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A McDonald’s é uma das marcas que compram carne com antibióticos de última linha
Sociedade 3 min. 21.11.2022
Perigo público

A McDonald’s é uma das marcas que compram carne com antibióticos de última linha

Os hambúrgueres da global McDonald’s, da Taco Bell (sobretudo norte-americana) e os bifes da cadeia de supermercados nos EUA Walmart são produzidos com esta carne.
Perigo público

A McDonald’s é uma das marcas que compram carne com antibióticos de última linha

Os hambúrgueres da global McDonald’s, da Taco Bell (sobretudo norte-americana) e os bifes da cadeia de supermercados nos EUA Walmart são produzidos com esta carne.
Foto: AFP
Sociedade 3 min. 21.11.2022
Perigo público

A McDonald’s é uma das marcas que compram carne com antibióticos de última linha

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
O uso destes medicamentos no gado está a levar ao aparecimento de super bactérias e os antibióticos deixam de funcionar.

O uso destes medicamentos no gado está a levar ao aparecimento de super bactérias e os antibióticos deixam de funcionar. Por ano, na UE morrem cerca de 35 mil pessoas com infeções que já não são tratáveis. É um risco grave para a saúde pública mundial, diz a OMS.

O Centro de Jornalismo de Investigação em conjunto com o jornal britânico Guardian revelaram que criadores de gado nos EUA que usam antibióticos de “última linha” estão a vender carne de vaca para os grandes conglomerados de carne como a Cargill, a JBS e a Green Bay. 

Segundo um artigo do jornal britânico, estes produtores “estão a pôr em risco a saúde pública por ainda usarem estes antibióticos classificados como de alta prioridade e criticamente importantes para a saúde humana”. 


Mais de 35 mil mortes por ano na Europa por resistência a medicamentos
Em causa está "o uso desnecessário" de antimicrobianos como antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários.

Os hambúrgueres da global McDonald’s, da Taco Bell (sobretudo norte-americana) e os bifes da cadeia de supermercados nos EUA Walmart são produzidos com esta carne.

O perigo não se coloca diretamente para as pessoas que comem a carne, mas é um risco para a saúde pública mundial. Há anos que a OMS lista entre os principais riscos para a saúde publica mundial o uso excessivo de antibióticos.

“Estes antibióticos são de tal forma essenciais para a saúde humana que o seu uso no gado deveria acabar, avisou a Organização Mundial de Saúde”.

Os antibióticos classificados como HP-CIAs são a última linha dos tratamentos para infeções bacterianas, quando o mundo está à beira da resistência total aos antibióticos, podendo regressar a um passado onde se morria de uma infeção dentária. 

E é o uso excessivo que tem sido feito nas últimas décadas, sobretudo nas grandes explorações de gado onde são dados antibióticos em larga escala aos animais como forma de prevenir a disseminação de doenças, que está a criar uma imunidade das bactérias às drogas que antes as matavam. Esta resistência está a criar aquilo a que se chama super bactérias capazes de sobreviver a todos os antibióticos que a humanidade tem no seu portfólio.

Na semana passada, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças publicou um relatório segundo o qual entre 2016 e 2020 mais de 35 mil pessoas morreram por ano na Europa por os antibióticos não surtirem efeito para debelar infeções.  

Segundo o Guardian as revelações feitas a partir da recolha de ficheiros da administração norte-americana estão a “levar à condenação de peritos em saúde pública e grupos de ativistas”.

Agronegócios sem “consideração pelo risco sério que criam”

“O uso irresponsável de antibióticos fundamentais usados em grandes quintas de animais contribui grandemente para esta ameaça mortal à saúde pública”, disse Cory Booker, um senador norte-americano que tem liderado a defesa de controles mais apertados no uso de antibióticos na cadeia alimentar. “Os agronegócios gigantescos construíram um sistema baseado no uso inadequado de antibióticos para maximizar os seus lucros, sem nenhuma consideração pelo dano muito sério que estão a causar”.

Segundo o Guardian, não existe nos EUA uma proibição do uso de antibióticos para o tratamento ou prevenção de doenças, mas os donos das “fábricas de carne” precisam de uma prescrição de um veterinário.


Até agora, só o governo de Singapura tinha dado esse passo, fazendo deste território o único sítio do mundo onde se come carne de galinha que não é criada nem ao ar livre, nem em aviários, mas num processo laboratorial.
Admite comer carne fabricada em laboratório? Os EUA já disseram 'sim'
As autoridades norte-americanas deram luz verde a uma empresa para criar carne de galinha a partir de células estaminais do animal. Na Europa ainda não há 'ok', mas está a ser construída a maior “fábrica” de carne de vaca do mundo.

Matt Wellington, de um grupo americano de defesa dos consumidores, salientou ao jornal britânico que a McDonald’s esquivou-se continuadamente a estabelecer objetivos para redução de antibióticos usados pelos produtores que abastecem esta cadeia de fast food. “Em 2018, a McDonald’s foi elogiada por estabelecer metas. Mas quatro anos passaram e pouco fizeram”.

 
“É um grande golpe na nossa habilidade para preservar medicamentos que salvam vidas, e cria um mau exemplo para o resto da indústria”, disse Wellington.

Will Harris, um agricultor que trocou as grandes fábricas onde se engordam vacas em condições insalubres por pastagens ao ar livre, - e que assim pôde abandonar o uso de antibióticos -, disse ao Guardian que “os consumidores estão viciados em comida obscenamente barata”.

Mas não serão eles os criminosos: “Estas grandes companhias estão a fazer um mal incrível à sociedade e, até certo ponto, sabem-no”. 

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