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Alfabetização em francês deverá ser opção em todas as escolas luxemburguesas
Sociedade 4 6 min. 19.09.2022
Entrevista

Alfabetização em francês deverá ser opção em todas as escolas luxemburguesas

Entrevista

Alfabetização em francês deverá ser opção em todas as escolas luxemburguesas

Foto: Marc Wilwert
Sociedade 4 6 min. 19.09.2022
Entrevista

Alfabetização em francês deverá ser opção em todas as escolas luxemburguesas

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
No futuro, aprender a ler e a escrever em francês poderá vir a ser uma escolha para os pais em todas as escolas do Luxemburgo, revela o Ministro da Educação, Claude Meisch, em entrevista ao Contacto.

Aprender a ler e a escrever em francês poderá vir a ser uma escolha para os pais em todas as escolas do Luxemburgo, revela o Ministro da Educação, Claude Meisch, em entrevista ao Contacto.

O português como L1, língua principal, é uma novidade na nova escola internacional Gaston Thorn?

É uma das novidades. Porque a língua portuguesa é uma das línguas mais faladas no Luxemburgo. Acredito que deve ter o seu lugar no nosso sistema escolar. Mas sempre adaptado às necessidades da nossa sociedade e da vida profissional. Creio que é bom que os alunos com língua materna portuguesa tenham a possibilidade de desenvolver essa língua e utilizá-la como uma força. Porque muitas vezes dizemos que uma criança portuguesa não domina tão bem a língua alemã, assim como outras línguas do país. Por isso pode ser considerado como uma língua a mais que a criança domina e que deve ser incluída na sua aprendizagem. Por isso, algumas das nossas escolas internacionais ensinam a língua portuguesa.

Para quando a criação de uma secção portuguesa na escola internacional?

O Ministério tem que autorizá-lo. Neste momento temos apenas as secções francófona, germânica e anglófona. Porque acreditamos que nestas três secções podemos reagrupar um número máximo de alunos.

Muitas vezes os alunos que acabam de chegar de Portugal dominam muito bem a língua inglesa e assim podem integrar-se, o que lhes permite inserir-se melhor na vida profissional, mais do que com o português. Podem aprender o português como L1 ou língua estrangeira. Por isso, até agora, não optámos por lançar uma secção portuguesa. Mas não sabemos o que poderá vir a acontecer. Porque evoluímos muito em termos do lugar que o português ocupa nas escolas internacionais. Creio que devemos sempre avaliar e repensar o que é necessário e o que deve ser feito como próximo passo.

Alguns leitores reagiram à notícia do ensino do português na nova escola internacional dizendo que aprender em português contribui para isolar os alunos portugueses, sendo um entrave à sua integração no Luxemburgo…

Acredito que cada aluno é diferente. Pode ser um risco real para uma ou outra criança. Mas creio também que é possível aprender o português e integrar-se. Mas, para nós, a integração é o mais importante e por isso fizemos um tão grande esforço no desenvolvimento deste modelo de ensino europeu, porque é sempre multilinguístico. Sendo que a língua do país desempenha sempre um papel, como o alemão, o francês e o luxemburguês que é obrigatório. Isto contribui também para a integração, não importa qual o nível que têm em cada uma das línguas. O que é importante é sermos sempre multilingue e isso corresponde à identidade do nosso país, dando a hipótese de se integrar e participar na vida no Luxemburgo.


"Professores luxemburgueses vão aprender português"
Claude Meisch, ministro da Educação visita Portugal, em breve, para reforçar ensino de português no Luxemburgo.

No próximo ano iremos ter uma nova escola internacional?

Não me parece. Neste momento são seis e o que estava previsto no programa governamental era ter escolas internacionais em todas as regiões do país. Acredito que devemos esperar alguma avaliação para verificar se demos mais hipóteses de sucesso aos alunos que do que no sistema escolar tradicional. Depois teremos que ter uma discussão política sobre até onde queremos desenvolver este modelo paralelo. Mas há também uma outra tendência que se lançou neste momento no sistema escolar tradicional que é a de receber classes europeias. Por exemplo: lançámos projetos-pilotos em quatro escolas fundamentais de alfabetização em francês. Para isso, baseámo-nos na experiência que fizemos nas escolas europeias em que a alfabetização em francês já é uma realidade. Não queremos limitar essa ideia às escolas  internacionais, mas integrando sucessivamente no nosso sistema escolar tradicional. Nos próximos anos haverá alguns pontos que são normais nas escolas europeias e que podem ser integrados no sistema tradicional.


Carina Benavente, responsável pelo gabinete de enquadramento dos alunos (à esq.), e Jessy Medinger, diretora da Escola Internacional Gaston Thorn. E o cão Frodo.
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Pretende generalizar essa alfabetização em francês?

Na minha opinião deverá haver a opção em todas as escolas da alfabetização em francês. Isto não significa que vamos abandonar completamente a alfabetização em alemão, mas daremos a opção aos pais que poderão escolher uma alfabetização em francês ou em alemão. Foi isso que fizemos em quatro escolas enquanto projeto-piloto que será avaliado. Num certo momento deverá decidir-se alargar o modelo ou mesmo generalizá-lo. Acredito muito que pode ajudar muitas crianças. Estive recentemente na escola de Brill em Esch e perguntei  a uma  professora do ciclo 1: 'Qual será a melhor solução para esses alunos que não dominam o luxemburguês: serem escolarizados em francês ou em alemão?' A resposta foi muito clara: 'Em francês'. 

Pelo menos para uma maioria dos alunos. E depois questionei: 'De todos os alunos dos diferentes ciclos qual é a vossa disciplina preferida?' A resposta surpreendeu-me: 'A Matemática'. Rapidamente compreendi que a escolha foi feita porque a Matemática não exige dominar as línguas. E depois perguntei-lhes: 'Que língua preferem?' E foi uma vez mais muita clara a resposta: 'O francês'. Eles tentam aprender o alemão, que faz parte da nossa identidade e do multilinguismo, mas preferem mais orientar-se para o francês, assim como aprender outras matérias em francês. E preferem aprender a ler e a escrever no início da sua carreira escolar em francês. Talvez porque o francês, para uma parte dos alunos, seja mais próximo da sua língua materna que o alemão. Que é o caso para os portugueses, os italianos e os franceses.

Os alunos preferem aprender a ler e a escrever no início da sua carreira escolar em francês.

Claude Meisch, ministro da Educação

Mas o mais importante é que a língua francesa é dominada pela maioria dos pais, o que não acontece com a língua alemã. Neste projeto-piloto invertemos o ritmo de aprendizagem, começando a alfabetização pela língua francesa e depois o alemão é a segundo língua, que aprendem mais tarde. Porque no nosso sistema tradicional é justamente o inverso: os alunos são alfabetizados em alemão e depois mais tarde acrescenta-se a aprendizagem do francês. Neste projeto-piloto tentamos que no ciclo 4 estejam ao mesmo nível nas duas línguas e depois serão orientados para as diversas opções no ensino secundário.

Hoje estamos muito contentes por ter uma multitude de oferta muito diversificada.


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Uma das competências do século XXI que deve ser desenvolvida nos jovens é a criatividade.

Claude Meisch, ministro da Educação

O Luxemburgo é o primeiro país a avançar com o ensino da música gratuito para todos…

Para mim é algo muito evidente. Queremos oferecer um ensino de qualidade, mas também disponibilizá-lo de forma gratuita. Porque na minha opinião uma das competências do século XXI que deve ser desenvolvida nos jovens é justamente a criatividade. Oferecer um curso de música gratuito a todos os alunos é estimular a sua criatividade e as suas competências sociais, porque a música desenvolve-se em grupo. O que permite adaptar-se às necessidades dos outros, para além de ser também uma das tradições do Luxemburgo que deve manter-se viva. Também é importante para o desenvolvimento cognitivo. Há muitas pesquisas que revelam que é muito importante para o desenvolvimento cognitivo e lógico. É um grande sucesso porque temos mais 10% de alunos inscritos nos cursos de música, relativamente ao ano anterior.

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