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Um ministro sem Defesa!
Opinião Portugal 2 min. 22.11.2021
Política portuguesa

Um ministro sem Defesa!

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, discursa numa cerimónia em Monte Real, em Leiria, a 25 de outubro de 2021.
Política portuguesa

Um ministro sem Defesa!

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, discursa numa cerimónia em Monte Real, em Leiria, a 25 de outubro de 2021.
Foto: Paulo Cunha/Lusa
Opinião Portugal 2 min. 22.11.2021
Política portuguesa

Um ministro sem Defesa!

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Em pouco mais de um mês, Cravinho desrespeitou, por duas vezes, a figura do Presidente da República.

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho não alcançou, até hoje, o tão desejado lugar de ministro dos Negócios Estrangeiros. Por isso, vai partindo a loiça, para que o soltem do governo e ele possa regressar a Bruxelas, tão depressa quanto possível.

Em pouco mais de um mês, Cravinho desrespeitou, por duas vezes, a figura do Presidente da República que, por inerência da função, é também o chefe supremo das forças armadas.

Nos primeiros dias de Outubro, Cravinho arranjou uma trapalhada, com a tentativa de demissão do Chefe de Estado-Maior da Armada, com a falsa acusação de que o almirante Mendes Calado se tinha oposto às propostas de reestruturação das forças armadas, apresentadas pela ministro.

Todo este processo foi uma representação gráfica do carácter do ministro. Ele pediu uma opinião às chefias militares, incluindo o almirante Calado, e depois tentou demiti-lo, porque apresentou algumas discordâncias. Ficou-se então a saber que Cravinho pediu um parecer, mas todos tinham de concordar com ele.

A verdadeira questão era outra. Cravinho queria premiar o vice-almirante Gouveia e Melo, pelo seu brilhante desempenho, na liderança da task force das vacinas, anti-covid. E o prémio era a oferta do lugar de Chefe de Estado Maior da Armada. Mas para isso, precisava de desocupar o lugar e, daí a tentativa de demissão do almirante, Calado.

Marcelo reagiu com ironia, (…) deixando perceber que Cravinho é um caso perdido.

O Presidente da República, na sua qualidade de chefe supremo das forças armadas, opôs-se aos desígnios de Cravinho e, por entre embaraços vários, o assunto morreu ali. Cinco semanas depois, ou até menos, soube-se que Cravinho tinha desafiado a autoridade de Marcelo e, desta vez, incluiu também o Primeiro-Ministro, nas suas desconsiderações.


A investigação sobre o tráfico de diamantes e outros crimes ligados aos Comandos identifica Paulo Nazaré como o líder da rede. Ex-militar prestou serviço como soldado na República Centro-Africana.
Líder da rede criminosa vendeu diamantes por dez mil euros. Valor não chega aos 300
A investigação indica que Paulo Nazaré, quando voltou à vida civil, em 2018, optou por criar e liderar uma rede criminosa, não tendo desde então desenvolvido qualquer atividade profissional lícita. Ex-militar prestou serviço como soldado na República Centro-Africana.

O assunto é bem conhecido. Um grupo de militares do contingente português que integra a força da ONU na República Centro Africana foi apanhado nas malhas do crime, por se dedicar ao contrabando de ouro, pedras preciosas e droga. A Polícia Judiciária montou uma operação de investigação, a que deu o nome de 'Miríade'. E, há mais de um ano, informou o ministro. Cravinho informou a ONU e fez bem. Mas manteve o mais perverso segredo, em relação ao Presidente da República e ao Primeiro-Ministro.

Esteve no Parlamento para esclarecer a questão. Mas meteu os pés pelas mãos, evocando pareceres jurídicos, para logo a seguir admitir que não os tinha pedido a ninguém. Marcelo reagiu com ironia e até alguma inclemência, deixando perceber que Cravinho é um caso perdido, sem emenda possível. Por essa razão, é quase certo que não terá lugar, num futuro e hipotético governo do PS.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)


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