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Técnicos portugueses levaram luzes e som a protesto inédito em Lisboa
Portugal 3 4 min. 12.08.2020

Técnicos portugueses levaram luzes e som a protesto inédito em Lisboa

Técnicos portugueses levaram luzes e som a protesto inédito em Lisboa

Foto: LUSA
Portugal 3 4 min. 12.08.2020

Técnicos portugueses levaram luzes e som a protesto inédito em Lisboa

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Cerca de um milhar de profissionais deste setor "invisível" dos eventos manifestou-se esta terça-feira no Terreiro do Paço.

O Terreiro do Paço, em Lisboa, foi esta terça-feira, 11 de agosto, ocupado por mais de um milhar de técnicos audiovisuais em protesto, segundo dados da organização promotora da manifestação, a  Associação de Serviços Técnicos para Eventos (APSTE)

Com as  malas "flightcases", típicas do ofício, a marcar o distanciamento e um espetáculo de videomapping projetado na fachada do Arco da Rua Augusta, onde foram divulgadas mensagens do manifesto do setor, os profissionais juntaram-se para reivindicar visibilidade para uma área que está parada desde março.

 A manifestação teve como objetivo sensibilizar o governo para a necessidade de medidas urgentes para um setor, que emprega 1000 postos de trabalho diretos e cerca de 3000 indirectos, entre os quais se encontram técnicos de som, iluminação, vídeo e de palco.

Foto: APSTE


Segundo um inquérito realizado pela APSTE, em maio, 60% das empresas do setor recorreram ao 'lay-off' e mais de metade (56%) não têm liquidez para pagar os salários nos meses de agosto e setembro.  

Para agravar, a retoma ainda não está a acontecer, como já começou noutras profissões.

Reclamam, por isso, mais apoio e a definição de regras sanitárias, pela DGS, para orientar o setor para um regresso à atividade, que abrange todo o tipo de eventos.

O mercado de eventos corporativos, como reuniões e palestras, que cresceu em Portugal nos últimos três anos, trouxe um aumento de oferta de trabalho, mas também esse está praticamente parado. Isso somado ao calendário constante de eventos como os festivais de verão obrigou empresas “a recorrer a um maior número de freelancers, que já contavam com essa regularidade, apesar de não terem um contrato”, lembra Tiago Romão, músico e técnico multidisciplinar, em declarações ao Contacto, em maio deste ano.

Freelancer há 15 anos, também se habituou a ela, mas, de momento, não está tão dependente como outros colegas “que estão a viver situações muito complicadas e que trabalham nisto há muitos anos, mas continuam exatamente na mesma condição em que estavam ao início, completamente desprotegidos. Com a diferença que ganham o mesmo que ganhavam quando começaram e a vida hoje é mais cara. Estão numa situação quase pior do que nessa altura", afirmou.

   


Mais de mil técnicos

Em declarações à revista 'Arte Sonora', o presidente da Assembleia-Geral da APSTE, António Martins, sublinhou que a manifestação, que "decorreu de forma ordeira, como era esperado", reuniu "mais de 1000 profissionais".

Segundo o responsável, a associação vai ser recebida "pelo Ministério da Economia e por alguns grupos parlamentares, pelo menos do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda", adiantou àquele orgão. 

Vários músicos, cantores e atores solidarizaram, nas redes sociais, partilhando fotos da manifestação deste profissionais, sem os quais, como quiseram sublinhar, não haveria espetáculos.

 Governo prepara orientações para setor “muito complexo” dos eventos  

O Ministério da Economia já tem uma proposta de orientações para o funcionamento do setor dos eventos que é “muito complexo” dado que envolve várias áreas de atividade, disse ontem a secretária de Estado do Turismo à Lusa.

Rita Marques explicou que esta área inclui segmentos ligados aos congressos e outros e, “tendo em conta que até ao momento a Direção-Geral da Saúde (DGS) ainda não definiu orientações específicas para a organização de eventos”, o Ministério da Economia “tem vindo a trabalhar para aclarar e interpretar os princípios e orientações aplicáveis aos eventos corporativos”, sendo que esta área está praticamente parada, devido à covid-19.

A governante indicou que em causa estão “reuniões, congressos, exposições, feiras comerciais, seminários, toda uma panóplia muito grande de eventos que pode ser organizada por entidades públicas e privadas a colaboradores da própria instituição organizadora ou abertos ao público". 

"Entendemos que devem começar a migrar paulatinamente para uma nova normalidade e daí a nossa necessidade de trabalhar nestes princípios e orientações aplicadas que é justamente uma das grandes reivindicações dos operadores económicos”, referiu. 

De acordo com Rita Marques, no Ministério da Economia já há “uma proposta que está em discussão com as várias secretarias de Estado" e garantiu ainda que a linha de crédito para os organizadores de eventos, no âmbito do Programa de Estabilização Económica e Social, está praticamente concluída, faltando apenas “enquadramento orçamental”.


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