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Luxemburgo. A minha vida com um monstro
Sociedade 17 min. 01.12.2021
Violência doméstica

Luxemburgo. A minha vida com um monstro

Violência doméstica

Luxemburgo. A minha vida com um monstro

Foto: António Pires/Contacto
Sociedade 17 min. 01.12.2021
Violência doméstica

Luxemburgo. A minha vida com um monstro

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Foram 20 anos de socos, pontapés, facas no peito e tentativas de estrangulamento. Maria sofreu sempre em silêncio as agressões do marido. A filha era a única testemunha. O martírio, que começou em Portugal terminou há dois anos, no Luxemburgo, com divórcio e proibição do português habitar no país. "Ao primeiro estalo terminem tudo", apela esta vítima.

Maria sabe que se não fizesse queixa acabaria por ser morta pelo marido, entre as quatro paredes da sua casa. Ao longo de 20 anos, as agressões que sofreu foram sempre em crescendo, espaçadas e sem data marcada. Aliás, o português, de 47 anos, até em tribunal, após a sessão do divórcio, voltou a ameaçá-la de morte. Está proibido de voltar a viver no Luxemburgo, e de se aproximar de Maria, de 45 anos, e da filha de ambos, de 23 anos, desde dezembro de 2019, quando foi decretado o divórcio e a proibição de residir no país e aqui circular livremente. "Como trabalha aqui, no Luxemburgo, foi-lhe permitido continuar no mesmo emprego na construção civil, mas não pode morar mais cá. Está a morar na Bélgica. Como o trajeto casa-trabalho é feito na carrinha da empresa, deixam-no entrar assim no Luxemburgo, mas só para trabalhar nos estaleiros e depois tem de voltar logo para casa. Além de que não se pode aproximar de mim e da filha. De tempos a tempos, a polícia contacta-me para saber se ele tentou aproximar-se ou contactar-me", conta Maria que aceitou dar o seu testemunho, e relembrar todo o inferno que ela e a filha passaram, para alertar as outras vítimas, em mais uma semana da Orange Week, de combate contra a violência contra mulheres e raparigas que decorre até dia 10 de dezembro, no Luxemburgo.

Eu casei com um príncipe que, afinal, era um monstro, um psicopata.

Maria, vítima de violência doméstica

 "Ao primeiro estalo terminem tudo, ponham um ponto final na relação. Porque será de certeza o primeiro de muitos, e infelizmente pode culminar com a vossa morte. Eu sei do que falo, vi a morte à minha frente várias vezes. Tenham coragem, lutem e saiam da relação. Não pensem que não volta a acontecer. Vai acontecer e têm de ser vocês a dar o passo que evita uma vida de sofrimento atroz", pede Maria, que faz questão de ser identificada com o seu nome verdadeiro. O apelo que faz ao contar o seu caso, "é importante demais para quem está a passar pelo mesmo, e veja que pode sair do inferno". A portuguesa só esconde o rosto nas fotografias pela sua filha, que "já sofreu demais e merece agora ser feliz".

"Eu casei com um príncipe que, afinal, era um monstro, um psicopata, como lhe chamou a polícia", assim começa esta portuguesa a contar a vida de infortúnio e violência conjugal.

Após dois anos de vida em comum, Maria casou-se, com 23 anos, com o seu "príncipe", em Valongo. Nunca tivera na família casos de violência doméstica, nem de alcoolismo, por isso, desconhecia os sinais de alerta. A primeira bofetada surgiu depois de uma festa, tinha a Sofia (nome fictício) cinco meses. Ficou assustada, mas "ele pediu desculpas, disse não saber o que estava a fazer". Meses depois, surgiram outros, mas a portuguesa foi deixando passar. "Só depois dos meus pais e irmãos emigrarem para o Luxemburgo é que ele se tornou violento. As agressões eram espaçadas, mas cada vez mais graves e perigosas. Chegou a tentar matar-me, estrangular-me, ao ponto de mal conseguir respirar várias vezes", recorda a portuguesa que está no Luxemburgo, desde 2015, onde durante quatro anos continuou ainda a ser vítima dos ataques de violência de António (nome fictício).

