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Afinal refugiados não provocam crise económica na Europa
Sociedade 3 min. 11.01.2019

Afinal refugiados não provocam crise económica na Europa

Afinal refugiados não provocam crise económica na Europa

Foto: Dimitar Dilkoff
Sociedade 3 min. 11.01.2019

Afinal refugiados não provocam crise económica na Europa

Apesar de a Europa ter recebido um recorde de refugiados nos últimos cinco anos, em termos demográficos e económicos terá um impacto mínimo. A crise política que gerou é, portanto, injustificada, considera a OCDE.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considera que os refugiados trarão um aumento na população em idade ativa nos países europeus em cerca de 0,33% até 2020, um impacto muito baixo. No relatório divulgado hoje sobre as formas de melhorar a integração de refugiados e outros imigrantes vulneráveis, a OCDE refere que as mulheres, em particular, darão uma contribuição perto de 0,25%.

Em alguns países, o efeito do fluxo de refugiados será mais aparente. como na Áustria, Grécia. Na Suécia os refugiados recentes aumentarão a força de trabalho em até 0,5% e na Alemanha em até 0,8%. Na Turquia, os refugiados sírios já representam cerca de 3% da população em idade ativa.

Os autores do relatório, que tem como base os países da OCDE - observa que alguns estudos mostram que a complementaridade entre as competências laborais dos refugiados e dos nativos pode ter consequências positivas, embora admita que em certos setores possam haver efeitos negativos significativos. O que significa que alguns refugiados entram em competição no mercado de trabalho com os nativos, algo que é encontrado na Turquia, o país com o maior número de refugiados do mundo. 

Quanto aos custos para integrar os refugiados, variam muito de um país para outro, mas estão entre 0,1% e 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Os autores do relatório enfatizam que esse dinheiro é um investimento e que, mais tarde, essas pessoas contribuirão para a economia dos Estados recetores.

Ao contrário da impressão geral, os sistemas dos países da OCDE mostraram-se "amplamente capazes" de enfrentar esses fluxos inesperados de população que necessita de proteção, segundo o documento da organização. No entanto, a ausência de planos de previsão para esse tipo de crise, além de implicar em maior custo financeiro, gera na opinião pública a perceção de fluxos descontrolados.

Quanto aos requerentes de asilo e refugiados nos países da OCDE passaram de dois milhões em meados de 2013 para 5,9 milhões quatro anos depois, e o primeiro recetor foi a Turquia, onde em novembro de 2018 havia 3,6 milhões de sírios. Os países europeus receberam quatro milhões de pedidos de asilo (960 mil sírios) entre janeiro de 2014 e dezembro de 2017 e cerca de 1,6 milhão receberam o estatuto de refugiado (780 mil sírios).

O ritmo de novas solicitações de asilo começou a diminuir no segundo semestre de 2016 e esse declínio continuou nos últimos dois anos, com uma média entre 50 a 60 mil por mês, em comparação as 130 mil entre julho de 2015 e setembro de 2016.

Relatório pede envolvimento de sociedade civil, governos e privados

Com base nas recomendações do Pacto Global sobre Refugiados e no trabalho da OCDE, o relatório identifica também uma série de políticas para melhorar a integração dos refugiados e imigrantes vulneráveis. Esses incluem, por exemplo, aumentar a cooperação e colaboração internacional. Outras recomendações foram: intensificar os esforços para ajudar refugiados e migrantes vulneráveis ​​a encontrar e permanecer no trabalho; trabalhar mais de perto com uma ampla variedade de partes interessadas envolvidas na integração de migrantes, incluindo a sociedade civil, o setor privado, os parceiros sociais e órgãos governamentais a nível subnacional.

Ainda estabelecer uma estratégia clara de integração a longo prazo, incluindo provisões para países de retorno à origem, quando justificado; e um plano de crise também é necessário para identificar parceiros, canais de comunicação e responsabilidades diante de grandes afluxos de pessoas que buscam proteção.

Lusa


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