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Alemanha admite restrições nas exportações de vacinas da UE
Sociedade 3 min. 26.01.2021

Alemanha admite restrições nas exportações de vacinas da UE

Alemanha admite restrições nas exportações de vacinas da UE

Michael Kappeler/dpa
Sociedade 3 min. 26.01.2021

Alemanha admite restrições nas exportações de vacinas da UE

Lusa
Lusa
Não se trata "de pôr a UE primeiro, mas de ter direito à quota da Europa", disse o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn.

"As vacinas que saem da União Europeia (UE) precisam de uma licença para que, pelo menos, saibamos o que foi produzido e o que saiu da Europa. E que quando saem da Europa, têm uma distribuição justa", disse Spahn.

Depois da norte-americana Pfizer ter anunciado atrasos nas entregas das suas vacinas, a farmacêutica AstraZeneca admitiu, no final da semana passada, que o número de doses de vacinas que poderia entregar seria muito menor do que o previsto, já que tinha registado uma "queda do rendimento" na fábrica europeia.


Comissão Europeia faz ameaças a AstraZeneca por não cumprir contrato
A vacina desta farmacêutica deverá ser aprovada esta semana, mas o fabricante avisou que não entrega já todas as doses previstas. A EU quer respostas esta noite.

Esta declaração causou preocupação na Europa, que está a correr contra o tempo devido ao aparecimento de novas e mais perigosas variantes do coronavírus que provoca a covid-19.

A vacina da AstraZeneca/Oxford tem a vantagem de ser mais barata de produzir do que as das suas concorrentes e também mais fácil de armazenar e transportar, especialmente em relação à vacina da Pfizer/BioNTech, que tem de ser armazenada a uma temperatura muito baixa (-70° C).

O ministro alemão da Saúde reconheceu hoje que num "processo tão complexo como a produção de vacinas, às vezes acontecem problemas", mas defendeu que isso deve ser uma preocupação igual para todos, o que não acontece com o Reino Unido, onde não se regista qualquer atraso nos fornecimentos.

Não se trata "de pôr a UE primeiro, mas de ter direito à quota da Europa", disse, lembrando que a UE celebrou contratos com o grupo sueco-britânico AstraZeneca e já pré-financiou a construção de novas capacidades de produção.

Os atrasos nas entregas da vacina da AstraZeneca despertaram a raiva da comissária Europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, que propôs, na segunda-feira, um "mecanismo de transparência" nas exportações para fora da UE de vacinas produzidas no seu território.

O Governo britânico garantiu hoje que a vacinação no Reino Unido não será afetada por atrasos nas entregas na Europa e alertou para as consequências de um "nacionalismo de vacinas" após a ameaça de Bruxelas de controlar as suas exportações.

"Estou confiante de que a AstraZeneca e a Pfizer nos fornecerão as quantidades de que precisamos para atingir a nossa meta em meados de fevereiro", disse o secretário de Estado encarregado da campanha de vacinação, Nadhim Zahawi. "Tenho certeza de que vão abastecer a União Europeia, o Reino Unido e o resto do mundo", acrescentou.

A Comissão Europeia reservou cerca de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, que já está a ser usada no Reino Unido.

A Agência Europeia dos Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) recebeu no passado dia 12 de janeiro um pedido para autorização desta vacina e deverá, até final do mês, dar 'luz verde' à comercialização de emergência na UE.

Esta questão de dar prioridade aos países europeus na utilização de vacinas produzidas na UE suscitou um debate sobre a distribuição justa de vacinas no mundo, onde mais de dois milhões de pessoas morreram, no último ano, devido à covid-19.


OMS. "Não é correto adultos saudáveis em países ricos serem vacinados antes de médicos e idosos em países pobres"
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou hoje que o mundo "está à beira de um fracasso moral catastrófico" se os países ricos não partilharem vacinas contra a covid-19 com os mais pobres.

Em meados de janeiro, o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, avisou que o mundo ia enfrentar um "fracasso moral catastrófico" se os países ricos monopolizassem as vacinas à custa dos países pobres.

A OMS e a Vaccine Alliance (Gavi) criaram o mecanismo Covax para distribuir vacinas anti-covid a países desfavorecidos, mas o sistema sofre uma tendência de 'cada um por si' e tem falta de financiamento.

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Bruxelas havia adquirido 200 milhões de doses desta vacina, que contava que fossem administradas até setembro de 2021, tendo agora decidido reservar mais 100 milhões de doses, mesmo contando dispor muito em breve de outras vacinas contra a covid-19, dado ter uma ampla carteira de potenciais vacinas.