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Uma crise económica não precisa de crise política
Opinião Portugal 2 min. 03.09.2020

Uma crise económica não precisa de crise política

Uma crise económica não precisa de crise política

Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 03.09.2020

Uma crise económica não precisa de crise política

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Perguntaram-lhe o que aconteceria, se não houvesse acordo parlamentar para aprovar o Orçamento de Estado de 2021. E António Costa disse que, nessa circunstância, estaria aberta uma crise política. A resposta é a mais simples, mas a realidade é bem mais complexa.

Quem poderia assumir as responsabilidades de uma crise política, quando o país está a atravessar uma crise sanitária de escala planetária, com uma consequente crise económica a que muitos especialistas já chamam de "grande depressão do séc. XXI”? Quem tomaria para si as responsabilidades de uma crise política, a escassos meses de eleições presidenciais e a menos de um ano de eleições autárquicas?

Mas a mais massacrante das dúvidas é saber em que estado iria ficar o país, sem governação, e com o Presidente da República atado de pés e mãos, impedido de convocar eleições gerais, porque a Constituição lhe retira essa competência, nos últimos seis meses do mandato.

Com um quadro destes, é evidente que nenhum dos partidos da geringonça está na disposição de contribuir para uma crise política que lhe traria custos eleitorais, num futuro imediato. E quando se fala de partidos da geringonça, incluem-se o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, mas também o Partido Socialista.

Por tudo isto e para que o PS não fique refém dos dois partidos à sua esquerda, há quem defenda a restauração do bloco central, isto é, uma aliança do PS com o PSD que eventualmente podia integrar também o CDS e até o Intervenção Liberal. Mas essa hipótese, para António Costa, está completamente descartada, depois de Rui Rio ter admitido a possibilidade de entendimentos políticos, com o Chega, um partido de extrema-direita, com um intolerável discurso xenófobo e racista.

(…) só à esquerda é possível encontrar uma solução, para aprovar um Orçamento de Estado

E Rui Rio também tem consciência que a subalternização do PSD em relação ao PS - fossem quais fossem as circunstâncias - lhe traria perda de quota eleitoral que, nos tempos que correm, já não é animadora.

Por tudo isto, só à esquerda é possível encontrar uma solução, para aprovar um Orçamento de Estado que será o mais difícil, da História da democracia portuguesa. A isso obriga a crise económica, provocada pela pandemia que, tudo indica, se vai agravar, nos próximos meses.

O Bloco de Esquerda parece ser o partido mais recetivo a um acordo, apesar de a sua coordenadora ter acusado António Costa de fazer "ultimatos", nas suas declarações mais recentes. Mas Catarina Martins já colocou condições, para início de conversa: quer a reforma das leis laborais, o reforço do Serviço Nacional de Saúde e o fim das dotações financeiras, para o Novo Banco. Afinal, questões que já tinham sido acordadas, entre os dois partidos, em 2019. O PC adiou a sua resposta para a próxima semana.

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