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Um voto, dois homens
Opinião Portugal 26.09.2021
Autárquicas portuguesas

Um voto, dois homens

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Um voto, dois homens

Foto: Lusa
Opinião Portugal 26.09.2021
Autárquicas portuguesas

Um voto, dois homens

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
André Ventura, líder do Chega, na sua melhor versão meteorológica, disse que está um belo dia para celebrar a democracia. E o que é que o líder de um partido de extrema-direita faz para celebrar a democracia?

Viola os regulamentos da Comissão Nacional de Eleições logo a seguir ao almoço. Para além da própria democracia, que espécie de ameaça terrível pairará sobre Ventura para que este se dê ao desplante de levar um segurança a reboque para o local de voto? Será o Parque das Nações território hostil? 

Teria medo de ser atacado por uma urna? Pelos boletins? Por uma caneta atrelada? O líder não esclareceu. Fez como aquele candidato do seu partido à Covilhã e comeu de sobremesa as próprias palavras. Falou do tempo, dos sinais preocupantes que vinham da abstenção, que por volta das 20h00 todos tinham de reconhecer que falharam, ainda começou a nomear todos os partidos políticos, mas calou-se de súbito, não fosse desviar votos para a mochila de outrém.

A Comissão Nacional de Eleições ainda não se pronunciou sobre esta irregularidade, embora toda a gente saiba, tirando André Ventura, que é expressamente proibido levar até um agente da autoridade para o local de voto, a não ser que seja requisitado pelo presidente da mesa, quanto mais um segurança pessoal. A Comissão Nacional de Eleições só disse que os números da afluência às urnas continuam baixos, em comparação com as eleições de 2017. Até ao momento, um em cada cinco portugueses votou. Que se saiba, apenas um votou com as costas quentes.

Francisco Rodrigues dos Santos, Deus nos livre, não cometeu tamanha heresia regulamentar. À excepção dos candidatos à sua cadeira, nem se vê quem pudesse querer-lhe mal. O presidente do CDS lembrou-se de fazer deste dia eleitoral um programa de família e levou os irmãos para o acto, o que é sempre bonito de se ver. Ficámos, no entanto, sem saber se os irmãos pertencem à família centrista. Sempre algo enigmático, Chicão apelou aos portugueses que combatam o medo. Qual medo? Será necessário um segurança?

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