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Tuk Tuk. À espera de turistas para recuperar a vida

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Tuk Tuk. À espera de turistas para recuperar a vida

Tuk Tuk. À espera de turistas para recuperar a vida

Tuk Tuk. À espera de turistas para recuperar a vida


por Paula SANTOS FERREIRA/ 05.05.2021

@Rodrigo Cabrita

A pandemia tirou-lhes o trabalho durante um ano inteiro. Houve quem ficasse sem teto. Sobrevivem de ajudas. Os animadores turísticos dos Tuk Tuk desesperam pelo regresso dos estrangeiros à capital para voltarem a viver “com dignidade”. Mas, ainda “vai demorar”.

  Portugueses do Luxemburgo, da França, Bélgica, enfim, da Europa voltem a Lisboa e cá os esperamos para um passeio de Tuk Tuk pela cidade”. O pedido é feito por Paula Fidalgo, Ana Morbey e Kikas Nunes da Costa, num domingo cheio de sol no Mercado de Santa Clara, junto à ‘frota’ de Tuk Tuk que ali se reuniram para a fotografia que abre esta reportagem. 

As restrições foram levantadas e estes animadores turísticos já podem voltar a circular na capital. Mas faltam os turistas. E sem eles, “vamos continuar a passar dificuldades”. Todos eles já não conduziam o seu “triciclo” há um ano e as saudades são “muitas”. “Já mostrei Lisboa a muitos emigrantes do Luxemburgo e a luxemburgueses, bem como a portugueses de França e de outros países da Europa. Era bom que voltassem à cidade. Eles e todos os turistas”, anseia Paula Fidalgo. O mesmo pedem os seus colegas. 

Para estes profissionais e empresários dos pequenos veículos, já característicos da capital portuguesa, o último ano “tem sido uma difícil travessia no deserto”, um “longo, penoso e desesperante inverno”, dizem comparando com a época mais fraca desta profissão “sazonal”. 

A pandemia fechou os estrangeiros nas suas casas longe de Lisboa e o confinamento e as restrições obrigaram ao estacionamento dos cerca de 500 a 700 veículos coloridos e enfeitados da capital portuguesa que são conduzidos por “gente feliz” e passageiros encantados com esta Lisboa.

Sem poderem trabalhar, a vida desmoronou. Os subsídios de desemprego da maioria são parcos, “300 e tal euros por mês”, e nem os que beneficiaram dos apoios do estado no quadro da crise respiram melhor, pois vincam que estas ajudas também não chegam para sobreviver. Foram-se as parcas poupanças, recorreu-se a moratórias empenhando-se até a vida futura e, sobrevive-se graças à generosidade de amigos e familiares.

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Pandemia deixou-os sem dinheiro
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Rodrigo Cabrita

  Paula Fidalgo tem apertado o cinto desde março passado, quando foram obrigados a parar. E vai fazendo furos e mais furos à medida que o dinheiro emagrece. “Agora gasto apenas 20 euros por semana em alimentação. Tenho duas moratórias, a do crédito habitação e a do crédito da criação da microempresa. Começam a ser pagas em setembro próximo, são 1.200 euros que terei de pagar por mês. Por isso, poupo o mais que posso. Não acredito que em setembro já tenhamos retomado o ritmo de trabalho como antes da pandemia, mas vou ter de pagá-las”, diz esta driver de Tuk Tuk.

Paula Fidalgo passou a gastar apenas 20 euros por semana em alimentação.
Paula Fidalgo passou a gastar apenas 20 euros por semana em alimentação.
Rodrigo Cabrita

Desde março de 2020 quando foram proibidos de circular até agora, foram “raríssimas” as semanas em que conseguiu ganhar algum dinheiro. Valeram-lhe “seis meses de um apoio ao sócio gerente que não chegava aos 400 euros/mês em 2020, mais o equivalente a um salário mínimo (635 euros)” com que está agora mais meio ano. Conduziu um Tuk Tuk na cidade do Porto durante dois meses, no verão passado, mas o dinheiro ganho tem ido todo para pagar as contas de cada mês e a alimentação desde outubro. A travessia do deserto está a ser feita agora “sem ganhar um euro mensal”, conta Paula Fidalgo confessando que esta situação repentina a “afeta psicologicamente”.

