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A Natureza produziu algo de extraordinário no leste do Luxemburgo

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A Natureza produziu algo de extraordinário no leste do Luxemburgo

A Natureza produziu algo de extraordinário no leste do Luxemburgo
Mullerthal

A Natureza produziu algo de extraordinário no leste do Luxemburgo


por Ricardo J. RODRIGUES/ 20.05.2022

Fotos: Gerry Huberty

Há um mês, a UNESCO declarou o Mullerthal um dos 177 Global Geoparks do mundo. Isso significa que o valor geológico e natural da região é património de toda a Humanidade. Mergulho na floresta com geólogos e hidrólogos, ecologistas e economistas, técnicos de turismo e agrónomos – para perceber a história e o potencial de um dos mais notáveis vales do planeta.

É difícil perceber a dimensão do Mullerthal olhando apenas para os mapas. Não é que os limites do parque natural luxemburguês não estejam bem marcados, ou que os trilhos que o percorrem não estejam devidamente assinalados. O problema é que, aqui, um quilómetro raras vezes é apenas um quilómetro. Na cartografia é, sim, se a conversa se limitar a traçar um azimute entre um ponto e outro. Numa incursão pelo terreno, no entanto, cedo se percebe que esse milhar de metros pode envolver descidas ou subidas a pique, rastejar no meio de grutas ou entalar o corpo nas fissuras das rochas. A maior certeza que se pode esperar de uma caminhada pela região é, precisamente, facilidade com que ela se pode tornar irregular.

Há um par de semanas, a UNESCO declarou o Mullerthal um dos 177 Global Geoparks que existem na Terra. A nomeação distingue os lugares de maior singularidade geológica e natural do globo – e cuja preservação tem importância para todo o planeta. A lista atual estende-se por 46 países, do Canadá à China, da Islândia à Indonésia. E o Luxemburgo conseguiu um feito extraordinário ao integrar uma lista tão estreita. Países próximos, como a Bélgica ou a Holanda, e países vastos, como o Brasil ou a Rússia, têm igualmente uma classificação. Portugal, curiosamente, está representado cinco vezes no inventário: Açores, Arouca, Serra da Estrela, Tejo e Terras de Cavaleiros.

A geóloga Birgit Kausch explica as formações rochosas do Mullerthal.
A geóloga Birgit Kausch explica as formações rochosas do Mullerthal.
Gerry Huberty

Mullerthal, ou em luxemburguês Mëllerdal, significa literalmente Vale dos Moínhos. Mas o cognome por que é mais conhecido é na verdade ‘A Pequena Suíça’, nome com que um jornal holandês batizou estas terras no final do século XIX. “O que torna esta região absolutamente única no planeta é a sua geologia”, diz Birgit Kausch, geóloga e uma das pessoas que mais afincadamente trabalhou na candidatura do parque natural à UNESCO. “É um enorme depósito de grés, pedras arenosas que explicam todo o ecossistema e até a ocupação humana. Os esqueletos mais antigos a serem detetados no Luxemburgo foram encontrados aqui e isso não é mero acaso”, explica. “Viveram no final do Paleolítico, há oito e nove mil anos.”

É sexta feira e a geóloga veio hoje mostrar porque é que o Mullerthal é o Mullerthal. A manhã corre solarenga em Berdorf e os primeiros grupos de turistas já se fazem aos trilhos marcados.  “Vamos dar uma volta e ver a história do mundo”, anuncia de braços abertos. Kausch avança umas centenas de metros por um caminho de terra batida até um miradouro sobre o vale da Formiga Negra, um dos mais bem preservados ecossistemas do parque. Para o resto do mundo, o treking segue por terra batida, mas ela prefere apontar para um desfiladeiro. “Por aqui”, anuncia. E, pronto, começamos a descer.

