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A pandemia das nossas vidas
Sociedade 7 14 min. 03.12.2021
Covid-19

A pandemia das nossas vidas

Trabalhador da saúde presta apoio a uma idosa hospitalizada com covid-19, em Portugal. Imagem foi eleita uma das fotos do ano pela agência France-Presse.
Covid-19

A pandemia das nossas vidas

Trabalhador da saúde presta apoio a uma idosa hospitalizada com covid-19, em Portugal. Imagem foi eleita uma das fotos do ano pela agência France-Presse.
Foto: AFP
Sociedade 7 14 min. 03.12.2021
Covid-19

A pandemia das nossas vidas

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
O novo coronavírus já vai para velho e a vida nunca mais foi a mesma. Com uma nova estirpe do SARS-CoV-2, detectada na África Austral, no caminho da Humanidade, e os números da covid-19 a dar consistência a uma quinta vaga em Portugal, o Governo endureceu as medidas. Cá estamos, de novo em estado de calamidade. Ainda ninguém ousa falar de confinamento. Mas...

Ao longe ouviu-se falar de um vírus, com origem na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, China. Tão longínqua era a informação quanto difusa. A 2 de Dezembro de 2019, as autoridades chinesas reportaram casos graves de pneumonia. No dia 5 de Janeiro de 2020, Pequim admite a possibilidade de um vírus. Dois dias depois, assumia a sua existência, identificando-o como um novo coronavírus.

Em Portugal, como na Europa, seguiam-se estes acontecimentos pela TV, como uma ficção casuísta, que remotamente se aproximava da realidade. A 11 de Fevereiro, a Organização Mundial de Saúde baptiza o nosso inimigo público nº 1: covid-19 (coronavirus disease). Exactamente um mês depois, 11 de Março de 2020, era oficialmente declarada a segunda pandemia do nosso século.

O novo coronavírus encontrou o seu transporte intercontinental, alastrando pela Europa. Ceifava vidas em Itália, propagava em Espanha a uma velocidade assustadora, como se um cerco se apertasse sobre nós, tornando de novo físicas as fronteiras, separando os novos dos velhos, tornando o medo, por fim, viral. A 16 de Março, a covid-19 fez em Portugal a sua primeira vítima mortal. Com as escolas encerradas, assim como diversos sectores da economia, a 18 de Março foi oficialmente decretado o Estado de Emergência nacional (o primeiro desde 25 de Abril de 1974), com o dever geral de confinamento e severas restrições à circulação. 

E a vida transformou-se numa coisa quase absurda, de vazio cheia, as casas espaçosas tornam-se pequenas e as pequenas tornaram-se cubículos, às voltas nos nossos dédalos, sem saber o que fazer com o ingrediente do tempo, tão viciados que estávamos no seu consumo, na sua dopamina. As ruas transformaram-se em desertos e o silêncio numa espécie de absolvição. Os pais reencontraram os filhos e os filhos reencontraram os pais e, nos intervalos da tecnologia, desataram todos a fazer pão, celebrando o cognitivo retorno à simplicidade e o investimento na Bimby.

Ao minuto se actualizavam os mortos, eram ininterruptas as notícias sobre a situação catastrófica em Itália, a vaga que em Espanha alastrava, ameaçando a permeabilidade das nossas fronteiras. Na nossa vizinhança geográfica e um pouco por toda a Europa, havia gente estendida em macas nos corredores de hospitais a rebentar pelas costuras, gente ligada a ventiladores, profissionais de saúde exaustos, com os socalcos das máscaras inscritos na sua face, a imagem dos mortos, os caixões que saíam pela porta das traseiras, a imagem dos doentes, os aviões em terra, os mercados a afundar, a crise de todas as crises no horizonte.