Recomeço desejado, mas difícil

“Sei que já posso acordar de manhã cedo, ir buscar o Tuk e passar o dia a circular pela cidade. Mas, para já, não tenho coragem. Não há ainda turistas, nem sei quando vão chegar e é muito doloroso e dispendioso ficar parada à espera de clientes ou circular o dia todo sem ter passageiros. Acabamos por gastar dinheiro e eu não o tenho. A angústia ainda vai ser maior”, admite de sorriso triste, olhando para os Tuk Tuk alinhados no Mercado de Santa Clara. 

Ana Morbey e os seus três Galgos vivem das ajudas familiares.
Ana Morbey e os seus três Galgos vivem das ajudas familiares.
@Rodrigo Cabrita

Ana Morbey, ex-estilista também empenhou a vida.  O subsídio de desemprego “mínimo de 360 euros e uma ajuda de cerca de 200 euros” da freguesia não chegam para os 800 euros de renda de casa. Graças à família consegue continuar a pagar esta mensalidade e a alimentação. E as tigelas do Bamby, Princesa e Barbie, os galgos que adotou numa associação protetora de animais, que costuma ajudar têm sido atestadas com a ajuda desta mesma instituição. “Neste momento, vivo de ajudas e anseio por recomeçar a trabalhar e estabilizar a minha vida novamente. Está a ser muito complicado”, suspira esta portuguesa de ascendência britânica.  

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Quando os Tuk Tuk se transformaram no Titanic
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@Rodrigo Cabrita

  Filipe Boeyen Suspiro conhece na pele estas dificuldades. “Com a paragem do meu pequeno Tuk Tuk, eu e a minha namorada tivemos de deixar o nosso apartamento por não termos dinheiro para a renda e ir viver temporariamente para uma casa de alojamento local da minha mãe, no Estoril, que por falta de turistas tem estado vazia. Só que nas últimas três semanas teve uma reserva e então nós deixámos a casa e fomos viver para uma autocaravana de outro familiar. Agora já voltámos à casa, mas continua a faltar o trabalho”, conta este enquanto conduz o seu Tuk Tuk vermelho Ferrari, com um design antigo da Piaggio pelas ruas íngremes da Mouraria.

Filipe Boeyen Suspiro teve de deixar a sua casa e até já viveu numa autocaravana.
Filipe Boeyen Suspiro teve de deixar a sua casa e até já viveu numa autocaravana.
@Rodrigo Cabrita

Nestes meses, Filipe Suspiro, engenheiro florestal com várias missões de consultadoria em Timor Leste, até se apaixonar por estes “triciclos” e adquirir o seu, teve apenas uma ou duas reservas para transportar clientes na outra sua carrinha pessoal, nomeadamente de transporte privado de crianças para a escola, o qual está também habilitado.

Desde que o seu ‘Ferrari’ como lhe chama pode voltar à cidade tem feito algumas entregas de refeições para um ou dois restaurantes. “Mas não dá para viver até ao fim do mês”, confessa. Otimista, acredita que nos próximos meses a vida vai melhorar. Apesar de tudo, Filipe Suspiro sente-se “um privilegiado por ter estes apoios familiares. Até o Tuk Tuk está guardado na “garagem de um primo, pelo que não tenho de pagar mensalidade, nem podia”. Sorrindo, diz até que mesmo as semanas passadas a viver na autocaravana foram “uma boa experiência”.

Filipe Suspiro ainda tem mais um problema em aberto. O seu Piaggio é a gasolina. A Câmara de Lisboa está a tentar retirar estes veículos a combustão de circulação permitindo apenas os elétricos, em prol de uma cidade mais ecológica e menos poluída. Por enquanto, Filipe vai continuando as voltas com o seu pequeno Piaggio de dois lugares. Quando decidiu deixar a sua profissão de engenheiro florestal para conduzir um Tuk Tuk – “porque me apaixonei pelo veículo e por esta profissão” – gastou as poupanças no seu Piaggio pequenino, que “custou 7.100 euros”, em 2016.

