Escolha as suas informações

A céu aberto. Companhias aéreas começam a voar esta sexta-feira
Sociedade 9 min. 29.05.2020

A céu aberto. Companhias aéreas começam a voar esta sexta-feira

A céu aberto. Companhias aéreas começam a voar esta sexta-feira

Photo: Chris Karaba
Sociedade 9 min. 29.05.2020

A céu aberto. Companhias aéreas começam a voar esta sexta-feira

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Aeroporto Findel abriu portas nesta manhã e a Luxair voou, pela primeira vez, em dois meses.

O Aeroporto de Findel reabre esta sexta-feira, 29, com fortes medidas de segurança. Após quase dois meses de suspensão, os primeiros voos regulares vão começar a realizar-se. 

A administração do aeroporto disse em comunicado que o espaço está  "está pronto para acolher os seus passageiros". As máscaras são obrigatórias e os dois metros de distância de segurança são para cumprir. Quem não preenche os requisitos da Declaração Sobre o Estado de Saúde não embarca. 

Photo: Guy Jallay

Nos pontos de contacto entre os trabalhadores e os passageiros serão instalados janelas de vidro e desinfectantes automáticos. A única porta aberta é a do terminal de autocarros. Só no Terminal A foram colocados 50 dispensadores de álcool gel.   

Luxair

A Luxair retoma os voos esta sexta-feira, 29, depois de ter interrompido a circulação aérea a 23 de março. Os primeiros destinos a operar são Munique, Hamburgo e Estocolmo, mas em breve abrem as rotas de Lisboa e Porto. A intenção é "reabrir para o fim-de-semana de Pentecostes, para permitir que as pessoas saiam um pouco", esclareceu Joe Schroeder, diretor de comunicação do Grupo Luxair, ao L'Essentiel. Faro, em Portugal, também será um dos destinos da Luxairtours. 

Segundo a companhia, deu-se a implementação de cartas de saúde que "vão para além dos regulamentos", o que permitirá "viajar da forma mais segura possível". A Luxair garante ainda que está a trabalhar "em cooperação direta com as autoridades oficiais de cada um dos nossos destinos". 

Na prática, a tripulação e passageiros a partir dos 6 anos deverão utilizar uma máscara ou uma proteção para a boca, como uma bandana ou um lenço. A bordo, os passageiros receberão um desinfetante e um toalhete. Para respeitar o distanciamento social, o embarque e desembarque será feito "em pequenos grupos, na porta de embarque e a bordo". 

O avião será acedido pela porta principal, "de preferência ligado a um passadiço". Os transbordos de autocarro serão restringidos. "Atualmente, a maioria dos nossos voos não estão cheios, o que permite o distanciamento social", explicou a Luxair.   

Para os voos da LuxairTours, será necessário esperar até 13 de junho para retomar as operações. A companhia aérea aproveitou a oportunidade para revelar uma política de mudança gratuita de reservas para os voos marcados desde 13 de março de 2020. 

Tap Portugal

A Tap Portugal publicou, a 25 de maio, a lista de voos para os próximos dois meses que implica 27 ligações em junho e 247 em julho, sendo a maioria de Lisboa. Os voos de e para o Luxemburgo devem ser retomados em julho. No entanto, este plano está a ser revisto, depois de ser muito criticado por dar primazia a Lisboa. 

Foto: Chris Karaba/Luxemburger Wort

Ao longo de maio e à medida que foram levantadas algumas das restrições impostas às companhias aéreas, a TAP foi adicionando voos, nomeadamente para Londres e Paris, entre Porto e Lisboa, dois voos por semana para S. Paulo e um voo semanal para o Rio de Janeiro, sendo que, com isso, a operação da TAP no final do mês de maio será de 18 voos por semana.

Em junho, de acordo com o mesmo plano, a companhia aérea planeia voltar a operar mais voos intercontinentais, incluindo dois por semana para Nova Iorque (Newark), um para Luanda, a partir de dia 15, e outro para Maputo. Em Portugal, as ligações entre Lisboa e a Madeira passarão a ser diárias, sendo que no final de junho a TAP contará com 27 voos semanais.

Em julho, a transportadora conta aumentar significativamente as ligações, ainda que em valores muito distantes dos três mil semanais que registava antes da pandemia.

O plano de voos apresentado sofreu duras críticas, nomeadamente, do primeiro-ministro português, António Costa, que considera que a Tap tem o dever legal de "gestão prudente" e considerou mesmo que um plano de rotas sem prévia informação sobre a estratégia de reabertura de fronteiras de Portugal "não tem credibilidade". "Não é compatível com a definição, divulgação e promoção de planos de rotas cuja viabilidade depende da vontade soberana da República Portuguesa na gestão das suas fronteiras", afirmou Costa na passada quarta-feira, 27. 

