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Acidente grave. Jovem cabo-verdiano com “boa recuperação” após intervenção luxemburguesa
Sociedade 5 min. 16.01.2019

Acidente grave. Jovem cabo-verdiano com “boa recuperação” após intervenção luxemburguesa

Acidente grave. Jovem cabo-verdiano com “boa recuperação” após intervenção luxemburguesa

Foto: Shutterstock
Sociedade 5 min. 16.01.2019

Acidente grave. Jovem cabo-verdiano com “boa recuperação” após intervenção luxemburguesa

Jordy Lima corria perigo de paralisação após grave acidente sofrido durante as férias em Cabo Verde. Mas o Estado luxemburguês interveio a tempo.

“Está tudo a correr bem. Estive hoje [segunda-feira] com ele e recupera bem. Ainda está na sala de cuidados intensivos, mas já fala e já mexe a mão direita”, disse ao Contacto a mãe de Jordy.

Maria Lima mora em Lisboa e veio acompanhar o tratamento do filho que vive sozinho no Luxemburgo. Jordy Lima, de 22 anos e nascido em Santo Antão, estava desde 19 de dezembro a passar férias na ilha cabo-verdiana de São Vicente, onde mora a família da parte da mãe. A 7 de janeiro, quatro dias antes do previsto regresso ao trabalho no Luxemburgo, na empresa de entrega de refeições ao domicílio Tommy’s Box, aconteceu o inesperado. O jovem embateu com a cabeça numa pedra durante um mergulho na praia da Laginha, em Mindelo, capital da ilha de São Vicente. Na altura, conta a mãe, “estava acompanhado por amigos e um familiar”, que alertaram as autoridades. Seguiu-se o transporte até ao hospital Dr. Baptista de Sousa, em Mindelo, onde foi acompanhado de perto por uma tia.

Internado em “estado grave, com uma lesão na medula espinal”, o diagnóstico era reservado, correndo perigo de ficar “paralisado”, disse ao Contacto Domenico Laporta, conhecido dirigente luxemburguês do futsal e antigo educador de Jordy Lima, durante três anos, numa estrutura de acolhimento para jovens em Esch-sur-Alzette.

“Havia falta de meios médicos para o operar no local”, refere Laporta, que esteve na origem da mobilização nas redes sociais para obter o apoio para o repatriamento. Jordy Lima não tinha seguro de viagem nem meios para assegurar um voo especial de repatriamento, que pode ascender a 40 mil euros.

Depois da divulgação nas redes sociais, a Caixa Nacional de Saúde (CNS) teve conhecimento do caso e, em conjunto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Caixa Mutualista Médico-Cirúrgica (CMCM na sigla francesa), garantiu uma ajuda excecional para repatriar Jordy Lima. O transporte teve lugar na quinta-feira e Jordy foi depois operado num centro hospitalar da capital.

“Quando o apoio chega a tempo, faz diferença”

Sem condições de garantir o transporte aéreo de forma tão rápida, Maria Lima agradece ao Estado luxemburguês, lembrando que a pronta intervenção poderá ter sido decisiva para a até agora boa recuperação do filho.

“Estou satisfeita com o trabalho dos profissionais de saúde, com o apoio que o Estado deu e com a divulgação iniciada pelos amigos, que permitiu ao Estado dar este passo. Foi o Estado luxemburguês que permitiu um transporte mais rápido do que se fosse feito por nós. Quando o apoio chega a tempo, pode fazer diferença”, sublinha a cabo-verdiana residente em Lisboa.

Jordy Lima.
Jordy Lima.
Foto: Facebook Jordan GM Lima

“Tenho recebido muito apoio”

Além da ajuda do Estado luxemburguês em socorro do filho, Maria Lima dá conta também do apoio de amigos e anónimos com diversas mensagens espontâneas. “Tenho recebido muito apoio de Cabo Verde, Portugal e também aqui no Luxemburgo. As pessoas dão-me força, coragem, dizem-me que tudo vai correr bem e que vai voltar ao normal. Tudo vai correr bem. Deus é grande”, desabafa.

O otimismo é também grande e a mãe acredita que Jordy vai estar de pé “dentro de uns meses” se continuar com os tratamentos de fisioterapia, “como tem acontecido até agora”. Quanto ao regresso a Portugal, “não há data marcada” para a mãe. “É preciso esperar que as coisas fiquem bem”.

Boas relações entre os dois países ajudam no transporte

“As relações entre o Luxemburgo e Cabo Verde datam de longo tempo [desde início da década de 80] e são consideradas, a todos os níveis, excelentes de parte a parte”, afirmou Joaquim Monteiro, conselheiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros. “O ministério e a embaixada do Luxemburgo na Praia, desde que tiveram conhecimento, começaram a seguir e ainda estão a seguir de perto a situação deste jovem. Fazemos o que está ao alcance das nossas possibilidades e dentro do nosso domínio de competências para prestar assistência assistir a este jovem de origem cabo-verdiana residente no Luxemburgo, juntamente com outros organismos”, acrescenta Joaquim Monteiro.

“Depois do apelo nas redes sociais, a Caixa Mutualista Médico-Cirúrgica decidiu ajudar, entrando em contacto com os amigos e com o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Chegámos a acordo para repatriá-lo o mais breve possível”, complementa Fabio Secci, diretor da CMCM, que recomenda, sobretudo aos mais jovens, evitar problemas de repatriamento e reembolso com um seguro. “O caso de Jordy prova que um acidente pode acontecer a qualquer momento, sem escolher a vítima. É um caso que serve de alerta ao público, de que é melhor estar segurado contra este tipo de eventualidades”, alerta o diretor da CMCM.


Saiba tudo sobre viagens ao estrangeiro, tratamentos, repatriamento e reembolso
Quem viaja para países europeus tem o mesmo direito de tratamento de saúde, repatriamento e reembolso do quem viaja, por exemplo, para países fora do espaço europeu? Como é o caso dos países terceiros que têm acordos bilaterais com o Grão-ducado, como Cabo Verde, por exemplo? Abílio Fernandes, do Ministério da Segurança Social, respondeu às questões do Contacto e explica as diferenças.

Esta caixa mutualista propõe aos seus filiados a cobertura de assistência aquando de viagens ao estrangeiro (comparar com artigo a lado sobre o caso da Segurança Social). “Esta cobertura da CMCM inclui transporte do local do acidente até ao hospital, sem limite de despesas. As despesas de hospitalização são cobertas até 100 mil euros e o repatriamento é assegurado, sem que os filiados tenham de avançar somas importantes”, garante Secci.


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