(20/23) Artur Palma, proprietário de uma agência funerária, mostra, através de videochamada, o caixão com o corpo de um homem que morreu vítima de covid-19, à sua mulher, que não pode estar presente na hora da despedida por estar ela também infetada com covid-19, no parque de estacionamento do Crematório de Rio de Mouro, Sintra, 29 de janeiro de 2021. Esta semana Portugal ultrapassou as 300 mortes diárias por covid-19, um novo máximo desde o início da pandemia. (ACOMPANHA TEXTO DA LUSA DO DIA 30 DE JANEIRO DE 2021). MÁRIO CRUZ/LUSA
Foto-reportagem. O distanciamento da morte no frio do último adeus
Com Portugal a ser um dos países mais afetados pela pandemia nas últimas semanas, como se trata dos mortos?

Em Portugal, apesar do confinamento, andava por aí o pânico dissimulado, com a desigualdade em pelota, os apoios sociais que tardavam, micro-heróis a brotar por toda a parte, assim como os velhos do Restelo, sob o efeito de azeite na água. As teorias da conspiração proliferavam, para nunca deixar a culpa morrer solteira. Primeiro tinham sido as elites a trazer o vírus das suas férias de luxo em estâncias de esqui, depois tinha sido a malta da construção civil. Primeiro foi a teimosia dos velhos, depois a imprudência dos novos. Primeiro não era necessária a máscara,depois era muito aconselhável, depois obrigatória. 

Teriam sido os chineses? Seria o SARS-CoV-2 uma arma química, produzida em laboratório? Seria uma praga bíblica? Numa encruzilhada maniqueísta, uma das especialidades nacionais, eram de admitir todas as hipóteses, mesmo as que a ciência negava, embora a época fosse de viola no saco para os eternos defensores da privatização do Serviço Nacional de Saúde. Estavam activos como nunca os justiceiros das redes sociais, uma nova estirpe de talking-heads cristalizava nas televisões, onde os pivots beatificavam, pregando moral e os evangelhos da pandemia. Por amor da santa, lavar bem essas mãozinhas, desinfectar, desinfectar, desinfectar. Respeitem o distanciamento social, as regras de saúde pública, o mais pequeno dos sintomas. Haja civismo, portugueses, o papel higiénico chega para todos. Haja decoro, agiotas do álcool-gel. Vai ficar tudo bem. E, por favor, por favor, pela nossa saúde... fiquem em casa.

Um trabalhador da saúde com uma paciente no hospital de campanha em Portimão, no Algarve, a 9 de fevereiro de 2021.
Um trabalhador da saúde com uma paciente no hospital de campanha em Portimão, no Algarve, a 9 de fevereiro de 2021.
Foto: AFP

Em casa, uma verdadeira legião do sofá combatia estoicamente este vírus, pondo as séries em dia. As cadeias de supermercado vendiam como se fosse Natal, anunciando migalhas-extra aos novos heróis do novo normal, os trabalhadores essenciais, aqueles que se expunham todos os dias ao risco, a troco de não perder o emprego. E, como é evidente, os profissionais de saúde, a quem, todas as noites, se devotavam palminhas à janela, aproveitando para acenar aos vizinhos, com cuidado, para não derrubar as velinhas e o terço. 

Infinitas questões, todas urgentes, colocavam uma bateria de "expertos" na ordem do dia, quase sempre em vídeo-chamadas, tendo de cenário a biblioteca lá de casa. Houve quem dissesse, embora tal nunca tenha sido confirmado, que nas lojas dos chineses já haviam estantes com lombadas de livros a preços imbatíveis, tais como os ventiladores, que chegaram a Portugal com o manual de instruções em mandarim. 

Tudo era uma questão de extrema delicadeza, tudo fait-divers. Então e o futebol? E as missas? E as consultas, os exames, as cirurgias que estavam marcadas há meses? E a caducidade dos documentos? E aqueles que se encontravam no estrangeiro, à espera de repatriamento? E os estrangeiros que se encontravam em Portugal à espera do mesmo? E o teletrabalho? E as falências? E os precários? E os despedimentos? E o lay-off simplificado? E as moratórias? E o endividamento das empresas? 