Agressões e chantagens

A emigração para o país foi a solução encontrada pela portuguesa para se divorciar e "afastá-lo das nossas vidas", em segurança. "Foi tudo planeado, com a ajuda dos meus pais, e feito com paciência entre tareias, por amor à minha filha".

Várias vezes ele disse-me que se eu fosse fazer queixa à polícia, ou ao hospital, quando eu chegasse a casa ele terminava o que tinha começado.

Maria faz questão de relatar as maiores agressões sofridas "para que se saiba o que sofre uma vítima de violência doméstica". Uma vez, Maria estava a tomar banho "depois de pôr a menina na cama, tinha ela dois anos, e enquanto o jantar estava ao lume" e estou na banheira quando sinto uma mão a puxar-me com força. Assustei-me e vi que era ele. Começou a agredir-me e a atirar-me com tudo o que estava à mão. Fiquei toda amassada e negra, caída no chão da casa de banho. Só me perguntava o que eu tinha estado a falar com a minha mãe ao telefone". 

No dia seguinte, Maria foi trabalhar, cheia de dores e marcas no corpo, que escondeu. "Nunca contei nada a ninguém, só mais tarde à minha mãe quando decidi vir para o Luxemburgo, para acabar com o inferno. Ele tinha sempre o cuidado de não me bater no rosto, para não deixar marcas visíveis. Ficava com nódoas negras no corpo, que tapava com a roupa. Nunca contei a ninguém por medo, e por vergonha. Várias vezes ele disse-me que se eu fosse fazer queixa à polícia, ou ao hospital, quando eu chegasse a casa ele terminava o que tinha começado".

Com medo do marido, Maria viveu em silêncio durante 20 anos.
Com medo do marido, Maria viveu em silêncio durante 20 anos.
Foto: António Pires/Contacto

O pior de tudo para a portuguesa eram as ameaças à filha. "Dizia-me que se eu tentasse fugir me tirava a filha ou, 'não podes abandonar o país e ir ter com os teus pais, porque eu mato-te a filha à tua frente e depois mato-te a ti', e eu tinha muito medo". Maria não consegue terminar a frase sem que as lágrimas lhe caiam e a voz trema. Coloca as mãos na cara e pede desculpa. "Não é fácil esquecer. Emocionei-me". Suspira, e quer prosseguir. "Para mim própria também é importante este relato. Fecho de vez a porta a todo o pesadelo passado e faço-o para tentar ajudar outras vítimas".


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Os agressores portugueses são os segundos em maior número no Grão-Ducado. Um drama global no país, com números demasiado elevados, e que o Governo quer combater com novas medidas.

A violência era espoletada por todas e nenhuma razão, "um telefonema dos pais, um comentário a uma notícia do telejornal, tudo servia", e muitas vezes Sofia assistia a tudo. "Noutra vez, a minha filha viu-me deitada no chão da cozinha com ele em cima de mim a espetar-me uma faca de 25 cm no peito. Quando ele viu que estava a fazer sangue e ela a ver, ele parou".

O marido encontrava sempre desculpas impensáveis, para explicar "o nervoso". Dessa vez era que "desejava comprar casa para os três, porque vivíamos numa casa alugada". Maria fez-lhe a vontade. "O primeiro ano foi maravilhoso, tudo tranquilo, fizemos a festa de 8 anos da minha filha e dias depois estávamos a jantar e a menina, de repente, levanta-se e diz que vai para o quarto. Eu estranhei. Só que ela tinha olhado para ele e já conhecia aquele olhar. Acabei no chão da cozinha toda negra". Desde que a violência começou que António "teve o cuidado" de nunca agredir a mulher no rosto, "para não descobrirem que me batia". Contudo, "houve uma altura que me bateu tanto, tanto, que me rebentou os lábios e ficou medo que eu contasse no trabalho. Eu disse que tinha caído".