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Quando o Luxemburgo era um mar
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Os frisos das rochas permitem avaliar a corrente marítima que um dia aqui passou.
Os frisos das rochas permitem avaliar a corrente marítima que um dia aqui passou.
Foto: Gerry Huberty

A região do Mullerthal ocupa 256 quilómetros quadrados, o que é basicamente um décimo do território nacional. Mercê do relevo, é uma das zonas mais despovoadas do Grão-Ducado: tem pouco mais de 25 mil habitantes. Mas também é uma das regiões com maior valor histórico para o país. Nos 11 municípios que compõem o Geopark – Beaufort, Bech, Berdorf, Consdorf, Echternach, Fischbach, Heffingen, Larochette, Nommern, Rosport-Mompach e Waldbillig – sucedem-se os marcos da ocupação romana e os castelos medievais. A procissão dançante de Echternach, que se realiza desde o ano 1100, é também classificada património da Humanidade pela UNESCO.

Mas a história agora conta-se no meio dos calhaus. A géologa Birgit Kausch lidera o caminho e pára diante de uma enorme pedra. Do topo à base mede quase uma centena de metros e é tão imponente como um arranha-céus em Nova Iorque. O mais impressionante de tudo é que uma enorme brecha atravessa-a a meio e é precisamente por aí que se cumprem os passos. “Lá no alto, é relativamente fácil encontrar fósseis de conchas e outros animais pré-hiistóricos marinhos”, conta ela. “Há duzentos milhões de anos, o Luxemburgo era um mar.”

A Europa não era Europa como a conhecemos. A Bélgica era já um pedaço de terra firme, mas do que é hoje a Holanda corria um braço de mar Grão-Ducado dentro. “A corrente não havia de ser muito forte porque nesta região sedimentaram-se grandes quantidades de quartzo”, explica a geóloga. “Ao longo de centenas de milhares de anos, o movimento das placas téctónicas reorganizou a paisagem europeia e o mundo como o conhecemos, mas estes resíduos permaneceram aqui e são eles que explicam hoje o Mullerthal.”

Imagine uma tolha de tecido estendida numa mesa. Com uma mão, empurre-a de um dos lados. Uma parte do tecido vai levantar-se. Seguramente que terá uma elevação maior e a seguir outra mais pequena. Geologicamente, foi isso que aconteceu na Europa. A placa tectónica africana é a mão que empurrou a toalha, a ruga maior do tecido são os Alpes, a mais pequena é a cadeia montanhosa do Eifel, onde hoje se situa a região do Mullerthal. O mar afastou-se para norte mas em terra ficaram os sedimentos e as conchas, formadas de calcário – que funciona como uma cola que une os grãos de quartzo. Assim nasceram os espetaculares rochedos de grés como este que agora atravessamos.

“Os pinheiros foram as primeiras árvores a estabelecer-se no alto das pedras, porque dão-se bem em solos arenosos”, explica Birgit Kausch. Para exemplificar o que diz agacha-se e escava um pouco o solo – é tão arenoso como as dunas de Ostende, 300 quilómetros a norte. Entre as rochas foi-se acumulando terra, apareceram os carvalhos, primeiro, e depois as faias. “É essa natureza imaculada e primitiva que ainda hoje podemos encontrar aqui de forma extremamente bem preservada”, explica. O Mullerthal é por exemplo um ponto quente de biodiversidade quando o assunto é musgo. “Há mais de 400 espécies identificadas. Algumas delas estão em franca extinção no resto do continente mas encontram aqui um ponto de refúgio único – e isso tem um valor ecológico incrível”, diz a geóloga.

O caminho pelo meio da fissura terminou, mas ali à frente há uma gruta que a natureza escavou no meio da rocha. Birgit Kausch entra, é preciso acender lanternas e rastejar pelo chão, depois escalar uma escadaria para irromper do meio das pedras. “Outra característica extraordinária destas pedras arenosas é que elas são perfuráveis mas mantêm uma resistência estrutural bastante firme. É por isso que, na capital do Luxemburgo, se furaram as rochas para construir fortificações militares”, explica. As Casemates, um dos maiores patrimónios do país, só existem porque, antes de haver aqui seres humanos, havia um mar e uma corrente branda.

