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Sindicato quer todos os trabalhadores da construção em Portugal testados "nos próximos 15 dias"
Portugal 2 min. 08.10.2020

Sindicato quer todos os trabalhadores da construção em Portugal testados "nos próximos 15 dias"

Sindicato quer todos os trabalhadores da construção em Portugal testados "nos próximos 15 dias"

Photo : Guy Wolff
Portugal 2 min. 08.10.2020

Sindicato quer todos os trabalhadores da construção em Portugal testados "nos próximos 15 dias"

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Estrutura volta a reivindicar testes na construção civil em todo o país e em todo o tipo de obras.

O Sindicato da Construção de Portugal exigiu esta quinta-feira, 8 de outubro, que as autoridades do país "realizem, nos próximos 15 dias, testes em todo o país no setor da construção”, num universo estimado de 400 mil trabalhadores, segundo refere a estrutura em comunicado.

A reivindicação para saber o real estado de saúde, no que se refere à covid-19, dos trabalhadores do setor não é nova. Já em junho a estrutura tinha alertado para um défice de despistagem num setor onde várias situações e trabalhadores podem ficar fora do radar das autoridades de saúde.

Nesse mês, o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, reconhecia ao Contacto ter sido "bom os testes chegarem" à área da construção civil, incluída, à data, como setor prioritário de vigilância em Lisboa e Vale do Tejo. Recorde-se que nessa fase esta região não desconfinou à mesma velocidade que as restantes zonas do país.

No entanto, já nessa altura o dirigente considerou que o procedimento pecou por tardio e por ser restritivo geograficamente, ao centrar-se apenas em Lisboa e Vale do Tejo.


Portugal. Sindicato da Construção quer que testes à covid-19 sejam feitos em todo o país
Ao Contacto, Albano Ribeiro, o presidente da estrutura, alerta para a possibilidade de poderem existir outros focos fora de Lisboa e Vale do Tejo onde começaram a ser realizados, esta semana, testes de despistagem no setor. "Podemos estar a falar em centenas ou milhares de trabalhadores infetados", alerta.

"Deviam ter sido tomadas medidas que o sindicato pediu logo no início da pandemia para o setor, por várias razões, como a mobilidade dos trabalhadores. Nas primeiras medidas que o governo tomou, a construção quase que nem aparecia", disse em junho, ao Contacto, Albano Ribeiro, lembrando que a construção civil, em Portugal, continuou a funcionar mesmo durante o confinamento.   

O responsável, estimou, então, que se fossem feitos testes "à escala nacional", poderiam estar em causa "centenas ou milhares de trabalhadores infetados e não só no Vale do Tejo". 

Os números de casos no setor que foram sendo divulgados não se revelaram significativos, quando comparados com outros setores de atividade, mas o sindicato continua a insistir que tal se deve à falta de testes, sobretudo em obras de menor dimensão, que não estão tão à vista pública e onde operam muitos trabalhadores clandestinos.

“Cerca de 40% dos trabalhadores da construção são clandestinos”, sublinha o comunicado do sindicato, apontando a mesma percentagem avançada por Albano Ribeiro ao Contacto. Esses 40%, diz o documento, “trabalham diariamente na reabilitação urbana em todo o país e viajam em carrinhas superlotadas, sem a utilização de máscaras e não respeitando o distanciamento que se impõe”.


Imagem de arquivo
Sindicato da Construção Civil português lança campanha contra contratação ilegal no estrangeiro
'Migração com direitos laborais - diga não ao trabalho clandestino' é o tema da campanha, dirigida pelo sindicato, para tentar sensibilizar os trabalhadores da construção civil para os perigos de emigrarem sem aconselhamento oficial.

Tal como em junho, o sindicato acredita que “se forem feitos testes aos trabalhadores a nível nacional”, os números de infetados por covid-19 terão “um aumento exponencial”.

"Estamos certos que há centenas, para não dizer milhares, de trabalhadores a nível nacional infetados e para confirmarmos se o que dizemos corresponde à verdade façam-se os testes a todos os mais de 400 mil trabalhadores a nível nacional e aí ficaremos a saber da gravidade que existe no setor", remata o mesmo comunicado.


 

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