Não era eu que tinha de sair de casa, eu sustentava a casa, quem tinha de sair era o meu marido. O polícia disse-me que tinha de ser eu. Percebi que não iria ser ajudada.

Entretanto, António ficou desempregado e as agressões continuaram. Maria ganhou finalmente "coragem": "Fui à polícia e contei tudo, só que o polícia apenas me disse que eu tinha de sair de casa com a minha filha senão que ia acabar morta. Não era eu que tinha de sair de casa, eu sustentava a casa, quem tinha de sair era o meu marido. O polícia disse-me que tinha de ser eu. Percebi que não iria ser ajudada". 

"Agora a minha filha é feliz. Somos o amparo uma da outra, já sorrimos as duas", conta Maria.
"Agora a minha filha é feliz. Somos o amparo uma da outra, já sorrimos as duas", conta Maria.
Foto: António Pires/Contacto

O plano do Luxemburgo

Sozinha, cansada e sofrendo por ela e pela filha, "uma menina triste que não sorria", Maria decidiu "que tinha de resolver o assunto, separar-me dele com proteção, e isso era possível no Luxemburgo".

A portuguesa precisava da ajuda dos pais para levar o plano em frente. Foi só então que contou à mãe que era vítima de violência doméstica há mais de 15 anos e combinou com a progenitora como atrair António para o Grão-Ducado. "Como o meu marido estava desempregado, a minha mãe iria convencê-lo a emigrarmos com a menina para o Luxemburgo, onde ele iria ter trabalho e ganhar bem. Os meus pais iriam ajudar-nos no início. E eu aqui iria resolver a minha situação. A polícia iria ajudar". Por esta altura, Maria e a mãe falavam ao telefone e trocavam mensagens sobre a estratégia, só durante o horário de trabalho da portuguesa. "Eu apagava tudo e em casa falávamos ao telefone todos. A minha mãe conseguiu convencê-lo. Deus ainda me ajudou, embora na altura achasse que não. Ao fim de 12 anos de trabalho, como governanta numa casa de gente rica, despediram-me por causa da crise. Ficámos os dois sem emprego. Telefonei à minha mãe a chorar, e ela disse-me, 'daqui a um mês estão cá'2.

Em junho de 2015, Maria e o marido, casados há 16 anos, e a filha aterraram no Findel para uma nova vida. "No aeroporto do Porto, quando estávamos à espera, para entrar no avião, eu disse ao meu marido: 'a primeira tareia que me deres no Luxemburgo vais preso', e ele pôs um joelho no chão e disse que nunca mais me iria bater".

Os primeiros três meses, a família viveu em casa dos pais de Maria, e depois mudaram-se para um estúdio. Aí começaram as discussões, mas sem agressões físicas. "Eu trabalhava em limpezas, em casas particulares, começava às 6h da manhã e chegava a casa às 8h da noite. Ele trabalhava na construção civil, os meus pais arranjaram-lhe trabalho. Quis mudar para uma casa maior, e com sacrifício mudámos".

O princípio do fim

Só que a instabilidade do português acabou por voltar. Maria descobriu que o marido passara a beber na carrinha, durante o percurso do trabalho para casa, e a chegar "bêbado" e embirrar com tudo. Regressou o temor de mais violência física. Desde que chegaram ao Luxemburgo nunca mais Maria sofrera às mãos do marido. Até março de 2018.

Em 2018, situação piorou de tal modo que a portuguesa quis deixar de partilhar cama com o marido. "Então passei a dormir no sofá da sala, disse-lhe que tinha de me levantar às 4h da manhã, e tinha que dormir descansada. Só dormitava, estava sempre atenta. Sabia que ele iria bater-me. Não demorou muito. Uma noite, em março, ele chegou à sala, agarrou-me pelos meus cabelos compridos e arrastou-me assim até ao quarto, saltou para cima de mim, e pôs as mãos em volta do meu pescoço. Eu nem sei como consegui dar-lhe um pontapé e pôr a mão na janela. Só lhe disse: deixa-me ou eu abro a janela e grito. A minha filha ouviu, entra no quarto e diz ao pai: 'Nunca mais voltas a tocar na minha mãe!'"-

