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Um tacho para mim, outro tacho para ti…
Opinião Portugal 2 min. 16.08.2022
Governo português

Um tacho para mim, outro tacho para ti…

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Um tacho para mim, outro tacho para ti…

Foto: José Sena Goulão/Lusa
Opinião Portugal 2 min. 16.08.2022
Governo português

Um tacho para mim, outro tacho para ti…

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Costa já está a olhar para o retrovisor, quando Guterres foi obrigado a demitir-se, para evitar o pântano político.

O ministro das Finanças nomeou um velho conhecido para o seu gabinete, levantando com isso uma enorme controvérsia que está a causar imenso desgaste ao Governo. Mesmo em silêncio, António Costa não esconde o incómodo que o assunto lhe está a causar.

O nomeado chama-se Sérgio Figueiredo e, até há pouco, foi director de informação da TVI e da TVI 24. Nessa qualidade, contratou Fernando Medina para comentador residente da estação. Mais tarde, foi demitido, ou convidado a demitir-se da TVI e, na sequência disso, Fernando Medina, ainda presidente da Câmara de Lisboa, celebrou com ele um contrato de prestação de serviços, ou coisa parecida, na autarquia.

Costa já está a olhar para o retrovisor e a ver que foi assim, de asneira em asneira, que Guterres foi obrigado a demitir-se, para evitar o pântano político.

Ninguém fez barulho, mas isto pareceu uma atitude de retribuição. Figueiredo tinha contratado Medina e depois chegou a vez de Medida saldar a generosidade de Figueiredo, contratando-o para a autarquia.

Apesar de tudo, o caso não extravasou as conversas em surdina dos mentideros da política. Até que…

Até que Fernando Medida, já sentado na cadeira de ministro das Finanças, contratou Sérgio Figueiredo para exercer, no seu gabinete, uma função que ninguém consegue explicar, tão esotérico é o despacho de nomeação. Será um "consultor estratégico" que vai actuar na "definição, implementação e acompanhamento das políticas públicas". Terá ainda responsabilidade na "preparação de estudos e propostas, nomeadamente, através da auscultação dos stakeholders". Convém dizer que, no Ministério das Finanças existem organismos com responsabilidades na área do planeamento estratégico que agora, ao que parece, ficarão esvaziados de competências que transitarão para a responsabilidade inescrutável de Sérgio Figueiredo.

Também se estranha que o próprio despacho de nomeação o isente de qualquer tipo de fiscalização, concretamente, no domínio do conflito de interesses. Esta isenção vai tão longe que Figueiredo até pode, em simultâneo, trabalhar para qualquer outra entidade, pública ou privada.

Fernando Medina assiste a tudo sem se explicar. E o silêncio de António Costa reflecte algum mal-estar que indicia uma coisa: ele próprio não percebe que tipo de função está guardado para Sérgio Figueiredo. Mais, Costa já está a olhar para o retrovisor e a ver que foi assim, de asneira em asneira, que Guterres foi obrigado a demitir-se, para evitar o pântano político.

O primeiro-ministro terá de preparar a rentrée, apresentando um Governo forte e eficaz que impeça as investidas dos partidos da oposição. Se o não fizer, esta maioria absoluta pode ter uma morte prematura. Os ministros terão de resistir às tentações de amiguismo. 

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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