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A lista de desejos para a COP26
Sociedade 3 min. 14.10.2021
Alterações climáticas

A lista de desejos para a COP26

Alterações climáticas

A lista de desejos para a COP26

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 14.10.2021
Alterações climáticas

A lista de desejos para a COP26

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
O mundo larga o vício do petróleo em 2025, mas é cedo para saber se catástrofe climática é evitada.

Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia, diz que a meta de 1.5 C de aquecimento é atingível, se forem triplicados os investimentos nas renováveis e se os países aumentarem as suas ambições na COP26, a conferência do clima, em novembro.

Lista de desejos para a COP26 

Nos próximos dias, continua ainda a campanha diplomática de vários líderes para pressionarem os países a aumentar as suas ambições para a COP26 – desde John Kerry, enviado da administração norte-americana, a Frans Timmermans, da Comissão Europeia. E espera-se que os países que ainda não entregaram os seus compromissos de redução de emissões, o façam. Fatih Birol referiu que até ao arranque da reunião magna das Nações Unidas em Glasgow, a sua equipa continua “a falar com governos e muitos intervenientes, porque os compromissos atuais não chegam a 1.5, mas é possível aumentar muito mais nos próximos dias”. 

Outra das questões que espera ver resolvida é que o mundo rico aumente muito o contributo para os países em vias de desenvolvimento fazerem uma transição energética acelerada. “A grande fatia de investimento em energias limpas tem que vir dos países emergentes”, defende Birol. Atualmente, os 100 mil milhões de dólares que os países se comprometeram a apoiar anualmente para os países em vias de desenvolvimento (de acordo com o Acordo de Paris) já estão praticamente reunidos. Mas para Birol, “isso é apenas uma base. É preciso muito mais”. 

Há depois a necessidade de “os líderes mundiais e os investidores se juntarem para construir um futuro limpo”. É preciso deixar uma mensagem muito clara, salientou: “Quem investir em combustíveis fósseis vai perder dinheiro. Estamos numa má altura para financiar as velhas energias”. 

"Esta crise energética é por termos poucas renováveis"

A culpa da atual crise energética, com preços da eletricidade a atingirem valores incomportáveis, entende Fatih Birol, não é por causa das energias renováveis: “Algumas pessoas estão a retratar esta crise, como a primeira crise de transição energética. É um grande erro de análise. O problema não é termos demasiada energia verde. É termos muito pouca. A energia limpa não é problema. Poderá ser a solução”. 

Os motivos da atual crise, segundo a IEA, são muito característicos das circunstâncias atuais. Em primeiro lugar, a retoma da economia, a atingir uns invulgares 6% do PIB mundial, que está a ser alimentado pelos combustíveis fósseis – que com o “aumento espetacular do carvão petróleo e gás” levam a que se assista este ano ao segundo maior aumento global de sempre das emissões globais. A acrescer à maior procura para a retoma da indústria, no pós confinamento, houve também fenómenos meteorológicos extremos em todo o mundo, que levaram à subida do aquecimento no inverno e da refrigeração nas casas, no verão. Também a seca, em países como o Brasil e a China, dependentes da energia hidroelétrica, fez com que aumentassem a importação de gás.

Finalmente, durante a pandemia não houve manutenção das instalações de extração de combustível, que foram adiadas para 2021. As operações de manutenção nas explorações do gás levaram a um aumento de 40% de cortes de fornecimento. O gás tornou-se assim uma mercadoria muito escassa, ditando os preços. Reconverter depressa para as renováveis é, segundo a IEA, uma das principais maneiras de evitar “a volatilidade dos mercados de energia” e as crises energéticas.

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