Maria pediu a Sofia para chamar os avós. A avó foi lá a casa e quis agredir o genro, mas Maria pediu para não o fazer, "senão era ele quem passaria a ser a vítima e perdíamos toda a razão". O próprio marido disse que se chamassem a polícia ele diria que fora Maria quem o tinha agredido e mostrava uns arranhões que tinha no braço, feitos no trabalho. Quando o pai da portuguesa entrou na sala e viu "tanto cacho de cabelos meus no chão, sentiu-se mal, pois ele tem problemas de saúde. Por isso, pedi para ele ficar no carro". Só que ele acabou por subir.

Determinada, a portuguesa disse a António, nessa noite: "Não vou chamar a polícia. Vivemos num bairro de gente rica e há cá portugueses, não quero passar vergonha, mas tu vais pagá-las". Depois, à parte, disse à minha mãe que "tínhamos de fazer as coisas corretamente para proteger a minha filha. Faltavam quatro meses para ela fazer 18 anos, e eu não queria arriscar sequer que ma pudessem tirar", vinca a portuguesa, que no Luxemburgo continuou a manter o sofrimento escondido e as marcas tapadas no seu local de trabalho, "mas tenho muito a agradecer à minha antiga chefe, que foi como uma mãe para mim".

No dia seguinte, com o corpo de novo coberto com nódoas negras, Maria dirige-se à esquadra da polícia e faz participação do marido por violência doméstica. Tem fotografias consigo e tem um prazo para decidir se avança com a formalização da queixa ou a retira na esquadra. Volta para casa e diz ao marido: "A partir de agora estamos separados. Vamos divorciar-nos e fazer tudo como deve ser. Não lhe contei que tinha ido à polícia, mas ele desconfiou".

Interrompendo as agressões físicas, António intensificou a violência psicológica com o intuito da mulher viver em sobressalto, à espera de novo ataque violento. "De noite, eu não conseguia dormir com medo, pois começava a falar, falar e a fazer barulhos para que eu o ouvisse e sentisse", lembra Maria. O marido propõe então que seja ele a dormir no sofá e a mulher volte para o quarto. "Ele já tinha tudo planeado. Duas semanas depois, uma noite ele volta ao quarto e sinto uma pressão no pescoço. Estava a tentar sufocar-me de novo. Não sei com que forças, dou-lhe outro pontapé e faz barulho. A minha filha vem a correr e diz ao pai. 'Gostavas que batessem na tua mãe'? Ele diz que não. E a menina diz: 'Se voltas a tocar na minha mãe, quem te mata aqui dentro sou eu!'".

Maria sabe o quanto a filha sofreu, e na altura, disse ao marido que ele tinha de deixar a casa o mais rápido possível, mas ele não lhe deu ouvidos. "No dia do aniversário o pai vira-se para a menina e disse-lhe que iria continuar mais 20 anos ali em casa, pois eu perdoava-lhe sempre. Ela ficou muito assustada e veio falar comigo. Eu disse-lhe que nós iriamos mesmo divorciar-nos e que ele iria sair". Maria e António continuaram a dormir separados, ela no quarto e ele na sala.

António aceitou que se iriam divorciar amigavelmente. Numa das discussões sobre a partilha dos bens decidiram deixar a casa de Portugal a Sofia. "Ela disse logo que não a queria aquela herança, um lugar onde 'vi a minha mãe morta várias vezes'".

Nesse Natal, os pais de Maria ficaram no Luxemburgo com medo pela filha e um dos irmãos de Maria foi passar as festas lá a casa. "A violência psicológica continuou. Eu não dormia, passava as noites em claro, com medo, em janeiro tinha emagrecido 17 quilos, estava pele e osso. Ele ia à minha carteira ver o meu plano de trabalho e nos dias que estava em casa, ele saia para trabalhar, mas passado um tempo voltava, com uma desculpa".

Quando saiu do quarto, o meu marido tentou agredir a mulher polícia. Saiu algemado.