Apesar da situação difícil Filipe Boeyen Suspiro diz-se "um privilegiado" pelo apoio da família.
Apesar da situação difícil Filipe Boeyen Suspiro diz-se "um privilegiado" pelo apoio da família.
@Rodrigo Cabrita

 Logo depois esta profissão tornou-se moda, em muitos casos conquistou pessoas que ficaram sem emprego e investiram na criação do seu próprio emprego, com as vantagens oferecidas pelo Estado. Compraram um Tuk Tuk e tornaram-se guias turísticos desvendando os segredos desta “maravilhosa” capital. A procura por estes veículos – que se tornaram mal-amados para muitos residentes dos bairros típicos, pelo barulho que causavam e a confusão que instalavam – aumentou e os preços dispararam. Um Tuk Tuk elétrico de seis lugares, os maiores passaram a custar mais de 20 mil euros.

Filipe Suspiro não tem dinheiro para adquirir um elétrico mantendo o seu Piaggio a circular. “Agora somos muito poucos e a verdade é que poluímos tanto como uma moto vespa, muito menos do que um automóvel, e nada comparado com a gigante poluição dos navios cruzeiros que atracam em Lisboa. Por isso, espero que sendo tão poucos e perante estas evidencias possamos continuar a circular”, espera o dono do ‘Ferrari’ posando para a fotografia em frente ao gigante atracado no Tejo, “para comparação”.  

 No dia da reportagem foi a primeira vez, em um ano, que o vermelhinho Piaggio voltou a Lisboa. Tinha de ir ao mecânico para uns acertos antes de começar as entregas de restaurantes.    

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Fechados na garagem a acumular dívidas
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@Rodrigo Cabrita

 Na garagem oficina de Arroios, Pedro Cordeiro estava de volta de um Tuk Tuk na sua atividade preferida, mecânico exclusivo destes descendentes de riquexós. Foi juntamente com o pai, o primeiro a especializar-se nestes consertos, sobretudo dos veículos elétricos em Lisboa.

Num dos lados da garagem 22 Tuk Tuk alinhados e impecavelmente limpos aguardavam o regresso dos seus condutores. Desde 16 março de 2020 que ali estavam parados, ainda enfeitados com flores coloridas e decorações a sobressair no lusco-fusco do pequeno pavilhão. Alguns são de empresas, os maiores de seis lugares, os mais pequenos, personalizados e coloridos pertencem aos condutores, explica Pedro Cordeiro. 

A garagem de Pedro Cordeiro continua a dar teto aos Tuk "por respeito" aos seus proprietários em crise.
A garagem de Pedro Cordeiro continua a dar teto aos Tuk "por respeito" aos seus proprietários em crise.
@Rodrigo Cabrita

 Se até há pandemia o estacionamento mensal, a uma média de 120 euros, era pago prontamente a horas, hoje em dia, muitos proprietários acumulam ali dívidas de quase um ano. “Mesmo após termos diminuído quase para metade a mensalidade que inclui garagem e recarga das baterias nos elétricos, muitos donos deixaram de poder comportar esta despesa e ainda não saldaram as dívidas. Queremos acreditar que algum dia as vão pagar”, diz o jovem mecânico enquanto os observava. Contudo, eles ali estão.    

@Rodrigo Cabrita

  “Por respeito ao que estas pessoas estão a passar não deixámos de os guardar, até porque não os podíamos por na rua”, vinca Pedro Cordeiro que neste tempo começou a consertar automóveis pois também tem de ganhar o seu “salário”. As saudades da barafunda matinal na garagem, da saída diária dos Tuk Tuk, “um autêntico desfile, são muitas”, confessa rindo da confusão que ali se instalava com as manobras para tirar os triciclos para as viagens diárias com turistas.    

Pedro acredita no regresso deste ritual matinal, “tudo vai começar aos poucos”. Neste momento, já tem três ‘triciclos’ para arranjar e dois ou três condutores já os vêm buscar diariamente, mas voltam desalentados ao final do dia, conta: “Na maior parte dos dias não conseguem faturar nada, e lá de quando em quando fazem um tour, mas isso não chega”.