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Água para todos
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A banhos num dia de calor na cascata do Schiessentümpel.
A banhos num dia de calor na cascata do Schiessentümpel.
Foto: Gerry Huberty

Quando, há três anos, a hidróloga Rachel Krier começou a trabalhar no Parque Natural, uma das primeiras coisas que fez foi falar com os agricultores da região e tentar convencê-los a proteger as reservas de água no subsolo do parque. “Alguns aceitaram logo as ideias, outros não mas foram-se deixando contagiar. Lembro-me de uma noite em que fui a um concerto e encontrei estes lavradores de quem não me lembrava, mas que me agradeceram muito pelas políticas que estávamos a desenvolver porque elas funcionavam”, diz, e desata-se a rir.

O Mullerthal pode orgulhar-se de uma rara característica. “Há tantas fontes de água que os 11 municípios onde está localizado o parque, e mais cinco adjacentes, possuem autosuficiência em termos de água potável”, diz a hidróloga. Ou seja, as reservas são tantas que cada comuna consegue ter as suas captações próprias em nascentes na floresta. No total, há 60 captações de água no vale. “Pode parecer muito, mas não nos podemos esquecer que no verão a população quintuplica por causa do turismo. Os recursos, no entanto, são mais do que suficientes”, explica.

É também a geologia a explicar a riqueza de água potável nestas terras. “O que acontece é que, como as pedras são arenosas, a água infiltra-se e a rocha cria um filtro natural contra as impurezas”, conta Krier enquanto se encaminha para uma das estações de captação, no vale da Formiga Negra. Um outro conjunto de enormes pedregulhos precipita-se em direção a um pequeno ribeiro com nome de insecto, que está sempre cheio de caudal por causa da água que brota das rochas. É, também ele, um paraíso para a biodiversidade.

As rochas podem medir entre 70 e 80 metros, e uma gota de água leva em média 15 anos a percorrer a pedra de uma ponta à outra. “Analisamos constantemente a qualidade e praticamente não precisamos de dar-lhe tratamento, tal é o nível de pureza. E é, claro, rica em calcário, por causa da grés. Isso não tem qualquer problema para os humanos, apenas para a maquinaria”, conta enquanto passa as mãos pelos calhaus para mostrar que estão húmidos. O lento processo de filtração está a acontecer ininterruptamente.

Por causa das alterações climáticas, os cientistas do Mullerthal temem que os períodos secos sejam mais prolongados – e os últimos anos têm mostrado uma redução das temporadas de chuva e neve. “É também por isso que tentamos desenvolver este programa com os agricultores”, explica Krier. “Os terrenos mais secos podem absorver mais rapidamente os fertilizantes e pesticidas e contaminar os lençóis freáticos. Mas a nossa preocupação é mostrar a toda a população que passa-se aqui um acontecimento especial em todo o mundo e que tem de ser protegido. Não é comum encontrar uma região assim, autossuficiente quando o assunto é água potável.”

A uns quilómetros dali, a torre de água de Berdorf acolhe um centro de exposições onde se explica a importância do assunto. “Temos sobretudo miúdos de escolas a virem cá e ficam sempre muito espantados quando percebem que só 0,3 por cento da água do mundo é potável”, diz Jessica Zeimetz, que organiza as visitas ao depósito em várias línguas. “Por exemplo, aqui eles aprendem que é melhor para o ambiente lavar o carro numa estação de serviço no que no próprio quintal, porque em casa os detergentes são transportados para a terra. E depois, claro, são eles que convencem os pais a ter comportamentos mais ecológicos.”