Costa acrescentou ainda que o aeroporto de Lisboa está saturado e que "o aeroporto Francisco Sá Carneiro no Porto é uma infraestrutura extraordinária, mas tem subutilização". Após o recuo da transportadora o primeiro-ministro mostrou-se satisfeito pela empresa "emendar o erro".  

Em declarações ao Público, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusou a TAP de "impor um confinamento ao Porto e ao Norte". O secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro,também desafiou a empresa a corrigir a estratégia de recuperação de rota, já que o plano que tinha anunciado "lesa o interesse nacional". E mesmo Marcelo Rebelo de Sousa afirmou à Lusa estar a acompanhar "a preocupação manifestada por vários partidos políticos e autarcas relativamente ao plano (...) em particular no que respeita ao Porto".   

O Conselho de Administração da TAP afirmou em comunicado que irá "ajustar" o plano de retoma de rotas anunciado, garantindo que este ficará "subordinado aos constrangimentos legais" à mobilidade, por causa da pandemia de covid-19.  

Companhias 'Low Cost'

Foto: Marcel Kusch/dpa

Tanto a Ryanair como a Easyjet foram muito afetada pelo fechamento do espaço aéreo devido à pandemia do novo coronavírus. 

No início de maio, a Ryanair anunciou que ia despedir 3000 trabalhadores,  corresponde a 15% de um universo de 20 mil funcionários que a empresa emprega um pouco por todo o mundo.  Outra das medidas contempladas pela Ryanair é o encerramento do número de algumas bases em toda a Europa. 

A retoma dos voos neste verão vai ajudar a reduzir os prejuizos mas estes esperam-se significativos, ainda assim. A empresa estima um prejuízo líquido superior a 100 milhões de euros no primeiro trimestre e durante o verão, devido à paralisação provocada pela pandemia.

A companhia aérea irlandesa retoma 40% dos voos a partir de 1 de julho, o que significa uma média de mil voos por dia, em 90% da rede em que já operava. 

É também em julho que voltam os voos para os aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Ponta Delgada e Lajes, pretendendo retomar “aproximadamente 90%” das rotas previstas para o verão em Portugal antes do início da crise sanitária.

A nova programação de voos já está disponível no ‘site’ da Ryanair, já podendo os clientes reservar as viagens.

Apesar do anúncio de que a Easyjet tinha liquidez para aguentar vários meses sem voar, as coisas parecem ter piorado para a 'low cost', já que foi anunciado o um possível despedimento em massa. 

Em abril, a companhia aérea britânica disse ter gerado liquidez adicional de cerca de 2,17 a 2,24 mil milhões de euros, levando a um fluxo de caixa nocional de cerca de 3,8 mil milhões.  O suficiente para aguentar até nove meses de suspensão das operações. 

O prejuízo esperado para o primeiro semestre do ano seria entre 212 e 235 milhões de euros antes dos impostos. Esta é uma melhoria face ao período homólogo do ano passado, em que tinha tido perdas de 316 milhões, igualmente antes de impostos.  

No entanto, o anúncio dos despedimentos feito nesta última semana de maio apanhou muita gente de surpresa. A EasyJet culpa a pandemia pelos cortes salariais e pelo plano de despedimento que prevê reduzir até 30% dos trabalhadores para compensar a queda abrupta do setor. Pronta para retomar os voos a 15 de junho, a lowcost britânica empregava no início do ano cerca de 15 mil pessoas. Quer isto dizer que há pelo menos 4.500 postos de trabalho em risco.  

"Para efectuar a reestruturação do nosso negócio, a EasyJet vai lançar em breve um processo de consulta dos trabalhadores sobre propostas de redução do pessoal até 30%, reflectindo a redução da frota, a optimização da nossa rede e bases, a melhoria da produtividade, bem como a promoção de formas de trabalho mais eficientes", comunicou a transportadora aérea. 

Citado pela BBC, o diretor executivo Johan Lundgren reforçou a estratégia de redução de custos e a opção de diminuir a frota que vooa a preços baixos. "Queremos assegurar que saiamos da pandemia um negócio ainda mais competitivo do que antes, para que a EasyJet possa prosperar no futuro”. 

“Pontapé nos dentes”

Confrontados com o anúncio, os sindicatos condenam a decisão. “É um verdadeiro pontapé nos dentes", reagiu Brian Strutton. "Estes funcionários sofreram cortes salariais para manter a companhia aérea a flutuar e este é o tratamento que recebem em troca”, resume o dirigente sindical do Balpa.

 Citado pela BBC, o diretor executivo Johan Lundgren reforçou a estratégia de redução de custos e a opção de diminuir a frota que vooa a preços baixos. "Queremos assegurar que saiamos da pandemia um negócio ainda mais competitivo do que antes, para que a EasyJet possa prosperar no futuro”.   






Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas