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Ventura confessa que “única obsessão” é chegar ao poder
Portugal 4 min. 30.05.2021

Ventura confessa que “única obsessão” é chegar ao poder

Ventura confessa que “única obsessão” é chegar ao poder

Foto: AFP
Portugal 4 min. 30.05.2021

Ventura confessa que “única obsessão” é chegar ao poder

Lusa
Lusa
O PSD desistiu de estar presente na cerimónia de encerramento do congresso do Chega por considerar que foram ultrapassados os "limites da decência e bom senso" na forma como os sociais-democratas foram tratados durante os trabalhos.

O líder do Chega moderou hoje as expectativas dos delegados ao congresso, dizendo que não pode "prometer resultados imediatos", mas confessou que tem um "único sonho e uma única obsessão" que é levar o partido ao Governo.

A confissão foi deixada por André Ventura no final de um discurso no III Congresso Nacional, em Coimbra, em que relativizou as divisões internas no partido, dizendo tratar-se de "dores de crescimento", e em que prometeu ser "expressão pura do Portugal de bem".

"Só tenho um único sonho, uma única obsessão que é levarmos ao governo de Portugal, para transformar de vez a face deste país", afirmou Ventura, já aos gritos, com uma música orquestral em fundo, com os delegados a aplaudi-lo, alguns de pé, depois de ter falado durante 27 minutos para apresentar a sua moção de estratégia global.

Num congresso em que têm sido públicas as críticas entre delegados e dirigentes, o presidente e deputado do Chega relativizou o problema, dizendo tratar-se de “dores de crescimento”.

“Não me preocupam as divisões e disputas”, disse, para quem são a “prova de um partido que quer crescer”, embora também tenha admitido que “sem disputa ideológicas” o “partido seria muito melhor”.


Der Rechtspopulist André Ventura der Partei Chega! (Es reicht!) kam auf 11,9 Prozent der Stimmen.
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O deputado e líder do Chega André Ventura foram hoje condenados, em tribunal, por "ofensas ao direito à honra" de uma família do Bairro Jamaica, Seixal, por lhes ter chamado "bandidos", e vai ter de pedir-lhes desculpa.

Um dos temas que dividiu a discussão interna foi a revisão do programa do partido que, anunciou Ventura, será decidido na primeira reunião do conselho nacional após o congresso.

Apesar de, desta vez, não ter citado as sondagens que colocam o partido mais à direita no parlamento em terceiro ou quarto lugar, Ventura disse acreditar na importância do Chega: “Passámos de dispensáveis em democracia a indispensáveis em democracia.”

Deu, porém, o exemplo do resultado do partido nos Açores, onde elegeu dois deputados e está a dar apoio a um Governo de direita liderado pelo PSD para dizer: “Remetemos para o lixo da História um governo socialista que tinha 25 anos nos Açores.”

A quem, devido ao discurso de sexta-feira, afirmou que o líder do Chega está “megalómano” por achar que um partido “com dois anos e meio” pode ser governo, respondeu que o partido “é o novo sol de Portugal”.

É “imparável” por achar que leva "António Costa às cordas” no debate político, ao contrário do que diz acontecer com PSD e CDS, e porque não “tem medo de não ser politicamente incorreto”.

À direita, PSD e CDS, estranhou o silêncio quando se fala no combate à corrupção e criticou a estratégia do Governo que, segundo ele, pretende “perdoar penas aos corruptos que confessam”.

E atacou as políticas do Governo, por apoiar o pagamento de medicamentos a imigrantes, e “esquecer” os portugueses que “vivem nas ruas e não conseguem pagar os seus medicamentos”.

Por ele, André Ventura, e pelo Chega, afirmou, o primeiro-ministro, António Costa já estaria numa “cadeira dourada” na Europa.

Apesar de concordar com uma separação entre política e religião, admitiu que “cada um nasce para o que nasce”. No seu discurso, o líder confirmou a saída de três vice-presidentes, em nome da renovação, Diogo Pacheco do Amorim, Nuno Afonso e José Dias. Ventura escolheu duas mulheres, Marta Trindade e Ana Motta Veiga, para vice-presidentes do partido, confirmou este domingo fonte partidária à Lusa.  

PSD cancela presença na sessão de encerramento

O PSD desistiu este domingo de estar presente na cerimónia de encerramento do congresso do Chega por considerar que foram ultrapassados os "limites da decência e bom senso" na forma como os sociais-democratas foram tratados durante os trabalhos.

O anúncio foi feito pela direção nacional de Rui Rio, uma hora antes do início da sessão de encerramento, onde deveriam estar presentes o vice-presidente Maló de Abreu e o líder da distrital de Coimbra, Paulo Leitão.

"Há limites que a decência e o bom senso não permitem que possam ser ultrapassados, quer na forma, quer no conteúdo das alocuções" durante o congresso e "esses limites, tal como é seu timbre, foram, mais uma vez, ignorados pelo líder do Chega", lê-se no comunicado.

Segundo o texto, tendo em conta o “conteúdo” e a “forma como o líder do Chega se referiu nas suas intervenções ao PSD”, o partido “decidiu não se fazer representar na cerimónia de encerramento para a qual estava convidado”.

Os sociais-democratas, alega-se no texto, afirmaram ser “óbvio que há muitíssimas diferenças” entre os dois partidos e que, “em democracia, ninguém pode estranhar que, num congresso partidário, essas diferenças sejam evidenciadas”.

“Nós próprios sempre o fizemos em todos os nossos congressos, relativamente aos nossos adversários políticos”, concluiu.

Durante o congresso, André Ventura rotulou Rui Rio de “mau líder do PSD” e chegou a dizer que um eventual governo, sozinho, dos sociais-democratas seria idêntico a um governo do PS, de António Costa.

E desde sexta-feira que tem insistido na tese de que o Chega deve fazer “exigências” e deve “impor as condições” a um eventual acordo à direita para o Governo, com o PSD.

Durante a manhã realizaram-se as votações para os órgãos nacionais do partido - direção nacional, mesa do congresso, conselho nacional e conselho de jurisdição nacional.

À tarde, é o encerramento do congresso, com as intervenções dos convidados, designadamente de Matteo Salvini, cerca das 15:00, antes do discurso de encerramento do presidente do partido, que chegou a Coimbra já eleito em diretas, em março, a que concorreu sozinho.

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(…) a direita está refém do PSD e todos, sem excepção, se querem aliar a este partido, numa futura coligação.