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Alerta da ONU. As pessoas têm de "fazer dieta" para salvar o planeta
Sociedade 4 min. 08.08.2019

Alerta da ONU. As pessoas têm de "fazer dieta" para salvar o planeta

Alerta da ONU. As pessoas têm de "fazer dieta" para salvar o planeta

Foto: Shutterstock
Sociedade 4 min. 08.08.2019

Alerta da ONU. As pessoas têm de "fazer dieta" para salvar o planeta

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Os seres humanos utilizam actualmente quase um terço das terras disponíveis para a alimentação.

A mensagem é simples. Se queremos salvar o planeta, vamos ter de mudar drasticamente a nossa alimentação, avisa a Organização das Nações Unidas (ONU). 

Segundo o relatório "Solos e Mudanças Climáticas", aprovado em Genebra pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as tentativas de resolver a crise climática concentrando os esforços exclusivamente na redução das emissões de gases nas centrais eléctricas, nos automóveis e na indústria estão, por si só, condenadas ao fracasso.  

Os seres humanos utilizam actualmente quase um terço das terras disponíveis para a alimentação (que envolve sementes, fibras, madeira ou energia). 

A agricultura, a silvicultura e outras actividades de utilização dos solos contribuem 23 por cento de todos os gases com efeito de estufa que aquecem o planeta. Além disso, se as emissões relacionadas com todo o sistema de produção alimentar (transformação, transporte, resíduos, etc.) fossem também tidas em conta, algumas estimativas sugerem que a percentagem subiria para os 37 por cento.  

O impacto desta percentagem agravou a erosão do solo e reduziu a quantidade de matéria orgânica presente nos solos e nas plantas, que têm uma capacidade limitada para absorver o CO2 e estão a chegar a um ponto de saturação. A resposta natural dos ecossistemas representa apenas 29% do total das emissões de CO2 libertadas para a atmosfera. 

Promover políticas agroflorestais para capturar carbono da atmosfera (florestamento, uso de produtos de madeira, manejo de carbono em solos minerais) pode ser uma boa solução, mas não garante que a absorção do CO2 da atmosfera seja garantida indefinidamente. 

Quando a floresta amadurece ou a vegetação e os estoques de carbono do solo atingem a saturação, a remoção de CO2 da atmosfera diminui enquanto que o armazenamento de carbono pode ser mantido.   

Desde a década de 1960, a oferta de óleo vegetal e carne mais do que duplicou e a taxa de calorias per capita aumentou um terço. O pior é que 25 a 30 por cento dos alimentos produzidos são desperdiçados. Entre 2010 e 2016, as perdas globais de alimentos e resíduos contribuíram entre 8% e 10% do total das emissões de gases de efeito estufa geradas pelo homem. 

A desflorestação, a degradação das turfeiras, a erosão dos solos ou a desertificação impedem-nos de desempenhar o seu papel e de absorver mais CO2. No final, esta sobre exploração dos solos faz deles um agente de aquecimento. 

O relatório do IPCC destaca o potencial de mitigação das mudanças climáticas das opções relacionadas ao modelo de produção e consumo. Práticas como a melhoria orgânica do solo, o controlo da erosão, a gestão eficiente da fertilização ou a utilização de variedades geneticamente melhoradas - para tolerar o calor ou a seca - são opções recomendadas. 

Mudar a forma como comemos

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O relatório apela à promoção de regimes alimentares equilibrados e de alimentos à base de plantas. Por exemplo, o consumo de como grandes cereais, leguminosas, frutas e legumes, bem como de "alimentos de origem animal" associados a sistemas de produção "resilientes, sustentáveis e com baixas emissões de gases com efeito de estufa". 

Este modelo alimentar "apresenta maiores oportunidades de adaptação e mitigação (face às alterações climáticas) e, ao mesmo tempo, "gera benefícios significativos para a saúde humana", diz a ONU. 

As alterações sugeridas no regime alimentar podem impedir que vários milhões de quilómetros quadrados de terra sejam utilizados para a produção de alimentos até 2050. E, também, reduzir as perdas de colheitas e a geração de resíduos alimentares também pode ser uma forma de erradicar a pobreza. 

É considerado urgente agir para proteger as turfeiras (porque a remoção desses solos para plantio liberará grandes quantidades de metano), pântanos, pastagens, mangues e florestas. Em geral, são as soluções apresentadas no relatório quer evitar que sejam usadas mais terras. 

O planeta Terra atingiu a 29 de julho o limite do uso sustentável dos recursos naturais de 2019. Desde essa data, a humanidade está a viver a crédito, devorando muito mais do que a natureza pode oferecer num ano. Neste momento, consumimos os recursos de 1,75 planetas como o nosso por ano.


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