivessem demasiado molhadas com urina, as fraldas eram novamente utilizadas.

Uma das mulheres que tinha sido contratada como encarregada de direção pouco antes do encerramento da creche relatou que Maria N. tinha ordenado medidas questionáveis de redução de custos em quase todas as áreas. Por exemplo, alimentos não utilizados foram congelados e mais tarde misturados com refeições frescas. 

Em geral, a creche estava sobrelotada. Havia apenas um professor para 23 crianças. No entanto, o Ministério da Educação define uma proporção de um educador para oito crianças mais velhas e de um para seis no caso das mais novas. Segundo os relatos, Maria N. sempre se manifestou completamente indiferente às críticas.

Sobrinha da diretora continua com medo

Entretanto, outra funcionária, a sobrinha da acusada, descreveu como ela própria tinha sido vítima de abusos. As consequências do alegado comportamento de Maria N. foram percetíveis na sala de audiências. Em lágrimas, a mulher quis parar as suas declarações após apenas alguns minutos: "Não consigo fazer isto, não enquanto ela aqui está", disse a testemunha. Só com muita sensibilidade é que a juíza conseguiu finalmente persuadi-la a continuar.

A mulher de 32 anos disse que a tia a tinha ajudado a pagar as dívidas. Em troca, a sobrinha teria de trabalhar na creche. Foi contratada como empregada de limpeza, mas também teve de cuidar das crianças mais novas. O salário foi sempre transferido para a conta da avó e, por isso, disse não saber ao certo quanto tinha recebido no total. Segundo o seu relato, a tia gritava com ela sempre que cometia um pequeno erro e, por vezes, também a espancava.

Pais contam diferentes experiências

Enquanto na semana passada os pais relataram mudanças de comportamento notáveis nos filhos, os pais que testemunharam na terça-feira aparentemente tiveram experiências diferentes. As testemunhas convocadas pela defesa ficaram satisfeitas com os cuidados que receberam na creche e disseram que os filhos gostavam de lá estar.


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O Ministério Público do Luxemburgo mandou encerrar uma creche em Bous, no âmbito de inquérito da secção de investigação criminal da polícia de Grevenmacher. A decisão foi tomada esta quarta-feira (11) com efeito imediato.

Uma mãe ficou mais do que surpreendida quando a juiz presidente a confrontou com acusações contra a diretora. Uma das denúncias referia que o seu filho tinha sofrido particularmente com Maria N.. 

De acordo com as investigações, a mulher não só tinha forçado regularmente a criança de então de dois anos a comer à força, como também a tinha colocado numa sanita com violência, o que resultara em nódoas negras no corpo da criança. A mãe disse que não se lembrava de tais lesões: "Se tivesse sido esse o caso, teria ido imediatamente ao médico", afirmou.

Maria N. está a ser julgada desde terça-feira passada. É acusada de vários crimes de danos corporais infligidos a pelo menos três empregados e cerca de 15 crianças. 

Devido à gravidade das acusações, a antiga proprietária da creche "Léiwen Léiw" em Bous enfrenta até dez anos de prisão se for condenada.

(Este artigo foi originalmente publicado no Luxemburger Wort e traduzido para o Contacto por Tiago Rodrigues)

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