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Sindicato garante que funcionária do Pingo Doce de Avintes esteve três dias em pé "de castigo"
Portugal 3 min. 27.02.2020 Do nosso arquivo online

Sindicato garante que funcionária do Pingo Doce de Avintes esteve três dias em pé "de castigo"

Sindicato garante que funcionária do Pingo Doce de Avintes esteve três dias em pé "de castigo"

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Portugal 3 min. 27.02.2020 Do nosso arquivo online

Sindicato garante que funcionária do Pingo Doce de Avintes esteve três dias em pé "de castigo"

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Marisa Ribeiro, coordenadora do Sindicato Trabalhadores do Comércio e Serviços (CESP), disse ao Contacto que “os vários problemas” deste estabelecimento já eram do conhecimento do sindicato.

Uma funcionária do Pingo Doce terá ficado três dias em pé, durante oito horas, à porta do estabelecimento, em "castigo", por se recusar a rescindir o contrato.  

Uma denúncia no Portal da Queixa, no passado dia 22 de fevereiro, expôs o caso de uma funcionária do franchising Pingo Doce em Avintes, Vila Nova de Gaia, que terá estado “de castigo” durante três dias, durante as oito horas de trabalho, sem atribuição de tarefas. A gerência desmentiu a situação dizendo que se tratou de uma encenação da funcionária, o sindicato garante que funcionária foi vítima de "assédio laboral". 

O caso tornou-se público no dia 21 de fevereiro, assim que foi publicada na rede social Facebook uma fotografia de uma funcionária fardada, encostada a uma caixa de pagamento na zona de entrada do estabelecimento. A descrição indignada descreve a situação, fazendo com que fosse partilhada por milhares de utilizadores no Facebook. 

No dia seguinte, outro internauta denunciaria a situação na plataforma online Portal da Queixa onde se lê: “Venho por este meio tornar público a minha indignação pelo que assisti em pleno século XXI na loja Pingo Doce em Avintes. No dia 20 de fevereiro encontrava-se uma funcionária de castigo na frente de loja que não a deixam fazer nada, só está lá as suas 8 horas de turno. Isto é humilhação e desrespeito, isto é crime”. 

Marisa Ribeiro, coordenadora do Sindicato Trabalhadores do Comércio e Serviços (CESP), disse ao Contacto que “os vários problemas”  deste estabelecimento já eram do conhecimento do sindicato, já que nos dias em que se deslocavam até ao Pingo Doce de Avintes para contacto com os trabalhadores “o gerente de loja proibia as trabalhadoras de irem à área social para falar com o sindicato”.

Diz-se ter sido "surpreendida por este caso" através das redes sociais, a conhecer deste caso em particular através das redes sociais, tendo-se deslocado este sábado até ao estabelecimento para averiguar a situação. “O gerente disse-nos que não era verdade, que ela é que quis lá ficar, mas não é verdade”. Segundo a coordenadora, a funcionária “ficou de castigo três dias em pé, à entrada da loja”, o processo disciplinar “só recebeu vi a CTT na sexta à tarde e ficou automaticamente suspensa no sábado. Tanto é que ela já não foi trabalhar, porque ficou suspensa com vencimento”, explica.

Na motivação do alegado castigo terá estado o facto de a funcionária não ter aceite a proposta que o gerente lhe fez: “não aceitou despedir-se, não aceitou a rescisão do contrato, e muito bem”.  “Como ela não aceitou, a gerência moveu-lhe um processo disciplinar, suspendendo-a com vencimento”, acrescenta.

A sindicalista comenta que uma das grandes dificuldades de conseguir identificar casos de injustiça laboral reside no medo que os trabalhadores têm em perder o seu emprego ou de passar “por este tipo de situações”. Marisa Ribeiro garante que “pressão, perseguição e assédio moral existem no sector, nas várias empresas de comércio”. Essencialmente motivados pela “prepotência e mania de que vale tudo”, a coordenadora do CESP considera que este é um “tipo de comportamento é inaceitável”.

A funcionária está a ser acompanhada por um advogado por ela contratado, mas o Sindicato está totalmente disposto a acompanha-la neste processo, sublinhou Marisa Ribeiro.

Ao Contacto o gerente da loja de Avintes não se encontrava disponível para falar, no entanto em declarações anteriores ao Jornal de Notícias, Manuel Moreira escusou-se a esclarecer a situação insistindo que a "notícia não é verdadeira”, dizendo que “a senhora fez uma encenação à volta desta situação”.

Apesar deste estabelecimento ser um franchising, Marisa Ribeiro disse que este não é um caso isolado de estabelecimentos da cadeia de supermercados Pingo Doce. Em novembro do ano passado,  o CESP expôs o caso de um outro estabelecimento em Lisboa em que uma trabalhadora viu ser recusado repetidamente o seu pedido para se ausentar do seu posto, tendo acabado por urinar no local. Na altura, o CESP denunciou que “a repressão a que os trabalhadores são submetidos pela responsável de loja tem dado azo a muitas situações humilhantes”.

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