Sapatos e brinquedos à porta e horários desfasados. O que muda nas creches portuguesas
Sapatos e brinquedos à porta e horários desfasados. O que muda nas creches portuguesas
Horários desfasados, grupos divididos e sapatos e brinquedos deixados à entrada. As creches portuguesas preparam-se para reabrir, a 18 de maio, e já são conhecidas as normas sanitárias que terão de seguir, para garantir a segurança de crianças e funcionários, face à covid-19.
As orientações foram publicadas esta quarta-feira, 13 de maio, pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e incluem medidas e controlo e prevenção a adotar não só em creches, mas também em creches familiares e amas.
Desde logo, o documento do organismo chama a atenção para os espaços terem de "ativar e atualizar" os planos de contingência, com os procedimentos a adotar perante um caso suspeito de covid-19 e a definição da respetiva área de isolamento.
Todos os funcionários devem usar máscara cirúrgica de forma adequada e os espaços devem ser higienizados de acordo com as regras definidas pela DGS
A redução do número de crianças por sala, para que seja garantido o distanciamento físico entre elas, é outra das recomendações que deve ser acautelada na fase de preparação das instalações. As autoridades de saúde defendem que esse distanciamento seja maximizado quando as crianças estão em mesas, berços ou espreguiçadeiras, sem que sejam comprometidas as atividades lúdicas e pedagógicas.
As normas da DGS determinam também que crianças e funcionários estejam distribuídos por salas fixas e que a cada funcionário corresponda apenas um grupo. Os espaços, sublinha o organismo, devem ser definidos de acordo com a divisão, para que não haja contacto entre grupos diferentes.
As autoridades de saúde deixam ainda a recomendação para as creches se expandirem para outros espaços físicos que não estejam a ser utilizados de momento e permitam o seu funcionamento.
Horários desfasados e sapatos à porta
As creches vão ter de passar a fazer horários de entrada e de saída desfasados e a definição de circuitos de entrada e saída da sala de atividades para cada grupo, de modo a evitar o cruzamento entre pessoas.
O documento da DGS refere também que o calçado deve ser deixado à entrada, nas salas em que as crianças se sentam ou deitam no chão. Por isso, os pais devem estar preparados para levar calçado extra, que seja de uso exclusivo na creche. A mesma orientação aplica-se a educadores e funcionários.
Brinquedos também não entram
Além do distanciamento dos colegas, esta poderá ser outra das situações problemáticas para o entendimento dos mais pequenos. Entre as medidas recomendadas pela DGS para o funcionamento seguro das creches nesta fase está a de os encarregados de educação não deixarem as crianças levar brinquedos ou outros objetos não necessários de casa para a creche, ao mesmo tempo que deve ser garantida a lavagem regular dos objetos utilizados em jogos e brincadeiras.
Sestas e refeições
Para as horas da sesta, a DGS recomenda que as portas ou janelas das salas fiquem abertas, para que haja alguma circulação do ar, e que seja atribuído sempre o mesmo colchão a cada criança. Os colchões devem ser separados uns dos outros e a posição dos pés e das cabeças das crianças manter-se alternada.
No período de refeições, os funcionários devem garantir que a deslocação das crianças para a sala seja faseada, para diminuir o cruzamento de grupos. Os lugares devem ser previamente marcados.
Profissionais das creches preocupados com reabertura
A reabertura das creches a 18 de maio tem causado alguma apreensão nos educadores de infância, que temem que as normas de segurança se revelem perturbadoras para os mais pequenos, sobretudo os que têm idades entre os zero e os três anos, e que não compreenderão o distanciamento que terão de ter dos colegas. Uma preocupação comum à manifestada por vários encarregados de educação, no Luxemburgo, e que levou à criação de uma petição liderada por um grupo de mães portuguesas, como o Contacto noticiou.
Em Portugal, a APEI - Associação de Profissionais de Educação de Infância manifestou, através de um comunicado divulgado no dia 10 de maio, a sua "preocupação por todo este processo".
Para os educadores há recomendações "profundamente desadequadas", que, afirma o documento, "colocam [os profissionais] num dilema ético e profissional difícil de resolver pois, garantindo o seu cumprimento, estão objetivamente a lesar o desenvolvimento das crianças".
A associação, que apesar de tudo se mostra disponível para articular com as autoridades as respostas mais adequadas, alerta que muitas das medidas que agora divulgadas pela DGS são não só "reveladoras de um desconhecimento sobre a realidade do trabalho educativo em creche e sobre o desenvolvimento das crianças com menos de 3 anos", como "profundamente perturbadoras".
A associação refere-se especificamente a normas como "manter uma distância física de dois metros entre cada criança e impedir que possam interagir entre si, evitar o toque em superfícies" ou a "partilha de brinquedos e outros objetos", assim como verem os educadores e auxiliares "a usar máscaras".
"Aprisionar crianças em mesas, espreguiçadeiras ou parques é violentar a criança na sua progressiva autonomia e no seu processo de desenvolvimento, que se promove na exploração do espaço, dos materiais e da sua relação com os outros", defendem os profissionais do setor, que lembram ainda a importância dos afetos - e do dar colo - nestas idades e a barreira que o uso de máscaras criará nessa relação.
A DGS deixa ainda recomendações em relação ao seu transporte para as creches, defendendo, sempre que possível, o transporte individual. As cadeirinhas e o "ovo", não devem ser deixados em locais separados das salas de atividades ou em casa, se não houver esse espaço disponível.
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