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O futuro é uma "incógnita"
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@Rodrigo Cabrita

Paulo Oliveira, o proprietário do primeiro Tuk Tuk a circular em Lisboa, em 2011, e que hoje é dono da maior empresa do ramo na capital “Tuk Tuk Lisboa”, com 40 veículos, fala no “annus horribilis” que atravessa. “Fui obrigado a despedir funcionários, todos tinham contrato, e as despesas de estacionamento e da empresa continuam. Recorri a moratórias que terei de pagar. Estamos parados e sem faturar, tive de gastar as poupanças para sobreviver. Agora o futuro é uma incógnita”, salienta Paulo Oliveira que é o fundador e presidente da Associação Nacional de Empresários de Tuk Tuk (ASTUK) que concentra “60% a 70% dos empresários do setor em Lisboa”.

Mesmo assim já está a planificar o recomeço e vai começar a entrevistar estagiários para o seu serviço de marketing. “Há que preparar tudo com antecedência, reativar os velhos contactos de clientes programando o regresso com calma”, diz Paulo Oliveira. “Neste momento é raro o dia que se faça um cliente. Ainda estamos a fazer a travessia do deserto. A verdade é que vamos recomeçar a atividade não do zero, mas do -1. Mas sou otimista e quero acreditar que vamos conseguir sair da crise”, sublinha o presidente da ASTUK.

Houve um fator positivo nesta pandemia. “Os empresários deste setor outrora concorrentes uniram-se, há entreajuda e força para sobrevivermos e recomeçarmos. Nunca estivemos tão unidos, juntos somos mais fortes”, admite.

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Turismo vai "demorar"
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@Rodrigo Cabrita

Também a Associação Nacional de Condutores de Animação Turística e Animadores Turísticos (ANCAT) não esteve parada nesta crise. “Há muitos drivers em situação muito difícil, casos de quem tem de recorrer aos bancos de ajuda alimentar. E haverá muitos mais que desconhecemos, pois têm vergonha de pedir ajuda. É a pobreza escondida”, refere Inês Henrique, secretária-geral da ANCAT. Esta associação organizou um banco alimentar para que quem necessitasse vir recolher alimentos. “Apareceram mais de 30 pessoas, mas haverá muitos mais em dificuldade, mas têm vergonha de se expor. É a pobreza escondida”, explica esta responsável da ANCAT adiantando que têm estado em constante diálogo com a Secretaria de Estado do Turismo endereçando-lhes os casos difíceis que lhes chegam. 

Pedro (nome fictício) foi um dos drivers que recorreu aos bancos alimentares da cidade e “durante uns dias” chegou a “dormir na rua ou em carros abandonados”, como recorda. “Agora continuo a sobreviver da ajuda de amigos, nem sabia que tinha tantos, dão-me as refeições. Estou desesperado para recomeçar a trabalhar para ter o meu sustento”, diz Pedro recusando-se a falar mais do pesadelo que vive preferindo olhar para o futuro: “Precisamos que os turistas voltem para voltar a trabalhar e recompor a vida”. “Neste recomeço que será gradual temos de ir com muita cautela. Estamos a trabalhar como se fosse a nossa antiga época de inverno, a mais fraca, onde os clientes são raros”, define Inês Henriques. Estes animadores turísticos contam com o trabalho árduo dos meses de verão para aguentar o inverno. Além do verão, há o pico da Páscoa e da quadra natalícia onde reforçam o mealheiro. 

Até à pandemia esta dirigente calcula que existissem na capital entre “500 a 700” Tuk Tuk, “porque o número exato ninguém sabe ao certo”, mas neste recomeço serão menos “já que houve quem encontrasse outro trabalho para sobreviver à crise”. 

Inês Henriques e todos os drivers com quem falámos garantem que os Tuk Tuk vão circular com as regras anti-covid exigidas: “Temos selos de ‘Clean and Safe’, desinfetamos os veículos entre cada tour de passageiros, usamos máscaras e somos veículos abertos, por isso muito seguros. Oferecemos segurança máxima”.

