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A COP26 já começou. Quais são os principais pontos de discussão?
Sociedade 4 min. 31.10.2021
COP26

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A COP26 já começou. Quais são os principais pontos de discussão?

AFP
Sociedade 4 min. 31.10.2021
COP26

A COP26 já começou. Quais são os principais pontos de discussão?

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
O começo do fim do aquecimento global, ou mais uma tentativa falhada? Veremos ao longo das próximas duas semanas.

O presidente da COP26, o britânico Alok Sharma, pediu aos líderes mundiais para acabarem com os “fantasmas do passado” e serem muito ousados a cortar as emissões de gases com efeito de estufa para o mundo não aquecer mais que 1.5ºC até ao fim do século. O presidente do G20 - Mario Draghi, o primeiro-ministro italiano que lidera neste momento o grupo dos 20 países mais ricos do mundo - pediu aos países para baixarem os seus compromissos de 2ºC para 1.5ºC, “porque é o que a ciência pede”, segundo o último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, (IPCC), publicado em agosto deste ano.

E este fim-de-semana decorreu em Roma a reunião dos G20 - considerada o ensaio geral dos países ricos, antes de chegarem a Glasgow para uma das partes mais importantes da COP26, a Cimeira dos Líderes, que decorre durante 1 e 2 de novembro.  Em Roma, aos sues colegas do clube dos muito ricos, Boris Johnson, disse que a COP 26 seria “o momento da verdade para o mundo” e poderá marcar “o começo do fim das alterações climáticas”. O primeiro-ministro inglês salientou que a questão que se põe é se “aproveitamos o momento ou deixamo-lo escapar”.

Quais são os pontos principais para chegar a acordo?

O objetivo geral da COP26 é reduzir as emissões em pelo menos 50% até 2030, para que - de acordo com o que dizem os cientistas – o mundo tenha possibilidade de chegar ao fim do século com não mais do que 1.5 C de aquecimento relativamente à era pré-industrial.

Além das delegações dos países terem que entregar – muitas já o fizeram – o seu roteiro para cortar emissões, há questões do Acordo de Paris (adotado em 2015, na COP25) que ficaram por assinar do chamado Regulamento de Paris. Dentro deste regulamento falta chegar a acordo de como se calcula o progresso nos planos de ação climáticos, é preciso um método comum e transparente; os prazos para cumprir; e, muito importante,  as regras dos mercados de carbono, que servem para trocar créditos entre os países. 

O chamado CBAM (Climate Boarder Adjustment Mechanism), no jargão, permite que os países que não conseguirem atingir os seus objetivos de redução de emissão de gases comprem créditos aos países que ultrapassaram as suas ambições. É um sistema de multas para os incumpridores e de prémios aos países que são bons alunos e baixaram mais as suas emissões do que aquilo a que eram obrigados.

A finança, o metano, os combustíveis fósseis, as florestas

A transição energética dos combustíveis fósseis para as renováveis ocupará uma boa parte das discussões. Com grandes poluidores como a China, a Rússia e a Austrália a mostrarem poucos sinais de fechar minas de carvão. E há ainda o caso dos petro Estados, como a Arábia Saudita, mas também muitos países africanos e do Médio Oriente, cuja riqueza depende dos poços de petróleo.

Mas também haverá muitas negociações para travar a extinção das florestas primevas – entre elas sobretudo a Amazónia e as florestas da Bacia do Congo e do Bornéu, na Indonésia – e recuperar ecossistemas que funcionam como sumidouros de carbono. 

É suposto que a COP26 seja ainda o momento em que as instituições financeiras acordem para a necessidade de deixar de financiar a extração de carvão, petróleo e gás e da agricultura intensiva e passem a financiar, as já lucrativas energias renováveis.


COP26. O que é e porque anda toda a gente a falar dela?
Perguntas e respostas para perceber a cimeira sobre o futuro da humanidade.

Liderado pela União Europeia e pelos Estados Unidos, será apresentada uma petição mundial para reduzir a emissão de metano. Embora pouco falado, este gás tem 80 vezes o poder de aquecimento do dióxido de carbono, pelo que reduzi-lo imediatamente é uma boa hipótese para começar já a limpar a atmosfera. 

Na terça-feira, dia 2 , Joe Biden e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, irão apresentar o Compromisso Global para o Metano, no qual os signatários prometem até 2030 reduzir em 30% as suas emissões (a partir dos valores de 2020). O metano é sobretudo libertado nas explorações de gás e de petróleo (e já há tecnologia para o impedir), nas lixeiras, com a decomposição da matéria viva, e na agricultura, sobretudo no gado bovino e nas culturas de arroz.

100 mil milhões para os que mais precisam

O Acordo de Paris também estabeleceu que todos os anos, os países mais ricos reunissem 100 mil milhões de dólares para ajudar os países em vias de desenvolvimento a fazer a sua transição energética. Até hoje esse dinheiro nunca foi entregue. Von der Leyen disse esta semana que espera que uma quantia aproximada seja conseguida na COP26. Mas segundo um estudo do governo canadiano, esse valor só será atingido em 2023. 

 

 

 

 

 

 

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