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A "tortura" da perda do olfato
Sociedade 05.07.2020

A "tortura" da perda do olfato

A "tortura" da perda do olfato

Sociedade 05.07.2020

A "tortura" da perda do olfato

São muitos os doentes de covid-19 que perdem o olfato logo nos primeiros dias da infeção.

A perda do olfato, ou anosmia, um dos sintomas do covid-19, priva-o do "cheiro da vida", uma deficiência invisível mas "psicologicamente difícil de suportar" que não tem tratamento.

"O que mais sinto falta é do cheiro dos meus filhos quando os beijo, do cheiro do corpo da minha mulher, do perfume do meu pai. A anosmia bloqueia os cheiros da vida, é uma tortura", disse Jean-Michel Maillard, presidente da associação Anosmie.org, à AFP.

As refeições também são perturbadas porque 90% do que comemos está relacionado com o sentido do olfato. "Diferenciar um Bordeaux de um Borgonha, diferenciar uma carne estufada de uma vitela Marengo é uma questão de cheiro", sublinha Alain Corré, especialista Otorrinolaringologista do Hospital da Fundação Rothschild em Paris.

"Há dezenas de causas de anosmia", explica o especialista, citando a polipose nasal, rinite crónica, diabetes, Alzheimer, Parkinson e agora covid-19.

Neste caso, é mesmo um sintoma patognomónico, ou seja, um sinal clínico que só por si permite que o diagnóstico seja feito. "Quando as pessoas perdem o olfacto e não há recuperação, há uma verdadeira deterioração da qualidade de vida e uma taxa de depressão não negligenciável", acrescenta Alain Corré.

O problema é quando esta deficiência se instala: "ser privado de olfacto durante um mês não é grave. Dois meses está a começar a ser embaraçoso. Mas passados seis meses, estás sozinho, sob um sino de vidro", diz Jean-Michel Maillard. "Há uma dimensão psicológica muito difícil de viver, é preciso obter ajuda.

Não existe um tratamento específico para o distúrbio do olfato. A causa deve ser tratada mas "o problema com as anosmias relacionadas com o vírus é que muitas vezes o tratamento da infeção viral não tem qualquer efeito no sentido do olfato", diz o Dr. Corré.

A boa notícia é que é possível recuperar tanto o sentido do olfato quanto o do paladar. As células basais, responsáveis ​​pelos neurónios sensoriais olfativos, cuidam disso no nariz. Esse processo transcorre em torno de 60 dias, porque, uma vez superada a doença, a maioria dos pacientes recuperam o olfato em até dois meses.

Com AFP

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