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"A exploração sexual pode passar-se no quarto ao lado, sem que ninguém perceba".
Sociedade 3 min. 17.10.2020

"A exploração sexual pode passar-se no quarto ao lado, sem que ninguém perceba".

"A exploração sexual pode passar-se no quarto ao lado, sem que ninguém perceba".

Foto: LW
Sociedade 3 min. 17.10.2020

"A exploração sexual pode passar-se no quarto ao lado, sem que ninguém perceba".

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Depoimentos de mulheres que foram escravizadas sexualmente, vítimas de tráfico humano serão apresentadas hoje na "The Global Freedom Summit", uma iniciativa para denunciar estes crimes que poderá acompanhar hoje, online, em direto.

Se pretende manifestar-se contra a escravatura moderna, tráfico humano e exploração sexual pode acompanhar hoje a "The Global Freedom Summit" em direto online, ao longo de todo o dia. Vai ser uma transmissão global para todo o planeta onde serão apresentados testetemunhas de vítimas destes crimes. Estima-se que este "flagelo continue a aprisionar mais de 41 milhões de pessoas em todo o mundo", denuncia Marta Correia, presidente do The Insight Project. Esta organização sem fins lucrativos associou-se à A21, uma ONG mundial, para a realização desta cimeira mundial contra o tráfico de seres humanos.

O tráfico de seres humanos, a escravatura e exploração sexual têm muitas caras. Há casos que podem "passar-se no quarto ao lado, sem que ninguém se aperceba", denuncia Marta Correia, responsável do The Insight Projet.

Como a internet pode ser um instrumento de exploração sexual infantil

"Muitas vezes na nossa casa, no quarto, os nosso filhos podem estar a ser abusados sexualmente sem que os pais o saibam", acrescenta. Os números são assustadores. Há estudos que revelam que muitas vezes  "do primeiro contacto com as crianças, via WhatsApp ou através de outras plataformas, até que haja um efetivo abuso sexual, que pode passar por partilha de fotografias ou vídeos das crianças, passam apenas de 28 a 72 horas", revela Marta Correia. Depois há o caso de plataformas  que "têm disponíves vídeos de pornografia infantil como a o PornHub, da empresa Mindgeek, com sede no Luxemburgo", exemplifica Marta Correia. Uma empresa que fatura 66 milhões de dólares por ano. Pressionar esta empresa a impedir a publicação destes vídeos de pornografia infantil é um dos objetivos de luta desta organização.

Tráfico de mulheres

Outra face desta moeda da tráfico de seres humanos é a exploração sexual de imigrantes com dificuldades económicas. "Há casos de mulheres nigerianas e romenas que são atraídas para o Luxemburgo com promessas de emprego" e que depois acabam a ser exploradas em redes de prostituição, sublinha Marta Correia. Muitas vezes acabam por não fazer queixa, por desconhecimento dos seus direitos, medo de serem expulsas do país ou porque "são ameaçadas", pelos responsáveis destas redes.  Nessas situações "o que fazemos é acompanhar essas mulheres na denúncia destes casos às autoridades o que leva a uma intervenção policial e à sua proteção", acrescenta Marta Correia, presidente da The Insight Project".


Há 29 milhões de mulheres e meninas vítimas de escravatura
Vinte e nove milhões de mulheres e meninas são vítimas de escravatura moderna, desde trabalho escravo a casamentos forçados, servidão por dívidas e servidão doméstica, segundo um relatório das Nações Unidas.

Mas há outros casos de exploração. Recentemente chegou uma outra denúncia a esta organizaçã0. "Uma jovem mulher portuguesa que trabalhava num café, onde não a deixavam sair e que era incitada pelo seu patrão a dormir com os clientes, ou a deixar que lhe tocassem", denuncia a responsável da organização.

Escravatura moderna

Outras situações dramáticas são a de trabalhadores que chegam ao Grão-Ducado com promessas de salários elevados e boas condições de vida e que acabam a "viver situações de escravatura", acrescenta Marta Correia. 


"Eu, escravo"
Eram pedreiros, estavam desempregados, um deles tem 63 anos. Responderam há semanas a um anúncio de jornal em Portugal que lhes prometia casa, comida e descontos no Luxemburgo. Apareceram no centro de Esch esta semana, dizendo que tinham fugido. E contaram isto.

Um jovem português "foi contratado com promessas de um salário mensal de 2800 euros, quando chegou ao Grão- Ducado deparou-se com um ordenado de mil euros mensais e um quarto para dormir por cima do café onde trabalhava".

Todas estas situações serão denunciadas ao longo deste sábado na cimeira The Global Freedom Summit" em direto online, ao longo de todo o dia. 

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