Equipas de desinfeção a limpar as carruagens no Metro de Lisboa, em março de 2020.
Equipas de desinfeção a limpar as carruagens no Metro de Lisboa, em março de 2020.
Foto: Lusa

E o sector da restauração? E o que seria do turismo algarvio sem os nossos ingleses de estimação? E os bares e as discotecas? E as feiras e os mercados? E o pequeno comércio? E os bens de primeira necessidade? E a saúde mental? E os sem-abrigo, os desprotegidos, os sós? E a solidariedade social? E a solidariedade europeia? E o exemplo sueco? E aqueles holandeses, esses luteranos e calvinistas tax-free, sem misericórdia pelo mediterrâneo? E a gestão emocional? E as sequelas? E o futuro? E as estirpes? Que impacto teriam os impactos sobre os impactos? E essa vacina, demorava?

O vírus da ignorância

Nas ruas, assim como nos céus, notava-se uma maravilhosa desumanização. Animais foram vistos a passear descontraidamente nas ruas de um subúrbio de Lisboa. Em plena Lisboa, um galo foi ouvido a cantar. Uma espécie de vaga despoluidora teve o seu zénite um desses dias na cidade de Déli onde, ao fim de três décadas, pelos misericordiosos filtros da poluição, se pôde observar os picos dos Himalaias. Este vírus tinha uma identidade própria, um significado que convinha identificar, quando houvesse tempo, que era coisa que não faltava.

Capital portuguesa.
Capital portuguesa.
Foto: Lusa Foto: AFP

Talvez a pandemia fosse o sinal que a Humanidade esperava, embora não pudesse esperar muito de Trump, o mais trágico dos negacionistas, em simultâneo negando o vírus e acusando a China da sua paternidade, antes de arriscar aquela receita de lixívia intravenosa. Nem Bolsonaro, mais adepto da hidroxicloroquina (desde que não tivesse de pronunciar a palavra) conseguiu atingir tal estadio. Quando ao vírus se junta o vírus da ignorância e este se aloja no coração de uma liderança totalitária, a consequência é mortífera, com tantos e tantos mortos na consciência (se houver), tanto no Brasil com nos EUA.

Portugal tinha os seus mortos a lamentar. Mas, em comparação com o que se via pela Europa e pelo mundo, assumia-se como um exemplo a seguir. A velha história do 8 e do 80, na fase maníaca, não sem claros sinais de depressão. Todos os dias, ora Marta Temido, ministra da Saúde; ora António Lacerda Salles, secretário de Estado Adjunto e da Saúde; ora a omnipresente Graça Freitas, directora-geral da Saúde, faziam uma comunicação ao país, actualizando a situação com as suas sombras de linguagem gestual. Às tantas, a sobrecarga informativa sobre a pandemia já era tanta que até os mortos, todos e cada um a lamentar, entre tantos e tantos dramas pessoais e familiares, começaram de certo modo a banalizar. À bolina da tempestade, o tempo relativizou, o quotidiano amainou, rezando aos deuses do desconfinamento, que ouviram as nossas preces no início de Maio de 2020.

Pandemia já fez mais de 18 mil mortos em Portugal.
Pandemia já fez mais de 18 mil mortos em Portugal.
Foto: Lusa

Sol de pouca dura foi o Verão. A segunda vaga manifestou sinais em Setembro e atingiu Portugal em Outubro, com a abertura oficial da época das gripes. A 26 de Outubro, é anunciada a obrigatoriedade do uso de máscara na via pública, já que no interior dos estabelecimentos já era mais do que obrigatória. Aliás, já toda a minha gente tinha aprendido a ser polícia pandémico dos outros. Há muitos meses que as pessoas não se beijavam, não se abraçavam, não conviviam, cumprimentando-se à cotovelada, mantendo entre si distâncias higiénicas. Estas regras sociais instalaram-se em nós. A nossa interacção nunca mais foi a mesma desde que esta pandemia vigora. Os nossos gestos, a nossa relação com os outros tem a distância no instinto. Das profundezas, ressurgiu com renovada energia uma certa moralidade cristã, não tivessem disparado os casamentos logo que se tornou possível a boda-assistida.