Estes animadores turísticos de Lisboa já estão de pé no acelerador para voltar ao ativo. Nenhum quer desistir da profissão “mais feliz do mundo”, como a definem todos os entrevistados.  

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A profissão "mais feliz" do mundo
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Rodrigo Cabrita

  “Sou muito feliz, graças ao Tuk Tuk dei o grito de Ipiranga, deixei uma longa carreira na arquitetura, que já não me satisfazia e encontrei-me, descobri onde realmente me sinto bem e realizada pessoalmente”, confessa Kikas Nunes da Costa, proprietária de dois Tuk Tuk, contando que as suas poupanças foram todas neste ano, pois os “300 e tal euros do desemprego não chegam”. 

Vale-lhe também a sua estrutura familiar. “Tive de renegociar a mensalidade da garagem e agora não sei como fazer dado que os tuk precisam de novas baterias, e cada conjunto são 2.000 euros, vou gastar 4.000 euros”.  Com a longa paragem as baterias destes veículos elétricos “morreram”. 

Kikas Nunes da Costa deu o "grito de Ipiranga" com o seu Tuk Tuk.
Kikas Nunes da Costa deu o "grito de Ipiranga" com o seu Tuk Tuk.
@Rodrigo Cabrita

Mesmo a “atravessar um mau momento mantenho-me otimista, tem de ser”, diz convicta Kikas Nunes da Costa fazendo um sorriso de esperança. 

 “Adoro pessoas e nesta profissão fazemos muitos amigos, entre os clientes. Às vezes acabamos o tour a chorar na despedida pois provavelmente nunca mais nos vamos reencontrar, mas ficamos amigos para a vida, continuando ainda hoje a trocar mensagens. Até me oferecem as suas casas quando for eu a visitar o país deles”, acrescenta esta animadora turística. Ao seu lado, Ana Morbey conta o mesmo e vinca: “É a melhor profissão que conheço. Muito exigente, mas muito gratificante e trabalhamos com clientes alegres, descontraídos em férias”.

“Mostrar a nossa cidade aos turistas faz-nos bem. É terapêutico, até. Estamos sempre com gente feliz, damos a conhecer o que temos de melhor e eles adoram a cidade”, reforça Paula Fidalgo ao lado das colegas. 

Ana Morbey e Kikas Fernandes já recomeçaram a conduzir os Tuk pela cidade.
Ana Morbey e Kikas Fernandes já recomeçaram a conduzir os Tuk pela cidade.
@Rodrigo Cabrita

Esta ex-jornalista também fala apaixonada sobre a sua profissão vincando, no entanto, que ser driver de Tuk não é fácil, “não é para todos”: “Estamos expostos o dia inteiro à chuva e frio do inverno, ou ao calor do verão, enquanto esperamos horas por clientes, e temos de estudar muito sobre Lisboa e Portugal para sermos bons profissionais. Além do francês, inglês e espanhol, falo italiano porque decidi aprender sozinha. Nesta profissão somos condutores, guias turísticos e comerciais”.

Problemas à parte, Filipe Boeyen Suspiro diz que não se cansa da “liberdade que tem ao volante do seu tuk”, do que aprende todos os dias com os seus passageiros de “todas as partes do mundo” e do gosto que tem em lhes ensinar a história de Lisboa e do país. Agora todos os nossos entrevistados desejam “voltar a ter aviões com turistas a aterrar em Lisboa, cruzeiros a atracar no Cais e espanhóis a começarem a passar a fronteira”. Como mostra a foto de abertura esta gente outrora feliz, mas que “chorou tanta lágrima” no último ano, quer voltar a trabalhar. 

“Voltem turistas, Portugal é um país único e seguro nesta pandemia. Estamos à vossa espera”, convidam. “Vem tomar uma ginjinha, traz até o Tuk Tuk”, desafia o músico Gil do Carmo no seu novo ‘Fado do Tuk Tuk’ lançado durante a pandemia e que é uma ode à Lisboa de amanhã.  

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