Divórcio e proibição

No dia 22 de fevereiro de 2019, no limite dos limites, Maria foi a casa da mãe, pedir para ficar lá. "Não aguentava mais e estava cheia de medo. Sabia que ele ia fazer alguma coisa naquele dia". Decidiram chamar a polícia. Maria e a cunhada, que domina o luxemburguês, voltaram para casa de Maria. O marido tentou impedir a entrada da cunhada lá em casa. Pouco depois chegaram dois agentes polícias, uma agente feminina que foi para o quarto falar com Maria. "Quando saiu do quarto, o meu marido tentou agredir a mulher polícia. Saiu algemado. Fomos para a esquadra e tivemos quatro horas a ser entrevistados, em separado".

"Vi a morte à minha frente várias vezes".
"Vi a morte à minha frente várias vezes".
Foto: António Pires/Contacto

A polícia ordenou ao marido que saísse de casa, o homem protestou disse não ter para onde ir, mas acabou por ir para casa de um amigo, entregando as chaves a Maria e sem possibilidade de fazer cópias. O juiz acabaria por decretar a expulsão. "A polícia passou a fazer uma ronda de manhã pela minha rua e outra à noite pois eu estava com medo de que ele aparecesse. Telefonava-me a ameaçar-me e perseguiu-me duas vezes", recorda. A primeira fez-lhe uma espera na Gare, mas os irmãos de Maria que a foram buscar ao comboio, viram-no e foram ter com António. "Ele com medo correu para a esquadra da polícia". Em dois fins de semana seguidos andou a rondar a casa de Maria, que pediu à família para ficar com ela, com medo. "Estava sempre bêbado e eu fui de novo à polícia contar o sucedido. A polícia chamou-o e foi-lhe decretada ordem para não se aproximar de mim e da minha filha. Como ele bebia consideraram-no perigoso e que, de facto, nos podia fazer mal".

Em dezembro de 2019, decorreu a sessão em tribunal para o divórcio, que deveria ter sido amigável. Só que perante o juiz, o marido recusou-se a dar o divórcio e a pensão de alimentos à filha. "Ainda nem tínhamos saído do tribunal quando depois da sessão, e decretado o divórcio ele me ameaçou à frente da minha advogada e ela disse-lhe que ele estava num tribunal e que tais ameaças poderiam dar prisão. 'Não é aqui dentro que o faço. É lá fora, sem testemunhas', disse ele". Com medo, Maria chamou a filha para a acompanhar até casa, mas depois decidiu ganhar coragem e ir sozinha. "Tinha de conseguir andar sozinha, enfrentar o medo. E fui".

Quanto a António, o dinheiro da pensão de alimentos para a filha "foi-lhe retirado diretamente do salário e ele ficou proibido de morar no Luxemburgo. Continua a trabalhar cá, mas não pode viver aqui. Nunca mais o vi", garante Maria. Logo a seguir ao divórcio, António invadiu as contas da ex-mulher nas redes sociais. "Fez-se passar por mim e enviava mensagens telefónicas à minha filha ao final da noite, algumas com ameaças quando sabia que ela já estava a dormir. Quis ir fazer queixa, mas a minha filha bloqueou o número para acabar com a situação".

Nos seis meses seguintes, Maria continuou a lutar com uma depressão profunda, a não dormir, "acordava a gritar". Maria foi ao médico e pesava 46 quilos, em vez dos habituais 65 quilos, em janeiro de 2020. "O médico não me reconheceu. Demorei seis meses a recompor-me, melhorei quando mudámos de casa", vinca. Maria emociona-se quando fala da filha: "Agora a minha filha é feliz. É uma miúda alegre, está na universidade a frequentar o curso de gestão, vivemos as duas tranquilas. Somos o amparo uma da outra, já sorrimos as duas. A minha filha é o meu orgulho e o mais importante para mim". 

No final, regressa ao apelo inicial. Maria diz ser "um exemplo de que o primeiro estalo nunca é um ato isolado. Reajam de imediato e coloquem um stop na relação".

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