Esta vaga, que havia de prolongar-se até ao início de Dezembro, seria não mais do que uma amostra do que aí vinha, imparável. Com a mesma veemência se discutia a "bazuca" e o Natal que, após tantos confinamentos, tantas famílias separadas, estava com a cotação para lá se sacro-santa. Os epidemiologistas não aconselhavam as reuniões de família, os políticos dividiam-se nesta matéria, a Igreja fazia o sinal da cruz. O Natal tornou-se quase um evento constitucional e a generalidade da população fez o que lhe ditava a consciência e não o que lhe diziam, porque o atropelo de direitos tinha limites e estes tinham traçado a sua linha vermelha na chaminé. 

Foto: Lusa

Os avisos e as restrições não impediram essa vontade de se concretizar. Os apelos que se fizeram para o Natal, estavam em vigor para o fim do ano. Por junto, tudo resultou numa grandiosa incubação, que por sua vez conduziria – nisto as opiniões são consensuais os números esmagadores -, à mais devastadora das vagas desta pandemia em Portugal, não tarda muito faz um ano. O travo libertário da quadra natalícia, uma espécie de armistício ilusório, teria um preço elevadíssimo para o país e para as famílias.

A terceira vaga instalou-se em nossas casas como uma madrasta. Dentro das paredes metafísicas do confinamento, com o inimigo invisível lá fora, mais agressivo que nunca, as portas fecharam-se e as pessoas fecharam-se atrás destas, com o medo colado ao corpo, como um exosqueleto. Esta vaga destruiu todos os indicadores que Portugal registara no decurso já longo da pandemia. Num ápice, Portugal passou de bom a péssimo exemplo, com o número de contágios, de internamentos e, por consequência, de mortes, a disparar para a tragédia. De nada serviu nesta altura o facto da vacinação se ter iniciado logo após o Natal (27 de Dezembro de 2020) pois, ao contrário dos números da pandemia, os números da vacinação, a par da "organização" no mínimo atabalhoada desta, era exígua e ineficaz. Nas urgências dos hospitais haviam quilómetros de filas de automóveis, a fazer recordar os velhos tempos da normalidade, os profissionais de saúde, exauridos, davam sinais óbvios de burn-out, o SNS estava à beira do colapso e isto era reconhecido por todos. 

Ambulâncias com doentes faziam filas à porta do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Ambulâncias com doentes faziam filas à porta do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Foto: AFP

A situação que a Itália tinha vivido, estava então bem presente na memória colectiva. Restava confinar. E, para quem soubesse ou quisesse, rezar. Portugal era então um dos países mais afectados do mundo pela pandemia. Em finais de Janeiro deste ano, atingiu-se o pico desta terceira vaga, com indicadores que meses antes pareciam inconcebíveis: 16.500 casos de infecção, 303 óbitos num só dia (29 de Janeiro). Num misto de incredulidade e de obscurantismo, a vida seguiu por não ter outro remédio. Os meses, as estações passaram, como se o tempo já não lhes devesse obediência, tornando os dias num lento e impressivo processo de memória, com os mesmíssimos problemas, agudizados pelas mesmíssimas circunstâncias. Foi longo e duro este confinamento. E talvez o melhor sinal disto tenha sido o facto de o termos arquivado no pensamento. 

No final da Primavera, parecia que esta vaga já pertencia a um passado distante e que os desempregados que esta crise tinha criado já podiam ir para a praia bronzear o desespero. Com a vacinação a galopar e a propalada imunidade de grupo de novo a colocar-nos no pináculo dos bons exemplos, tirando aquela questão da final da Champions no Porto, com os “hooligans” a desconfinar violentamente na Ribeira, de novo se caiu naquela ilusão que este vírus tinha já os dias contados e que, surfando o habitual optimismo patológico do nosso primeiro-ministro, podíamos ir retomando alguma da normalidade perdida. Não seria assim. No passado dia 6 de Julho, o próprio António Costa reconheceu publicamente estarmos todos a bordo de uma quarta vaga da pandemia.