A luta pela preservação dos recursos é essencial e o estatuto que a UNESCO agora atribuiu ao Mullerthal obriga a uma vigilância contante. A alguns quilómetros dali, a agrónoma Jill Lucas está a desenvolver um programa para tornar mais biodiversos os campos agrícolas. “Esta é tradicionalmente uma região de pomares, mas as árvores de fruto foram perdendo rentabilidade com os anos e substituídos por campos de pasto para o gado”, explica enquanto vai entrando mato dentro. “Maceeiras, cerejeiras e ameixeiras são tradicionais desta região e nós estamos a tentar devolvê-las à paisagem, porque os benefícios são imensos.”

A agrónoma Jill Lucas
A agrónoma Jill Lucas
Foto: Gerry Huberty

Lucas passa os dias a falar com os produtores de vacas, que normalmente também têm campos de produção de cereais para alimentar os animais. “Não é fácil explicar-lhes que colocar um pequeno pomar no meio de um prado tem vantagens. Mas se pensarmos que as árvores vão providenciar sombra ao gado, que vão trazer uma fertilização natural aos terrenos que lhes vai fazer poupar dinheiro em fertilizantes, eles começam a ouvir. Sinto que depois há uns que aceitam as ideias, veem-nas a funcionar, e contagiam os outros”, diz a agrónoma.

Jill Lucas sabe que, num contexto como este, há florestas imaculadas mas também há, desde o tempo dos romanos, terrenos cultivados. “O que eles faziam era pomares. Se há pomares há abelhas, há polinização, há morcegos para combater as pragas, há menos fertilizantes no solo a contaminar as águas, que são um tesouro único da região”, contextualiza. Também diz que há um potencial turístico nestas medidas. “A paisagem torna-se mais diversa. E, para motivar a utilização das árvores de fruto, organizamos com os restaurantes da região semanas gastronómicas em que se utilizam os produtos sazonais. Então há cada vez mais gente a aceitar a ideia dos pomares.” Até 2025, diz, o objetivo é plantar quatro mil árvores de fruto no Mullerthal.

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A ecologia é um bom negócio
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Há 160 mil pessoas a cumprir anualmente os trilhos do Mullerthal.
Há 160 mil pessoas a cumprir anualmente os trilhos do Mullerthal.
Foto: Gerry Huberty

Foi no final do século XIX que a potencialidade turística dos montes de grés se afirmou definitivamente. “A expressão ‘Pequena Suíça’ foi cunhada por um jornalista holandês em 1883, que viajou para estes montes e espalhou a boa nova pelo resto do país”, diz Marianne Origer, porta-voz da Região de Turismo do Mullerthal. “Desde essa altura, os holandeses nunca mais deixaram de nos visitar.” Atrás deles veio a Europa inteira. Sobretudo para fazer caminhadas.

Por ano, os hotéis da região acolhem 400 mil dormidas e 160 mil caminhantes cumprem os trilhos do Mullerthal. “Há 18 anos começámos a fazer um grande esforço para marcar corretamente os caminhos. Até aí, a sinalética era confusa e dispersa – e não só a uniformizámos como criámos infraestruturas para os utentes”, diz Olinger. Há caixotes do lixo e casas de banho, zonas para piqueniques e painéis explicativos para que se percebam os lugares de passagem. “Neste momento temos também um GeoTrail vocacionado para os mais importantes pontos geológicos da região.”

Marianne Origer, da região de turismo, mostra o sucesso dos trilhos locais.
Marianne Origer, da região de turismo, mostra o sucesso dos trilhos locais.
Foto: Gerry Huberty

Há três grandes trilhos no Mulhertal. A primeira rota circular começa e termina em Echternach e cumpre ao longo de 38 quilómetros a parte oriental do parque. É a rota mais panorâmica, das grandes paisagens. A segunda opção é a mais famosa – e é a grande rota das pedras. Começa normalmente em Berdorf e passa pela cascata do Schéissendëmpel, que a par da vista panorâmica do Grund e do castelo de Vianden é bem capaz de ser o lugar mais fotografado do Luxemburgo. Cumpre 37 quilómetros. O terceiro trilho também passa pela cascata, mas avança para ocidente, passado por Beaufort e Larochette – outros 37 quilómetros, por uma paisagem cheia de água e castelos.

