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Seca ameaça Portugal e Espanha
Portugal 3 min. 12.02.2022 Do nosso arquivo online
Metereologia

Seca ameaça Portugal e Espanha

Seca em Portugal
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Seca ameaça Portugal e Espanha

Seca em Portugal
Foto: LUSA
Portugal 3 min. 12.02.2022 Do nosso arquivo online
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Seca ameaça Portugal e Espanha

AFP
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Portugal e Espanha estão a ser atingidos este Inverno por uma aridez precoce e extrema devido à baixa precipitação em Janeiro.

"Nunca vi nada assim", diz Carlos Perdigão, 76 anos, que vem regularmente pescar nas margens do rio Zêzere, rodeado por largas faixas de terra amarela rachadas pela seca que atingiu a península ibérica neste Inverno.


Embarcações e o cais de embarque do Clube Náutico de Figueiró dos Vinhos, nas margens da Ribeira de Alge junto à foz da ribeira com o mesmo nome que se cruza com o Rio Zêzere, no concelho de Figueiró dos Vinhos, e onde a descida do nível da água quase permite atravessar o rio a pé.
Fotogaleria. O efeito desolador da seca em Portugal
Todo o território de Portugal continental está em situação de seca, com o interior e sul do país a serem afetados de forma mais severa e extrema. Até ai final de fevereiro não há previsão de que o cenário se inverta.

À sua frente, as ruínas de Vilar, uma antiga aldeia de pedra que foi engolida pelo rio após a construção de uma grande barragem há quase 70 anos, surgiram nas últimas semanas e são de novo visíveis devido ao nível muito baixo da água. A diminuição do nível do Zêzere, que serpenteia através das montanhas cobertas de eucaliptos e mimosas nesta região central espanhola, é vista como uma nova ameaça pelos residentes, já duramente atingidos pelos incêndios mortais de 2017, que mataram mais de 100 pessoas. 

Espanha, tal como Portugal vizinho, está a ser atingida este Inverno por uma aridez precoce e extrema devido à baixa precipitação em Janeiro, que já é considerada o segundo mês mais seco desde 2000 na Península Ibérica, de acordo com as agências meteorológicas de ambos os países. Esta seca é excepcional em termos de "sua intensidade, extensão e duração", diz Ricardo Deus, climatologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). E em Espanha, "em Janeiro, choveu apenas um quarto do que deveria ter chovido nessa altura", disse Ruben del Campo, porta-voz da AEMET, a agência meteorológica espanhola.

Agricultores e criadores de gado preocupados 

Esta situação invulgar já levou o governo português a tomar medidas de emergência. Num país onde quase 30% do consumo de energia é hidroeléctrica, as autoridades foram obrigadas a anunciar no início de Fevereiro a suspensão da produção hidroeléctrica em cinco barragens para "preservar os volumes necessários ao abastecimento público". Do outro lado da fronteira, o Ministro da Agricultura espanhol Luis Planas expressou a sua "preocupação" com a situação na quarta-feira, assegurando que o governo tomaria "as medidas necessárias de acordo com a evolução da situação". 

Os níveis dos reservatórios de água, que são essenciais para a agricultura, estão actualmente a menos de 45% da sua capacidade em Espanha, segundo as autoridades do país, sendo as regiões mais afectadas a Andaluzia (sul) e a Catalunha (nordeste). Esta baixa precipitação, que se tem verificado desde o final do ano passado, está a preocupar os agricultores e criadores de gado em ambos os países. 

"Vejam! A erva não está a crescer para alimentar os animais", disse Antonio Estevão, um produtor de queijo com um rebanho de cerca de 30 cabras na Portela do Fojo Machio, uma cidade a poucos quilómetros de Pampilhosa da Serra no centro de Portugal. "Se não chover nos próximos dias, vai ser muito complicado", suspira este homem em frente a pastagens com vegetação escassa. "Para nós, é um desastre", disse Henrique Fernandes Marques, o presidente da câmara desta aldeia de cerca de 400 pessoas, em pé em frente a uma piscina flutuante na margem do rio que se encontra há vários dias em terreno seco, ameaçando também os esforços para desenvolver o turismo nesta região interior. 

Nenhuma melhoria à vista 

A alternância entre a seca e os anos chuvosos é normal no sul da Europa, mas "ultimamente tem havido uma diminuição da percentagem de anos chuvosos", disse Filipe Duarte Santos, investigador da Faculdade de Ciências de Lisboa e especialista em ambiente, que aponta o dedo ao aquecimento global. Estas secas são "uma das consequências mais graves das alterações climáticas", explica ele. Até que as emissões globais de gases com efeito de estufa sejam significativamente reduzidas, o problema continuará a existir", disse ele. Com o aquecimento global, a intensidade e a frequência das secas, que ameaçam a segurança alimentar das populações em particular, são susceptíveis de aumentar mesmo que o mundo consiga limitar o aumento da temperatura a +1,5°C em comparação com a era pré-industrial. E não se espera que a situação melhore nos próximos dias, uma vez que as previsões meteorológicas em ambos os países indicam uma precipitação abaixo da média. Face a esta realidade, o governo português anunciou na quinta-feira que iria reforçar a sua cooperação com Espanha para combater a seca na península.

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