O coordenador da task-force para a vacinação contra a covid-19, Henrique Gouveia e Melo, durante a conferência de imprensa com atualização da informação sobre a vacina covid-19 da Astrazeneca, no Ministério da Saúde, em Lisboa, 18 de março de 2021. RODRIGO ANTUNES/LUSA
Missão cumprida
A campanha de vacinação começou na fase mais negra da pandemia do país, em janeiro, com fura filas e demissões polémicas. Hoje Portugal é o segundo país do mundo com maior número de vacinados.“Fico satisfeito por ter contribuído para um processo que foi decisivo para salvar vidas”, declara ao Contacto o vice-almirante Gouveia e Melo, na véspera de deixar a liderança da vacinação em Portugal e com o país prestes atingir os 85% de vacinados. Esta é uma história de sucesso muito elogiado nos quatro cantos do mundo. E que merece ser contada.

A par do número crescente de vacinados da nação, a boa notícia é que esta vaga não podia ser tão desvastadora como a terceira. A má é que teríamos de dar passos atrás no desconfinamento. Calma, calma. Nem o confinamento era geral, nem o desconfinamento total. A situação, desta vez, seria gerida localizadamente, de acordo com os indicadores específicos de cada região. Para cada situação, o seu estado, por ordem de gravidade: calamidade; alerta; contigência. A região de Lisboa e Vale do Tejo, por razões mais do que óbvias, era a que apresentava os números mais preocupantes, juntando a este o concelho de Odemira (o maior concelho de Portugal), onde actualmente habita uma multinacional a trabalhar nas estufas e um problema social que então ficou às claras e sem abrigo, após a cerca sanitária ali decretada e, desta, o caso nacional em que se transformou o eco-resort Zmar, que durou menos que um amor de Verão.

População imunizada

Só em Setembro, com 83 por cento da população vacinada, se atingiu a última fase de desconfinamento. Em matéria de vacinação, as coisas só entraram nos eixos quando se colocou ao comando um militar, o vice-almirante Gouveia e Melo, com o seu camuflado, assinalando o espírito e a estirpe de missão que lhe havia sido confiada. Hoje já o vice-almirante se encontra condecorado e 87,78 por cento da população portuguesa imunizada. No passado dia 1 de Outubro, foi finalmente anunciado o Black Friday das restrições. Portugal, ainda que caminhasse para um impasse político, podia respirar de alívio. Podia? Toda a gente, mesmo os mais impedernidos contra-vapores, achava que sim, sendo que não seriam os negacionistas a negá-lo. 


O jogo da vergonha
Estádio Nacional é palco de um atropelo à verdade desportiva, à competitividade e à saúde pública.

Neste momento, cerca da 75 por cento da população elegível para receber a dose de reforço da vacina já foi inoculada. Prevê-se que até à primeira quinzena deste mês um universo de milhão e meio de pessoas tenha a dose de reforço tomada. Que rico Natal vinha aí, não era? A curva achatada, porém, começou de novo a dar sinais de alarme nas últimas semanas.

Ao longe, para os lados do Botswana e África do Sul começou a ouvir-se falar numa nova variante, entretanto baptizada de Omicron (15ª letra do alfabeto grego) e a mais recente estirpe da nossa preocupação. Cá estamos de novo em estado de calamidade, com o número de infectados e de óbitos em curva ascendente. Portugal aproxima-se perigosamente dos 18.500 mortos que esta pandemia já levou. 

A única certeza que temos é que os nossos hábitos já mudaram e que talvez leve menos tanto a regressar à normalidade perdida do que a afastarmos de nós este vírus. O mais provável é termos de viver com ele por muitos e longos anos. Mais ou menos como alguns casamentos.

(Autor registrado de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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