No total são 112 quilómetros de caminhos a pé posto – e nunca nenhum percurso tem mais de 20 por cento da caminhada em estrada pavimentada. “Em 2014, o Mullerthal foi declarado o terceiro trilho de grande qualidade do continente pela European Hiking Federation”, diz a porta-voz da região de turismo. “Nas revistas da especialidade, figura sempre entre as dez melhores caminhadas do continente e isso traz grandes oportunidades aos negócios locais. Mas, claro, queremos um desenvolvimento sustentável e é por isso que estamos a combater.” A nomeação da UNESCO não a preocupa por aí além. “Este tipo de turismo é normalmente consciente. Ainda assim, começámos uma campanha a apelar à proteção da floresta que tenta apelar à cumplicidade de quem frequenta o Mullerthal.”

Christiane Francisco é economista e trabalha para a Região do Mullerthal. “Não é muito frequente que uma pessoa com as minhas competências seja contratada para trabalhar num parque natural, mas a filosofia que queremos incutir é de desenvolvimento responsável, explica agora junto ao parque de campismo de Beaufort. Dá o primeiro exemplo da reconversão: “Apesar de haver novos negócios na hotelaria e na restauração, alguns hotéis têm fechado portas. Mas há cada vez mais zonas de campismo que oferecem cabanas, bungallows, tipis. As pessoas preferem cada vez mais um turismo lento, no meio da natureza, e isso é uma boa oportunidade.”

A responsável do departamento de economia da região também faz esforços por ajudar as pequenas e médias empresas da região a estabelecerem-se e funcionarem melhores. “Um dos projetos que queremos estabelecer é o de criar parques industriais onde possamos introduzir uma economia circular. Se uma empresa tem maquinaria que produz calor, a empresa ao lado pode beneficiar dessa energia para a sua produção”, explica. “Reaproveitar água, energia ou reutilizar materiais são os conceitos em que estamos a trabalhar mais afincadamente.”

Mais adiante, também em Beaufort, um grupo de homens constroi um muro de pedra seca onde antes só havia cimento. São todos portugueses, pertencem a uma empresa chamada Kisch Construction, e segundo o responsável da obra, Hermínio da Costa, aquela é uma arte que se está a perder. “Há 20 anos tínhamos quatro equipas constantemente no terreno a construir este tipo de barreiras. Agora só temos uma.”

Os muros de pedra seca são estruturas onde as pedras são assentes umas sobre as outras como peças de lego, sem qualquer cimento. “São verdadeiramente importantes para a biodiversidade, porque se tornam abrigo para as mais variadas espécies de fauna e flora. Mas são difíceis de construir e é uma arte a cair em desuso. Então, com o apoio do programa InterReg da União Europeia conseguimos renovar uma série de muros no Mullerthal recuperando um saber antigo e uma atividade económica que estava em declínio”, diz a responsável económica do parque.

A construção dos muros de pedra seca.
A construção dos muros de pedra seca.
Foto: Gerry Huberty

A preservação de um parque que é simultaneamente luxemburguês e do mundo inteiro faz-se em várias frentes. Muros de pedra e preservação de águas, marcação de trilhos e plantação de pomares – tudo isto serve para manter íntegro um património que é ímpar. “O equilíbrio entre os humanos e o ambiente é essencial, e sobretudo é benéfico para as pessoas”, diz horas antes Birgit Kaush, a geóloga que nos levou para o meio das cavernas. “Este astro onde vivemos sobreviveu a diversas espécies dominantes e nós somos apenas mais uma. Sou geóloga, estou habituada a pensar em milhões de anos, e sei que a Terra continuará a ser a Terra muito depois da nossa espécie deixar de existir. Por isso é que, quando protegemos o planeta, não é na verdade o planeta que estamos a defender. É a nós mesmos.”

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